terça-feira, 28 de julho de 2026

Uma estória de amor!

Confesso que gosto de uma bela história de amor. Daquelas com muitas peripécias, com muitos avanços e mais recuos, com drama e ansiedade, para no fim tudo acabar em bem e rematar com a célebre frase “ … e foram felizes para sempre”!

No entanto a vida é amiúde mais complicada que as estórias ficcionais de cinema ou televisão, por mais voltas que o enredo tenha.

Há dias soube que um antigo colega, bem mais velho que eu, está entregue aos cuidados de um lar por culpa de uma demência que o vem atormentando e definhando. O curioso é que ele é dono de uma bela estória de amor, daquelas que quase todos nós gostamos.

Então o enredo conta que João Noronha (nome fictício) nasceu no seio de família abastada e viveu uma vida de jovem endinheirado. O pai tinha uma enorme casa de antiguidades daquelas verdadeiras, genuínas e muito caras.

Entre os amigos do bairro chique na época, João acaba por se apaixonar por Alice (nome fictício) uma bonita jovem, mas a quem nunca se declara.

O tempo corre célere e Alice acaba mais tarde por casar com outro homem, que não o João. Este continuou a escudar-se no silêncio e deixou nas mãos do destino ou sorte as teias do seu futuro.

João reencontra Alice, no funeral do pai de um dos amigos comuns. Ambos chegaram sem qualquer companhia. Ele porque nunca casara, ela porque, entretanto, enviuvara.

Sorrisos e consternação pelo triste acontecimento ao amigo de anos, ainda assim mantiveram-se quase sempre lado a lado. Ele impecavelmente vestido no seu metro e oitenta, ela lindíssima como sempre João a conhecera.

Quando tudo terminou saíram juntos do cemitério, trocaram números de telefone e combinaram almoçar, quiçá, um dia.

Conta quem sabe que partiu dela a iniciativa de marcar o restaurante. Para meses depois casarem num belíssima capela de uma quinta de um familiar. Deste casamento nasceram três meninas que sempre foram muito acarinhadas por mãe e pai.

Alice descobriu o verdadeiro amor naquele homem que nunca desistira de a amar. Mesmo depois das cãs, das dores normais da idade, da demência aterradora.

Todos os dia Alice visita o marido no lar. Quase sempre é uma das filhas ou um dos netos que a leva. Entram todos na enorme sala. As colaboradoras já conhecem a família e procuram captar a atenção do meu velho colega idoso. A nenhum responde, fala ou imita um gesto.

Há porém neste triste quadro uma excepção, pois sempre que Alice se aproxima e deposita aquele beijo terno na testa, ela recebe de João um sorriso e a mão ergue-se do cadeirão e procura a mão da esposa.

Um dia destes verei provavelmente o seu obituário, mas saberei que mesmo sob a força terrível da demência, João continuou a amar a mulher…

Desde menino.

domingo, 26 de julho de 2026

Tour de França 2026

A volta à França deste ano esteve previamente envolta numa enormíssima espectativa, tendo em conta a quantidade e qualidade de corredores que principiaram a corrida na belíssima cidade condal de Barcelona.

Para além do campeoníssimo corredor esloveno Tadej Pogacar, também Jonas Vingegaard se apresentou, assim como Remco Evenepoel, Juan Ayuso, Richard Carapaz, Paul Seixas (o jovem fenómeno velocipédico fancês de origem lusa)  e mais uma série de outros nomes, todos eles prontos a derrubar o favoritismo de Pogacar.

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A realidade é que depois da camisola amarela passar por diversos donos, à sexta etapa ficou definitivamente no corredor esloveno e perante o qual ninguém esteve à altura de lhe tirara a camiseta.

Ainda assim foi uma corrida fantástica com uma velocidade média geral muito alta, com muitas batalhas individuais, muitos incidentes (quedas de Traen, Vingegaard e alguns outros), escaladas fantásticas, descidas a alta velocidade, jogos de equipas, sprints e muitas boas e más surpresas.

Para um leigo como eu diria que a vitória de Pogacar era obviamente esperada, Paul Seixas com o quarto lugar na Geral deixou de ser uma esperança para se tornar numa certeza, Carapaz como rei da Montanha mostrou-se altamente competente, tal como o belga Remco Evenepoel terminando o Tour numa honrosa segunda posição.

Menos bem esteve Ayuso, que depois da saída forçada da UAE após a Vuelta do ano passado e a sua entrada na Lidl-Trek, sempre julguei que lutasse por um lugar no pódio, principalmente depois do ano passado ter andado a estragado a Vuelta do nosso João Almeida que continua ausente por motivo de saúde. 

O Tour é sempre um bom espectáculo televisivo e não só.

Agora segue-se La Vuelta, mas até lá há que descansar... 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Justiça poética ou o fim de uma era?

O Mundial de futebol que ontem encerrou com a merecidíssima vitória da equipa espanhola (esta sim é uma verdadeira selecção, não aquilo que fomos tendo por cá!!!) teve demasiados maus exemplos de influências exteriores ao futebol como foi o caso de um jogador americano ao qual foi perdoado um cartão amarelo, tendo com esse perdão podido jogar contra a Bélgica.

Mais uma "Trumpalhada" ao qual o Presidente da FIFA não se conseguiu impor, como deveria ser. Para além deste caso... os "hydratation break" que serviam outrossim para a feroz publicidade americana ter o seu tempo de "antena". Depois os enormíssimos intervalos entre as duas partes que só prejudicaram os atletas. E ainda o caso do árbitro sumali que foi proibido de entrar nos Estados Unidos.

Bom dito isto... avancemos para a minha ideia.

Um dos desejos "fifeiros" seria uma final entre Portugal de CR7 e Messi "Pulga", com a FIFA a apoiar certamente o jogador argentino, já que serão poucos os dirigentes que apreciam a "marca CR7". 

Portugal é que não entrou nessa subtil vontade futebolística e deixou-se eliminar pela nossa vizinha Espanha. A mesma selecção que ontem fez justiça poética e empurrou Messi para as franjas do esquecimento já que foi Rodri o melhor jogador do torneio. Curiosamente ambas as selecções derrotadas pelo mesmo resultado (um a zero)

Cristiano Ronaldo não voltará a participar no próximo Mundial, se Portugal conseguir a qualificação, assim como o maestro argentino Leonel Messi. Duas estrelas maiores do desporto-Rei, sairam deste evento pela porta pequena (mesmo que tenha participado na Final, Messi nunca pareceu estar presente em campo!).

Duas estrelas com posturas diferentes dentro e fora de campo, mas que marcaram, quer queiram quer não, uma época. Eu quase arriscaria assumir uma geração.

Não imagino quem os substituirá num futuro mais ou menos longo, mas desconfio que serão anormalmente insubstituíveis.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Os Albertos da nossa sociedade!

Desde há uns anos que na aldeia beirã onde vou descansar (ou talvez não!) e por altura do Verão mais ou menos no mesmo lugar surge fogo posto.

Pelos cafés e à boca pequena tem-se acusado um homem. Porém, como nunca ninguém conseguiu provas dos actos criminosos, nem as autoridades competentes, o indiciado pelo povo vivia em plena liberdade. Até ontem...

Chegou-me a notícia que o Alberto (nome fictício) havia sido detido pela PJ de Castelo Branco estando já em prisão preventiva.

Agora... 

Eu conheço o rapaz! Nas suas vidas variadas chegou a trabalhar naquilo que é meu ou da família. Mas sempre lhe percebi um ar vazio de alguém de pouca inteligência e menos sensatez. Nesta altura era pedreiro e trabalhava para um primo cá de casa, com o qual falei hoje e muito se admirou com a detenção do seu colaborador.

Segundo vim a saber um casal estrangeiro que vive na freguesia é que deu alarme às autoridades depois de o apanharem a lançar o fogo. Também soube que o moço era algo dependente do álcool com o qual se dava muito mal.

É certo que este caso não será evento único pois provavelmente por essas aldeias fora haverá demasiados (maus) exemplos como o do Alberto.

Uma vida estragada... um caminho que jamais deveria ter seguido... opções que nunca deveria ter tomado.

Fica, no entanto, aqui uma questão em aberto: como pode alguém prever ou prevenir um acto destes?

Está ora detido... Se se provarem os actos criminosos poderá irá cumprir pena por uma série de anos e arrisco dizer que sairá muuuuuuuito pior que entrou!

A justiça poderá ter sido feita... Mas o que restará deste homem não será mais que a miséria humana em estado (im)puro!

segunda-feira, 13 de julho de 2026

A agricultura da preguiça!

Sei por experiência própria que raramente os agricultores ficarão ricos. Sei também que algumas empresas ficam, mas isso deve-se a outros factores que não vem agora ao caso.

Este fim de semana que passou fui à aldeia, principalmente para homenagear a minha falecida sogra no segundo aniversário da sua partida. Todavia aproveitei esta deslocação para perceber como estavam as fazendas no que concerne ao seu trato.

Se umas apresentavam o chão limpo do perigoso feno e demais mato, outros percebi que a erva secara, mas continuava de pé sem amanho. Ora estas nacos de chão estavam entregues, graciosamente, a um homem da aldeia que tem algumas cabeças de gado e que prometeu tomar conta da fazenda com cuidado.

Isto há dois anos...

O tempo passou e depressa fui percebendo que a pessoa em questão não tinha pedalada para a coisa. Ainda se manteve um ano, mas tendo em conta o estado a que chegou o chão, optou-se por lhe entregar "uma guia de marcha" e contratar alguém com vontade e disponibilidade para fazer do terreno uma fazenda fantástica.

Agora é preciso aguardar!

Na realidade fico sem perceber porque um homem assume um compromisso sabendo de antemão que a sua filosofia não será trabalhar a terra, mas tão-somente retirar dela o melhor proveito com a menor despesa.

Para piorar a coisa o álcool também tem a sua quota parte no estado a que chegou este homem ainda muito novo.

Porque um verdadeiro homem do campo sabe tudo isto e não tem um horário de escriturário de manga de alpaca... Levanta-se cedo, mas nunca se "deita com as galinhas".

O poleiro é pequeno!


sábado, 4 de julho de 2026

E se fosse há 60 anos?

Por aqui onde estou nos fins de semana e onde gozo algumas férias (quando posso ou quando me deixam!!!) vive muita gente ilustre. Modelos e actrizes, futebolistas e dirigentes, cantores e ~músicos.

Muitos deles vejo amiúde em locais públicos a tratarem da sua vida como seja comprar mantimentos e demais necessidades para a casa. Alguns até votam na mesma escola onde eu voto.

Portanto não obstante o mediatismo a que alguns estarão mais ou menos sujeitos, reconheço que o povo português, na sua generalidade, é bem mais pacato que outros povos no que a estas figuras diz respeito.

Ontem fui a supermercado fazer algumas compras e cruzei-me com alguém que durante alguns anos foi uma figura muito querida especialmente pelo eterno feminino. Hoje esse antigo cantor que soma neste momento 87 anos (a mesma idade da minha mãe sendo mais novo apenas cinco dias!), passa pelas pessoas como figura anónima. Provavelmente a maioria não o conhecerá e se o conhecem será apenas de nome ou “por ouvirem falar dele”.

António Calvário é quase meu vizinho. Não sei sinceramente onde mora, mas cruzo-me com ele em diversos sítios. E reconheço que para a idade que transporta em cima dos ombros está muito bem. Sozinho, dei por ele ontem na caixa a aguardar pagar as suas compras.

Pouco ou nada dado a vedetismos o primeiro vencedor do Festival de Canção é hoje um homem normalíssimo. E ainda bem, acrescento.

Porém se fosse há 60 anos, estaria Calvário assim tão descansado a fazer as suas compras?

Provavelmente não, tal era a grandiosidade da sua voz, do seu talento e da sua fama!

Aqui segue a canção que o elevou à qualidade de estrela...

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Venezuela: ainda há esperança!

Diz a sabedoria popular que cada um tem a sua hora marcada para partir deste Mundo. Uns abalam jovens, outros mais velhos. Mas nenhum deles com real conhecimento do momento exacto ou em que circunstâncias.

Ainda bem até porque se alguém pudesse meter a mão neste destino… ui haveria de ser bonito com as malas a passarem de mão recheadinhas de graveto. Daquele bom!

Corria o Outono de 2010 quando uma mina desabou em São José no Chile em finais de Setembro, seiscentos metros de profundidade, para a 16 de Outubro os 33 mineiros serem finalmente resgatados. Uma epopeia que ficou guardada na minha memória. Em muitas outras minas por esse mundo fora outros mineiros acabaram por ficar eternamente soterrados.

Na Venezuela uma equipa portuguesa do RSB especializada em resgastes, conseguiu ao fim de 70 horas retirar um homem com vida dos escombros de um centro comercial que desabou com o sismo na quarta-feira da semana passada.

Naturalmente envio daqui as minhas felicitações a todos quantos participaram no salvamento deste segurança de 44 anos. Um acto de enorme coragem não só dos salvadores perante um edifício com uma estrutura periclitante, mas da própria vitima tantos dias encarcerada.

Resumindo… aconteça o que acontecer nas nossas vidas, de bom ou menos bom, só morreremos quando tiver de ser.

Ou quando Deus quiser!

A esperança deve ser a última a partir...