sábado, 30 de maio de 2026

O campeão de resistência!

Ainda não encerrou, mas não irá haver mais mexidas na classificação geral do Giro de 2026, que terminará amanhã na bela cidade eterna.

Jonas Vingegaard não teve opositor à altura e ganhou com alguma facilidade. Mas também é verdade que os seus maiores opositores também não estiveram presentes como é o caso de Pogacar, Almeida ou Evenepoel…

Veremos no próximo Tour como todos estes atletas irão lidar na estrada.

Dito isto… a minha grande salva de palmas vai para Afonso Eulálio. O figueirense que não ganhou sequer uma etapa andou, ainda assim, nove dias vestido de rosa e nem mesmo o contra-relógio o fez despir a camisola de primeiro classificado. Apenas as montanhas seguintes. E Vingegaard...

Ainda assim Afonso Eulálio ficou no top 10 deste Giro mais precisamente em sexto lugar. E defendeu até a exaustão a camisola branca símbolo da Juventude.

Segui com entusiasmo e alegria esta prova. Não houve Almeida, houve Afonso. Como já houve há muitos anos Acácio ou Azevedo. Não serão apenas os “aaaaaa” dos nomes ou apelidos, mas são ou foram os Ases do pedal!

Remato com a ideia de que cada corredor terá uma certa especialidade. Uns são trepadores, outros sprinters, outros ainda apenas roladores e há ainda contra-relogistas. Mas Afonso Eulálio não mostrando uma certa tendência provou ser um ciclista batalhador e corajoso e pronto a sofrer. Sem receios, sem soberba, recheado de humildade e... simpatia!

É desta massa que se fazem os verdadeiros campeões!

Obrigado pela alegria que foi ver-te pedalar ali coladinho aos grandes corredores…

Parabéns pelo sexto lugar, parabéns pela camisola.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Morder a língua!

Já o disse e escrevi que não sou um crente nas coincidências. Geralmente tudo acontece por uma estranha razão. E se não a mim seria provavelmente a outro e, portanto, a diferença está que eu cheguei primeiro. Para o bem e para o mal.

Até acertar no Euromilhões não será uma coincidência, mas uma probabilidade de isso acontecer. Ínfima é certo, porém provável. Até há leis que estudam esta ideia das probabilidades.

Mas adiante…

Soube ontem que uma banda de música da minha geração (e não só) virá o mês que vem a Portugal. Se tivesse outra idade e a minha audição fosse mais certinha, talvez ousasse pensar em revê-los. Mas assim prefiro o recato de casa.  Mesmo sabendo que todos os músicos são mais velhos que eu e provavelmente com mais saúde!

Hoje antes de sair de casa fui em busca de uma t-shirt já que o calor apertava. Fui à cómoda específica desta roupa e encontrei curiosamente uma preta com umas imagens. Desdobrei-a e percebi que era dos Iron Maiden a tal banda que virá brevemente a Lisboa.

Lembrei-me então da notícia e vesti-a. Acresce dizer que hoje todos podem usar tudo sem serem minimamente criticados… Vale-nos isso!

Vem agora a parte mais curiosa desta estória: já noite despi a tshirt e dei uma espreitadela a toda ela. Pude perceber o Tour de espectáculos que a Banda fez nesse ano de 2013. E um deles fora obviamente... Lisboa.

Num tal dia 29 de Maio de 2013, no Meo Arena! Faz hoje precisamente 13 anos.


- Caneco! – pensei – Tenho mesmo de morder a língua quando falar de coincidências!

Na realidade jamais me lembrava de ter comprado a tshirt e muuuuuuuuuuuuuuito menos que o espectáculo tivesse sido precisamente neste mesmo dia.

Portanto… tenho de admitir o meu erro e sempre há coincidências!

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Busca!

Durante muuuuuuuitos anos a minha vida foi uma correria. Principalmente quando estava no activo (permitam-me abrir um breve parêntesis para assumir sem receio de consequências que faz-me imensa confusão o léxico da SS para o trabalhador – activo – e alguém que deixou de trabalhar - reformado, já que há gente activa que parece reformada e reformados que trabalham mais que os activos!!!). Enfim…

Foram anos a fio a correr para chegar a horas ao trabalho, a correr para sair a horas daquele para ir buscar miúdos a casa para os levar a actividades extra-curriculares (vulgo, natação, ginástica, inglês, etc…). E com os meus descendentes vinham a reboque os meus sobrinhos e até colegas destes. Mas tudo fiz em prol do bem estar das crianças e jovens.

Havia também os meus sogros, os meus pais (estes ainda existem!) que requeriam por vezes cuidados e atenções específicas. Quando o meu sogro partiu deste Mundo fiquei com algumas das suas responsabilidades nomeadamente as que envolviam a actividade agrícola.

Durante todo o tempo em que trabalhei tive algumas esporádicas paragens. A maioria por razões médicas. E foi numa destas ocasiões que dei por mim a perceber que todas as minhas corridas me tinham levado… a lado nenhum!

Entretanto os miúdos haviam deixado de o ser e tornaram-se mais independentes. Foi nesta altura da minha vida que principiei a travar… a velocidade do meu tempo.

Todos temos um momento para sair deste mundo físico, quer queiramos quer não. Mas independemente desta cruel ou não realidade o que teremos de conseguir estará sempre ligado à capacidade como vivemos os dias que correm.

Talvez por isso e quando vou até à aldeia, na Beira Baixa, procure amiúde o silêncio, seja pela noite dentro ou madrugada fora. Seja no meio do povo, ou na quinta a quilómetros. Desfaço os dias entre fontes de água fresca, minas centenárias construídas por mãos sábias e ribeiras cristalinas que procuram companhia até… ao mar!

Gosto de me sentar na escadaria da velha casa granítica de um caseiro há muito desaparecido tendo frondosos sobreiros, oliveiras bem tratadas, velhos carvalhos como paisagem. Ah… pois e aquele lameiro chamariz de tanta passarada!

Os esquilos descem pelos ramos dos sobreiros até às bolotas que descascam com agilidade e saber. Frenéticos, como sempre foi a minha vida, apetece-me avisá-los para a serenidade dos dias. Mas também sei que não acreditariam em mim…

Gosto de aqui estar percebendo ao longe onde antigamente existia um pinhal os javalis em fila em busca de comida. Na charca há uns patos que poisam devagar nas águas turvas. A passarada esvoaça, brinca, chilrea…

Na estrada atrás da casa passa um carro, interrompendo um momento único e impagável de paz!

Aquela que diariamente procuro inundar o meu pobre espírito!

segunda-feira, 25 de maio de 2026

A vida num fundo de uma garrafa!

Uma das poucas coisas que gostaria de ter e naturalmente usar era um carro daqueles… “vintage”.

Na impossibilidade de ter o primeiro carro do meu pai, um Opel Kadett de quatro portas de cor cinza, optaria por adquirir a celebérrima carrinha Renault 4L de mudanças ao volante que foi uma coisa que me impressionou quando conduzi uma pela primeira vez.

Ora há umas semanas, na minha aldeia, soube que um mecânico de lá tinha um carro destes na oficina. A ideia que me passaram é que ele tinha comprado para arranjar.

De vírus no espírito acabei hoje por telefonar a alguém da minha geração e pedi-lhe para ir saber mais pormenores do dito automóvel. O meu amigo disse que iria lá, mas só numa altura em que o mecânico não estivesse bêbado.

Aproveito então a última palavra para dizer o seguinte: quando novo também fiz muitas asneiras envolvendo álcool e tabaco. Para um dia perceber que nem um nem outro me tornavam uma pessoa melhor. Nada mesmo! E deixei de beber alarvemente e fumar!

Curioso é que muuuuuuitos anos mais tarde em conversa com um amigo, este dizia-me: podemos e devemos errar, mas desde que percebamos que aquele não será o caminho a seguir! Verdade!

O problema é quando alguém não consegue fugir aos vícios adquiridos, quase sempre em novo! Tabaco, álcool, drogas são três exemplos, mas infelizmente sabemos de muitos mais.

Nunca fui alcoólico muito longe disso, todavia em novo e com dinheiro no bolso muitas vezes abusava. No entanto trabalhei com muitos e em todos notei uma anormal tendência para a asneira, sem disso terem, muitas vezes, consciência.

Já se sabe que as bebidas com álcool têm a tendência a desinibir os seus legítimos proprietários. E quanto mais se bebe mais se solta a língua e o espírito.

O pior disto tudo é que os casos são cada vez mais frequentes, nomeadamente nas aldeias onde há sempre muito álcool, muito tabaco e muita conversa para dirimir.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Reflexão existêncial?

Sei que não devo falar do futuro, mas caramba quando eu partir deste velho planeta se falarem será do meu passado.

Pois é… toquei num ponto importante, para mim obviamente. Como gostaria de ser recordado quando for desta vida?

A questão contem em si mesma a resposta, pois se for recordado, mesmo pelas coisas menos simpáticas que tenha feito ou dito já será uma vitória. É que há muitos que entram e saem deste mundo e ninguém se lembra deles. Não fizeram mal, mas também não fizeram bem o que os coloca numa zona cinzenta da memória.

Repito: como gostaria de ser lembrado? Pelo que fui como ser humano, pelo que escrevi e publiquei, pelo exemplo que dei ou não dei?

No fundo não tenho qualquer preferência de memória que possam ter de mim, porque também nunca pensei nisso… a não ser recentemente!

Tenho consciência que muitos terão dificuldade em lidar com a sua partida definitiva deste Mundo. Já eu… não tenho essa nostalgia pois desde que me conheço percebi que somos TODOS, TODOS, TODOS temporais.

Por tudo isto e regressando à questão inicial diria que neste momento a minha única preocupação é fazer o melhor por aqueles que me rodeiam.

Desembaraço por fim este novelo de dúvidas com esta posição: será sempre preferível agir em prol dos que diariamente me acompanham! Estes serão sempre os primeiros beneficiados, mesmo que um dia me olvidem!

E amanhã será um novo dia e espero vivê-lo em plenitude!

A ver se me deixam!

terça-feira, 19 de maio de 2026

Do futebol para o ciclismo!

Um treinador de futebol português já com alguma idade ainda em actividade dizia há muitos anos que o futebol não era uma ciência exacta.

Eu ouso acrescentar que nem o futebol nem nenhum desporto.

Outro treinador há muito falecido disse antes de um jogo decisivo entre Alemanha e Portugal: deixem-me sonhar!

E o sonho tornou-se realidade.

O futebol tem muitas máximas imperdíveis das quais ainda recordo algumas, mas não é de futebol que venho aqui e agora perorar.

Um canal de televisão de desporto conhecido como Eurosport, tem feito diariamente a transmissão das etapas do Giro de Itália 2026. Diversos comentadores residentes vão debatendo, prevendo, analisando as diversas incidências das diferentes etapas.

Obviamente que a partir da sexta etapa a coisa tomou mais interesse pois um português, de nome Afonso Eulálio, abarbatou-se com a camisola rosa, símbolo do primeiro classificado, e ainda não a largou.

Para hoje e após uma segunda-feira de merecido descanso dos atletas, previa-se um contra-relógio complicado para o atleta luso. Tanto mais que o jovem não estava acostumado a este tipo de etapas. Os artistas do tal canal desportivo foram antecipadamente palpitando lugares, tempos, estados de alma do ciclista português.

Porém ao invés das perspectivas de uma sofrível prestação, o atleta figueirense aguentou-se estoicamente e mesmo perdendo muito do tempo acumulado, ainda assim seguirá para a próxima etapa ainda vestido de rosa.


Portanto as máximas dos treinadores de futebol estavam (quase) certas:

- o desporto não é uma ciência exacta e Afonso Eulálio continua a sonhar!

Até quando ninguém sabe!

Remato com aquele apoio: Bravo Afonso! Bravo!

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Cidadania: a palavra que nem todos entendem?

O cidadão português básico, de visão tacanha e egocentrista olha para a cidadania como o adepto de futebol olha para uma grande penalidade: se for a favor foi evidente, se for contra “é uma roubalheira".

Façamos a seguir um brevíssimo exercício de imaginação ao entrevistarmos um desses lusos habitantes deste rectângulo:

Pergunta: Costumas dar passagem a um peão idoso que está numa passadeira?

Resposta: Eu não, era só o que mais faltava, só se fosse o meu pai!

P: Dás passagem a uma senhora com crianças também numa passadeira?

N: Também não. Esperem que eu também espero.

P: Já fugiste alguma vez aos impostos?

R: Eu nunca! Nunca!

P: E aquelas facturas que pedes sem IVA e pagas a dinheiro…

R: Isso nem conta, é tão pouco dinheiro…

P: Como vês a corrupção.

R: Uma vergonha. Um país com tanta corrupção jamais evoluirá!

P: E aquele pedido que fizeste a um técnico de uma entidade qualquer para despachar o teu processo mais rapidamente?

R: - Isso é corrupção? Isso é apenas um favor que lhe fiquei a dever! Mas pago!

Obviamente que o diálogo anterior foi completamente inventado, porém o português é quase sempre assim: tem sempre dupla visão para o mesmo problema, dependendo se será beneficiário ou se será prejudicado.

Posto isto, hoje assisti a algo que não sendo incomum, deixou-me de coração nas mãos. O relato será breve e não tentando explicar nada, consigo talvez dizer tudo.

Tive de ir às compras de carro e no caminho passo por inúmeras passadeiras de peões. Tenho sempre muito cuidado até porque há treze anos colhi uma jovem num desses locais, felizmente sem ferimentos, e por isso acautelo-me.

Estava eu de regresso a casa quando a uns trinta a trinta e cinco metros dei por uma jovem a passar uma passadeira devidamente sinalizada com semáforo vermelho para os peões. O pior é que a menina, senhora, sei lá, carregava não uma, mas três crianças. Três, disse bem! Uma no carrinho, outra nos braços e a terceira, que me pareceu ser a mais pequena, numa bolsa marsupial, porém a nascer nas costas.

Eu fiquei espantado! Como alguém ousou atravessar a estrada sem cuidar primeiro dos seus. Esta cidadã ou faz parte do grupo acima referido ou então ainda tem muito que aprender no que respeita à cidadania. Imaginem que eu ou outro condutor qualquer tocava neste peão? O sarilho que não adviria daí…

Fico com a ideia de que a cidadania parece ser uma palavra nova no léxico luso. Talvez daqui a falta de percepção do seu verdadeiro significado.

Portanto… escola com esta malta!

sábado, 16 de maio de 2026

Os pés dos outros!!

Já por diversas vezes escrevi sobre o (quase) fenómeno do futebol. E da fauna humana que vive ao redor das alegrias e tristezas deste desporto, principalmente sócios e adeptos dos clubes.

Não fujo deste rol de muuuuuuuuitas gentes e assim faço também parte da fauna supra referida.

Encerrou esta noite o calendário da futebol profissional da Primeira Liga. O meu Sporting após um bicampeonato, um deles com uma dobradinha (Campeonato e Taça de Portugal), quedou-se por um modesto segundo lugar que dá acesso à Liga (Milionária) dos campeões, mesmo que não seja de forma directa.

Como sempre que posso fui ao estádio ver a derradeira partida do Sporting esta época, em casa! Eu e mais 48904 espectadores.

Foi a última partida, o campeonato não ficara infelizmente em casa e só haveria um lugar de honra para ser ocupado.

A mole que se juntou ao redor de um relvado preferiu ir até a Alvalade apoiar o seu clube com o maior fervor possível, que ficar em casa a ver telenovela!

Há uns anos a maioria dos espectadores eram do sexo masculino. Actualmente há muitas senhoras de todas as idades, raças e provavelmente credos, a assistirem e a vibrarem com os jogos.

O futebol plasmado do clubismo terá sido um dos grandes polos de atracção para o “eterno feminino”.

Mas quando se fala (ou escreve!!!) de radicalismo, o desporto-rei vem sempre à baila como um dos fomentadores dessa assumpção.

Posto isto… o futebol está quase de férias para em Agosto as equipas regressarem às competições a sério.

Sintetizando: o futebol é um desporto importante donde se retiram muitos, mas muitos heróis. Uns têm pés de barro. Outros pés de ouro.



sexta-feira, 15 de maio de 2026

A coragem de ter… medo!

 Há uns tempos largos vi uma passagem de um filme na televisão (nem me recordo onde foi ou quando foi) em que alguém dizia para outro que o “o medo era a força dos corajosos”.

Aquela frase dita assim sem eu perceber o contexto, não me pareceu ter muito valor e passou.

Até que andei recentemente nos diversos teleféricos na bela ilha da Madeira e percebi o que era ter medo.

De morrer não tenho qualquer receio, mas estar envolvido num acidente mortal ou parecido não era coisa que me apetecesse. Quando desci o segundo teleférico (o primeiro era assaz amigável) com uma inclinação de 98%, não tinha mesmo consciência no que estava a assumir.

Depois cá em baixo, na Fajã da Quebrada, é que percebi o que era ter medo. Pois a verdade é que só senti aquela adrenalina quando me preparava para subir.

Vi também em Lamaceiros, bem perto de Porto Moniz, gente a fazer descidas zipline e mais abaixo junto a uma falésia andarem num baloiço gigante.


A verdade é que quando somos novos nada nos atemoriza e tudo parece ser uma enoooooorme aventura. Todavia quando os anos pesam e passamos a ter consciência do tal medo que falei acima é que aprendemos a arrepiar caminho e a pensar nas eventuais consequências dos nossos actos.

Sinceramente até gostaria de fazer uns exercícios de aventura destes ou de outro género, mas detesto sentir a adrenalina a espalhar pelo meu corpo. Pode ser que com o hábito a reação fosse menos adversa, mas sinceramente não me sentiria bem a ousar um baloiço ou a descer uma zipline.

Portanto… prefiro ter os pés na terra que presos por um qualquer elástico e a cair…

Como ouvi há muitos anos: mais vale ser um cobarde vivo que um herói morto!

Touché!

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Novo herói no ciclismo?

Depois do ciclista caldense João Almeida, que este ano está a passar fisicamente um mau bocado, eis que outro português surgiu nas televisões a dar nas vistas.

Não, não estou a falar de Paul Seixas, bisneto de portugueses, porém francês de nascimento e nacionalidade também este um fenómeno no ciclismo com apenas 19 anos, mas de um Afonso Eulálio figueirense de 24 anos que hoje dia 13 de Maio de 2026 arrebanhou a camisola Rosa, símbolo de primeiro classificado do Giro ou da Volta à Itália.


A etapa de hoje previa-se dura com se veio a comprovar com a prova de Eulálio, que não obstante ter ficado a dois segundos do espanhol, acabou por arrebatar a camisola mais desejada com uma vantagem de alguns minutos sobre os seus adversários e após uma queda a meia dúzia de quilómetros da meta.

O piso muito molhado devido à chuva constante colocou muitos atletas em modo segurança máxima.

Portanto desde 2020, onde João Almeida esteve muitos dias vestido de rosa, é agora a vez do jovem atleta figueirense mostrar de que fibra são feitos os lusos ciclistas.

Se normalmente já tenho uma enorme paixão pelo ciclismo, especialmente estas corridas longas de três semanas, agora com o português de rosa vestido mais interesse tem.

Vejamos o que nos trará os próximos dias.

Para já um enorme obrigado ao Afonso e… coragem!

terça-feira, 12 de maio de 2026

Nova ordem linguística?

Sou olimpicamente contra um novo léxico que nos querem obrigar a ler e a escrever. Por mim terão azar pois continuarei a escrever como sempre aprendi, mesmo que por decreto mudem o vocabulário.

Um dos exemplos mais correntes prende-se com a Banda Desenhada que passou a chamar-se “Novela Gráfica”. Tem esta expressão sabor a romance de cordel de origem assaz duvidosa. A Banda Desenhada não é ofensivo e quem gosta da nona arte sabe do que se está a falar.

Não tarda nada estarei de regresso aos duros bancos de escola para me obrigarem a reaprender  a bela língua de Camões nos deixou. Ou no limite é por essa língua não agradar a alguns por não ser fácil, que lançam estas opcões tão idiotas e imbecis.

Este é um tema controverso e que noutro local originou debates acesos. Serei assim um fervoroso adepto da linguagem mais antiga e nada tem a ver com o Acordo Ortográfico, que continuo a não aplicar.

Há cada vez mais palavras proibidas ou pero disso. E se ainda não o serão na linguagem verbal, sei que muitos jornais tendem a rever os textos com cuidado pois há por aí uma nova ordem linguística com quem os tais jornais não querem demandas.

Os mentores desta tal nova ordem (que neu não sei quem serão, nem quero saber, mas que andam por aí!) não podem olvidar que a língua portuguesa tem mais anos que eles terão de vida e que hoje tudo não passa de uma moda como cantavam os Táxi nos anos oitenta na célebre canção Chiclete.

Hoje nós, amanhã eles!

segunda-feira, 11 de maio de 2026

A Arte de Bordalo II!

Tenho pelo artista plástico conhecido como Bordalo II uma enorme admiração.

Sei que com a sua rate urbana pretende chamar as pessoas para o lixo que produzimos, diria que diariamente. Lixo que o artista aproveita, para que sempre que pode criar arte.

O primeiro trabalho que vi na rua foi a figura que se encontra muito perto do Centro Cultural de Belém. Pelo que me recordo é um texugo. Desta forma o artista tem a coragem de mostrar animais feitos do lixo que encontra.

Parece, à primeira vista, um trabalho quase menor. Porém e por aquilo que me tem sido oferecido ver esta arte requer uma capacidade fantástica de realização e acima de tudo muita, mas muita imaginação.

Calculo que ele saiba o que aproveitar para fazer certas partes dos corpos dos animais. A experiência adquirida ao fim de tantas esculturas terá esse condão de facilitar o seu próprio trabalho. Porém o que mais me espanta é a opção por animais e como é que com o lixo que apanha consegue imaginar o trabalho final.

Ou será que conforme vai fazendo, o animal poderá mudar?

Na minha recente viagem à Madeira encontrei três trabalhos de Bordallo II. De dois tirei fotos, de um outro não consegui por ser já quase noite.

O primeiro foi em Câmara de Lobos onde bem encostado à bacia da povoação encontrei este curioso lobo-marinho.


A segunda está bem perto do Museu de Cristiano Ronaldo. na cidade do Funchal. e representa um mero.


Pena não ter fotografado a freira-da-madeira, uma ave endémica da Pérola do Atlântico, na povoação de Santana.

Assumo, como escrevi no início, que gosto imenso destas esculturas e desta postura de aproveitar uma arte para nos dizer tanto.

Remato com a confissão de que também tenho uma foto tirada na Ilha do Corvo, nos Açores, de um cagarro feito por este mesmo artista Bordalo II!

Tenho de as juntar todas, um dia!

domingo, 10 de maio de 2026

De Espanha bom jornalismo!

Ao inverso dos portugueses que têm sobre o seu próprio país um ego do tamanho de uma ervilha, os espanhóis têm um ego muito maior que o seu país.

Parece ser algo cultural, mas sinceramente fico sempre com a ideia de que os nossos vizinhos olhem sempre para nós portugueses por cima do ombro, como se fossemos a escumalha da velha Europa. Se calhar têm razão…

É certo que eles estarão uns anos à frente de Portugal, seja na política, economia, vida social e obviamente desportiva. Mas também têm outros problemas que a nós não nos assiste… sendo o caso das autonomias um deles, tendo a Catalunha sempre numa paz podre.

Entretanto todos os dias recebo os principais jornais espanhóis, sejam eles diários, semanais, generalistas ou desportivos. Nem sempre tenho tempo para os folhear, mas sempre que posso gosto do jornalismo deles, mesmo que seja muito umbilical. O inverso de jornalismo luso que só fala daquilo que não ofende nem cria atritos.

Por exemplo o “El Mundo” de hoje fala na página 41 da celebérrima feira de Santo Isidro e de um tourada. No canto superior da mesma página pode ler-se o tema dedicado “Toros”.


Este tema em Portugal seria alvo das mais fortes sevícias verbais contra o jornal que ousasse escrever sobre este assunto. Uma imbecilidade que alguns querem cercear a informação, olvidando os milhares de aficionados pela arte tauromáquica.

Talvez por estas e algumas outras é que o nosso jornalismo tende a cair e o deles continua a ser uma forte força de poder ou contrapoder (conforme a inclinação política da redacção).

Tenho consciência que nunca gostei muito dos nossos vizinhos, até porque estes detestam ter que perceber o português, mas a verdade é que conscientemente e na escada do pluralismo, estão uns bons degraus acima de nós. E não me venham dizer que teve a ver com o fascismo e demais ditaduras… Eles também tiveram o franquismo.

Tem somente a ver com a postura deles perante os outros. Eles sentem que são sempre melhores. E são… algumas vezes, mas nem sempre!

Enquanto nós olhamos para eles de baixo para cima.

sábado, 9 de maio de 2026

Maio: o mês de muitos "émes"!

Estamos em Maio.

Mês do coração!

Mês das flores!

Mês das favas!

Mês das cerejas!

Mês das trovoadas!

Mês das Mães!

Mês de Maria!

No que ao culto de Maria diz respeito, cada um que crê em Mãe Santíssima, faz ou fará a sua devida homenagem à Mãe de todas as mães.

Como católico reconheço na figura de Maria o exemplo de entrega a uma causa que lhe foi depositada no regaço. Maria é o exemplo perfeito de devoção aos outros.

Sentiu na pele a morte de seu filho crucificado numa cruz que Ela carregou sempre dentro de si. Com resiliência, estoicismo e amor. De Mãe!

Há neste mês muitas iniciativas de dedicação a Nossa Senhora! Mas talvez, repito talvez haja na foto infra uma tão humilde, mas tão humilde homenagem que mereceu a minha atenção.

Como diria alguém: há fotos que valem mais que mil palavras!


sexta-feira, 8 de maio de 2026

Carlos Brito: o exemplo!

Assumo que nunca fui militante nem sequer simpatizante do PCP! Mas não obstante este afastamento político havia e ainda há no Partido Comunista Português gente inteligente, lúcida e, acima de tudo, gente boa!

Era o caso de Carlos Brito o recém falecido ex-dirigente e deputado do PCP à Assembleia da República.

Um homem que dedicou a sua vida a lutar pela liberdade, pela democracia com todas as variantes positivas e negativas. Diria que braço direito do carismático Doutor Álvaro Cunhal, a determinada altura do seu caminho político percebeu com argúcia que o seu Partido entrara na rampa descendente. Deve ter dado conhecimento desta sua visão ao líder comunista que não se reviu nela, com as catastróficas consequências que em cada eleição vamos percebendo.

Acabou por sair pelo seu próprio pé, a exemplo do que fez o meu amigo e também antigo militante e já falecido A.V.S.

Do malogrado Carlos Brito guardo ainda a imagem, como referi no início deste texto, de um homem bom, lutador de causas, perseverante, corajoso e amigo do seu amigo. Fosse este de que partido fosse. E aquele bizarra amizade com Narana Coissoró, antigo deputado do CDS, é disso exemplo. Foi o próprio Carlos Brito que publicamente contou a estória do dealbar dessa forte ligação.

São pessoas destas que a nossa política realmente necessita. De homens e mulheres cientes do seu lugar, crentes nas suas convicções, lutadores de causas reais, mas outrossim gente capaz de perceber qual o lado errado ou menos certo da vida e da política e conseguirem ser um contrapoder.

Como diria alguém próximo: quem já muito andou, já pouco terá para andar e Carlos Brito partiu ontem com a bonita idade de 93 anos.

Que descanse agora em paz e sossego!

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Os 10 dias que (não) abalaram o Mundo!

Decorreram dez dias desde que deixei de escrever e o Mundo não ficou nada abalado com a minha ausência (só boas notícias!!!).

Na altura não apresentei qualquer data para um eventual regresso até porque seria demasiado ousado fazê-lo, já que tal poderia transformar-se numa promessa que claramente não cumpriria.

As razões que me levaram a parar de escrever ainda se mantêm activas, talvez ora com menos fervor e menos cor que na altura (nada como umas boas noites de sono, para muitos dramas ficarem aliviados!).

Entretanto e durante este tempo de ausência fiz uma pequena viagem, que teve o condão de criar algo catalisador para uma desejada mudança. Creio, todavia, que poderá ter ajudado, mas não terá sido essencial.

Regresso hoje à escrita porque esta é um prolongamento de mim e já não vendo aquela como uma obrigação pessoal e diária, como foi noutras alturas, mas tão somente como um exercício para procurar nóveis trilhos ou desafios que possam elevar a minha escrita a um patamar superior.

No fundo, no fundo é só isto que exijo de mim mesmo: competência e lucidez!

Portanto retorno de mansinho, quase em silêncio, na penumbra da noite e envolto naquela esperança que um dia serei recordado por aquilo que escrevi!