Assumo que nunca fui militante nem sequer simpatizante do PCP! Mas não obstante este afastamento político havia e ainda há no Partido Comunista Português gente inteligente, lúcida e, acima de tudo, gente boa!
Era o caso de Carlos Brito o recém falecido ex-dirigente e
deputado do PCP à Assembleia da República.
Um homem que dedicou a sua vida a lutar pela liberdade, pela
democracia com todas as variantes positivas e negativas. Diria que braço
direito do carismático Doutor Álvaro Cunhal, a determinada altura do seu
caminho político percebeu com argúcia que o seu Partido entrara na rampa
descendente. Deve ter dado conhecimento desta sua visão ao líder comunista que
não se reviu nela, com as catastróficas consequências que em cada eleição vamos
percebendo.
Acabou por sair pelo seu próprio pé, a exemplo do que fez o meu amigo e também antigo militante e já falecido A.V.S.
Do malogrado Carlos Brito guardo ainda a imagem, como referi
no início deste texto, de um homem bom, lutador de causas, perseverante,
corajoso e amigo do seu amigo. Fosse este de que partido fosse. E aquele bizarra
amizade com Narana Coissoró, antigo deputado do CDS, é disso exemplo. Foi o
próprio Carlos Brito que publicamente contou a estória do dealbar dessa
forte ligação.
São pessoas destas que a nossa política realmente necessita.
De homens e mulheres cientes do seu lugar, crentes nas suas convicções,
lutadores de causas reais, mas outrossim gente capaz de perceber qual o lado
errado ou menos certo da vida e da política e conseguirem ser um contrapoder.
Como diria alguém próximo: quem já muito andou, já pouco
terá para andar e Carlos Brito partiu ontem com a bonita idade de 93 anos.
Que descanse agora em paz e sossego!
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