terça-feira, 12 de maio de 2026

Nova ordem linguística?

Sou olimpicamente contra um novo léxico que nos querem obrigar a ler e a escrever. Por mim terão azar pois continuarei a escrever como sempre aprendi, mesmo que por decreto mudem o vocabulário.

Um dos exemplos mais correntes prende-se com a Banda Desenhada que passou a chamar-se “Novela Gráfica”. Tem esta expressão sabor a romance de cordel de origem assaz duvidosa. A Banda Desenhada não é ofensivo e quem gosta da nona arte sabe do que se está a falar.

Não tarda nada estarei de regresso aos duros bancos de escola para me obrigarem a reaprender  a bela língua de Camões nos deixou. Ou no limite é por essa língua não agradar a alguns por não ser fácil, que lançam estas opcões tão idiotas e imbecis.

Este é um tema controverso e que noutro local originou debates acesos. Serei assim um fervoroso adepto da linguagem mais antiga e nada tem a ver com o Acordo Ortográfico, que continuo a não aplicar.

Há cada vez mais palavras proibidas ou pero disso. E se ainda não o serão na linguagem verbal, sei que muitos jornais tendem a rever os textos com cuidado pois há por aí uma nova ordem linguística com quem os tais jornais não querem demandas.

Os mentores desta tal nova ordem (que neu não sei quem serão, nem quero saber, mas que andam por aí!) não podem olvidar que a língua portuguesa tem mais anos que eles terão de vida e que hoje tudo não passa de uma moda como cantavam os Táxi nos anos oitenta na célebre canção Chiclete.

Hoje nós, amanhã eles!

segunda-feira, 11 de maio de 2026

A Arte de Bordalo II!

Tenho pelo artista plástico conhecido como Bordalo II uma enorme admiração.

Sei que com a sua rate urbana pretende chamar as pessoas para o lixo que produzimos, diria que diariamente. Lixo que o artista aproveita, para que sempre que pode criar arte.

O primeiro trabalho que vi na rua foi a figura que se encontra muito perto do Centro Cultural de Belém. Pelo que me recordo é um texugo. Desta forma o artista tem a coragem de mostrar animais feitos do lixo que encontra.

Parece, à primeira vista, um trabalho quase menor. Porém e por aquilo que me tem sido oferecido ver esta arte requer uma capacidade fantástica de realização e acima de tudo muita, mas muita imaginação.

Calculo que ele saiba o que aproveitar para fazer certas partes dos corpos dos animais. A experiência adquirida ao fim de tantas esculturas terá esse condão de facilitar o seu próprio trabalho. Porém o que mais me espanta é a opção por animais e como é que com o lixo que apanha consegue imaginar o trabalho final.

Ou será que conforme vai fazendo, o animal poderá mudar?

Na minha recente viagem à Madeira encontrei três trabalhos de Bordallo II. De dois tirei fotos, de um outro não consegui por ser já quase noite.

O primeiro foi em Câmara de Lobos onde bem encostado à bacia da povoação encontrei este curioso lobo-marinho.


A segunda está bem perto do Museu de Cristiano Ronaldo. na cidade do Funchal. e representa um mero.


Pena não ter fotografado a freira-da-madeira, uma ave endémica da Pérola do Atlântico, na povoação de Santana.

Assumo, como escrevi no início, que gosto imenso destas esculturas e desta postura de aproveitar uma arte para nos dizer tanto.

Remato com a confissão de que também tenho uma foto tirada na Ilha do Corvo, nos Açores, de um cagarro feito por este mesmo artista Bordalo II!

Tenho de as juntar todas, um dia!

domingo, 10 de maio de 2026

De Espanha bom jornalismo!

Ao inverso dos portugueses que têm sobre o seu próprio país um ego do tamanho de uma ervilha, os espanhóis têm um ego muito maior que o seu país.

Parece ser algo cultural, mas sinceramente fico sempre com a ideia de que os nossos vizinhos olhem sempre para nós portugueses por cima do ombro, como se fossemos a escumalha da velha Europa. Se calhar têm razão…

É certo que eles estarão uns anos à frente de Portugal, seja na política, economia, vida social e obviamente desportiva. Mas também têm outros problemas que a nós não nos assiste… sendo o caso das autonomias um deles, tendo a Catalunha sempre numa paz podre.

Entretanto todos os dias recebo os principais jornais espanhóis, sejam eles diários, semanais, generalistas ou desportivos. Nem sempre tenho tempo para os folhear, mas sempre que posso gosto do jornalismo deles, mesmo que seja muito umbilical. O inverso de jornalismo luso que só fala daquilo que não ofende nem cria atritos.

Por exemplo o “El Mundo” de hoje fala na página 41 da celebérrima feira de Santo Isidro e de um tourada. No canto superior da mesma página pode ler-se o tema dedicado “Toros”.


Este tema em Portugal seria alvo das mais fortes sevícias verbais contra o jornal que ousasse escrever sobre este assunto. Uma imbecilidade que alguns querem cercear a informação, olvidando os milhares de aficionados pela arte tauromáquica.

Talvez por estas e algumas outras é que o nosso jornalismo tende a cair e o deles continua a ser uma forte força de poder ou contrapoder (conforme a inclinação política da redacção).

Tenho consciência que nunca gostei muito dos nossos vizinhos, até porque estes detestam ter que perceber o português, mas a verdade é que conscientemente e na escada do pluralismo, estão uns bons degraus acima de nós. E não me venham dizer que teve a ver com o fascismo e demais ditaduras… Eles também tiveram o franquismo.

Tem somente a ver com a postura deles perante os outros. Eles sentem que são sempre melhores. E são… algumas vezes, mas nem sempre!

Enquanto nós olhamos para eles de baixo para cima.

sábado, 9 de maio de 2026

Maio: o mês de muitos "émes"!

Estamos em Maio.

Mês do coração!

Mês das flores!

Mês das favas!

Mês das cerejas!

Mês das trovoadas!

Mês das Mães!

Mês de Maria!

No que ao culto de Maria diz respeito, cada um que crê em Mãe Santíssima, faz ou fará a sua devida homenagem à Mãe de todas as mães.

Como católico reconheço na figura de Maria o exemplo de entrega a uma causa que lhe foi depositada no regaço. Maria é o exemplo perfeito de devoção aos outros.

Sentiu na pele a morte de seu filho crucificado numa cruz que Ela carregou sempre dentro de si. Com resiliência, estoicismo e amor. De Mãe!

Há neste mês muitas iniciativas de dedicação a Nossa Senhora! Mas talvez, repito talvez haja na foto infra uma tão humilde, mas tão humilde homenagem que mereceu a minha atenção.

Como diria alguém: há fotos que valem mais que mil palavras!


sexta-feira, 8 de maio de 2026

Carlos Brito: o exemplo!

Assumo que nunca fui militante nem sequer simpatizante do PCP! Mas não obstante este afastamento político havia e ainda há no Partido Comunista Português gente inteligente, lúcida e, acima de tudo, gente boa!

Era o caso de Carlos Brito o recém falecido ex-dirigente e deputado do PCP à Assembleia da República.

Um homem que dedicou a sua vida a lutar pela liberdade, pela democracia com todas as variantes positivas e negativas. Diria que braço direito do carismático Doutor Álvaro Cunhal, a determinada altura do seu caminho político percebeu com argúcia que o seu Partido entrara na rampa descendente. Deve ter dado conhecimento desta sua visão ao líder comunista que não se reviu nela, com as catastróficas consequências que em cada eleição vamos percebendo.

Acabou por sair pelo seu próprio pé, a exemplo do que fez o meu amigo e também antigo militante e já falecido A.V.S.

Do malogrado Carlos Brito guardo ainda a imagem, como referi no início deste texto, de um homem bom, lutador de causas, perseverante, corajoso e amigo do seu amigo. Fosse este de que partido fosse. E aquele bizarra amizade com Narana Coissoró, antigo deputado do CDS, é disso exemplo. Foi o próprio Carlos Brito que publicamente contou a estória do dealbar dessa forte ligação.

São pessoas destas que a nossa política realmente necessita. De homens e mulheres cientes do seu lugar, crentes nas suas convicções, lutadores de causas reais, mas outrossim gente capaz de perceber qual o lado errado ou menos certo da vida e da política e conseguirem ser um contrapoder.

Como diria alguém próximo: quem já muito andou, já pouco terá para andar e Carlos Brito partiu ontem com a bonita idade de 93 anos.

Que descanse agora em paz e sossego!

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Os 10 dias que (não) abalaram o Mundo!

Decorreram dez dias desde que deixei de escrever e o Mundo não ficou nada abalado com a minha ausência (só boas notícias!!!).

Na altura não apresentei qualquer data para um eventual regresso até porque seria demasiado ousado fazê-lo, já que tal poderia transformar-se numa promessa que claramente não cumpriria.

As razões que me levaram a parar de escrever ainda se mantêm activas, talvez ora com menos fervor e menos cor que na altura (nada como umas boas noites de sono, para muitos dramas ficarem aliviados!).

Entretanto e durante este tempo de ausência fiz uma pequena viagem, que teve o condão de criar algo catalisador para uma desejada mudança. Creio, todavia, que poderá ter ajudado, mas não terá sido essencial.

Regresso hoje à escrita porque esta é um prolongamento de mim e já não vendo aquela como uma obrigação pessoal e diária, como foi noutras alturas, mas tão somente como um exercício para procurar nóveis trilhos ou desafios que possam elevar a minha escrita a um patamar superior.

No fundo, no fundo é só isto que exijo de mim mesmo: competência e lucidez!

Portanto retorno de mansinho, quase em silêncio, na penumbra da noite e envolto naquela esperança que um dia serei recordado por aquilo que escrevi!