quarta-feira, 8 de abril de 2026

Crónica em dia de jogo

Eram 18 horas de ontem, terça-feira, quando acabei de me preparar para o resto da tarde e noite: uma ida a Alvalade para ver a primeira mão dos quartos de final da Liga dos Campeões em futebol entre o Sporting e o Arsenal de Londres.

Desta vez, ao invés de outras eliminatórias, não fui sozinho. O meu sobrinho também desejou ir e para isso pagou um bilhete e o meu filho entregou a um amigo meu a hipótese de também ele ver o jogo. Contas juntas seríamos três dos quatro que normalmente vão a Alvalade para assistir aos jogos da liga.

Só que o sobrinho teve a missão paternal de dar banho às cachopas antes de sair de casa, o que acabou por se tornar num quase atraso. De tal forma que as "jolas" ficaram irremediavelmente por beber e as bifanas igual.

De volante entre os dedos o rapaz desembaraçou-se com alguma destreza do trânsito e chegámos ao local de estacionamento ainda a horas de algumas coisas. Por exemplo andar depressa para chegar a tempo. Ainda por cima tivemos de dar a volta para não nos encontrarmos com os adeptos arselanistas. Mas nem tudo terá corrido bem porque passei ombro a ombro com muitos... Enfim o costume em Portugal que nos quer fazer pior do que somos. Ou então serão os outros!

O público aproximava-se em golfadas. Hoje o futebol não tem sexo e as mulheres começam a encher os estádios tal qual os homens há meio século. E ainda bem!

Casacos, gorros, cachecóis, camisolas tudo é verde e branco. O estádio está cheio e o hino é cantado a plenos pulmões por uma massa adepta carregadinha de esperança.

Principia o jogo e com ele os (a)normais impropérios contra tudo e todos. O jargão sai rápido, fluente. E os cânticos de apoio continuam.

O resultado mantém-se em branco até ao intervalo. Comenta-se então entre alguns as jogadas, as estranhas decisões do árbitro, es escolhas do treinador.

O jogo recomeça e minutos passados a bola entra na baliza. Retirando os adeptos ingleses, um silêncio cai nos 50804 espectadores, para logo a seguir o árbitro invalidar o golo por falta antes. Um festejo por um não-golo alastra a todos como se fosse o inverso.

Ao meu redor algumas adeptas tecem rasgadas dúvidas sobre a seriedade de algumas mães de jogadores adversários (quem diria?). Uma bola é bem defendida pelo guarda redes adversário e todo o povo exalta... 

"Está quase" - pensam e desejam muitos. Tantos! Todos!

Faltam dois minutos para acabar. Porém a bola entra mesmo, só que na baliza errada. Novo silêncio e desta vez a valer. A jovem a meu lado, vestida a rigor e bem perfumada limpa o canto do olho com uma tristeza que não consegue esconder!

Termina o jogo. Cruzo-me com muitos adeptos que esperam provavelmente familiares e amigos. Carregam no olhar a mesma tristeza da minha vizinha de lugar. Oiço alguém confessar:

- Não merecíamos perder!

Pois não concordo eu sem o verbalizar, mas no futebol a vitória cai quase sempre para o lado onde a sorte é mais trabalhada.

Regressamos a casa. O trânsito a esta hora parece mais triste que o habitual. Será que foi do mau resultado?

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