segunda-feira, 13 de julho de 2026

A agricultura da preguiça!

Sei por experiência própria que raramente os agricultores ficarão ricos. Sei também que algumas empresas ficam, mas isso deve-se a outros factores que não vem agora ao caso.

Este fim de semana que passou fui à aldeia, principalmente para homenagear a minha falecida sogra no segundo aniversário da sua partida. Todavia aproveitei esta deslocação para perceber como estavam as fazendas no que concerne ao seu trato.

Se umas apresentavam o chão limpo do perigoso feno e demais mato, outros percebi que a erva secara, mas continuava de pé sem amanho. Ora estas nacos de chão estavam entregues, graciosamente, a um homem da aldeia que tem algumas cabeças de gado e que prometeu tomar conta da fazenda com cuidado.

Isto há dois anos...

O tempo passou e depressa fui percebendo que a pessoa em questão não tinha pedalada para a coisa. Ainda se manteve um ano, mas tendo em conta o estado a que chegou o chão, optou-se por lhe entregar "uma guia de marcha" e contratar alguém com vontade e disponibilidade para fazer do terreno uma fazenda fantástica.

Agora é preciso aguardar!

Na realidade fico sem perceber porque um homem assume um compromisso sabendo de antemão que a sua filosofia não será trabalhar a terra, mas tão-somente retirar dela o melhor proveito com a menor despesa.

Para piorar a coisa o álcool também tem a sua quota parte no estado a que chegou este homem ainda muito novo.

Porque um verdadeiro homem do campo sabe tudo isto e não tem um horário de escriturário de manga de alpaca... Levanta-se cedo, mas nunca se "deita com as galinhas".

O poleiro é pequeno!


4 comentários:

  1. A agricultura é uma peça de artesanto antigo, caro Amigo. Ou um hobby... Ou talvez a razão para uns copos a esquecer a tristeza.
    Por aqui assisto muito a isso.

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  2. Meu bom Amigo João-Afonso,

    A agricultura que foi durante centenas de anos a actividade principal neste rectângulo está agora votada aos subsidiarismo.
    Mas pode ser que amanhã uma guerra faça acordar algumas cabeças. Entretanto, por aqui continuo a investir a fundo perdido as minhas parcas poupanças...
    Forte abraço.

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  3. O teu texto toca numa ferida antiga: a terra exige um tempo e uma verdade que já não combinam com a pressa ou com o facilitismo dos nossos dias. Cuidar de uma fazenda é quase um ato de resistência literária, um compromisso com o chão que pisamos. Há quem procure apenas o proveito rápido, esquecendo que a terra lê o caráter de quem a amanha. Que esse novo fôlego traga a "fazenda fantástica" que a memória da tua sogra e o teu esforço merecem.

    Grande abraço, José.

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    1. Amigo Daniel,

      Sendo eu um alfacinha cedo percebi que era na terra que se enterravam e achvam as nossas raízes. Por isso todos os anos gasto um mini fortuna no amanho de terras sem tirara de lá uma décimo do investimento. Mas não importa até porque sendo eu um homem sem vícios... são as terras o meu único gasto abusivo.
      A foto que ilustra este blogue é um exemplo de um chão pedregoso, de oliveiras não centenárias porque o fogo as devorou em 2004, mas têm consigo uma estória verdadeira do meu avô. Se este sentimento vale dinheiro? Não vale... para os outros!
      Para mim vale uma vida.
      O problema é que a agricultura verdadeira não se compadece com sentimentalismos.
      Forte abraço e óptimo fim de semana!

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