segunda-feira, 8 de junho de 2026

Quando a doença é ... outra!

Sempre que tomamos conhecimento de alguém que cometeu suicídio, ficamos sempre com a ideia de que havia algo nessa pessoa que não estaria bem. A reboque vem sempre a teoria de alguma depressão que estranhamente ninguém próximo terá notado.

A vida já me mostrou e ensinou muita coisa. Muito mais do que eu julgaria um dia aprender e assim começo a duvidar de muitas ideias no que respeita ao suicídio. A eutanásia é um exemplo… de que alguém não está louco ou sob uma depressão profunda, mas consciente de que partir será o melhor para o próprio e os que o rodeiam.

Chamo a atenção que não quer dizer que concorde com a eutanásia ou suicídios assistidos. Até porque, em ambos os casos, será sempre necessário perceber até que ponto tudo se encontra bem estudado e bem aceite.

Hoje lembrei-me de um amigo que comigo passou algum tempo. Especialmente nas férias escolares. Nasceu numa aldeia ribatejana, mas gostou sempre de andar na escola, ao invés de mim. Com menos um par de anos que eu, era o irmão mais novo de uma tia por afinidade.

O Sérgio era um jovem espertalhão e muito sabido. Reconheço bem mais que eu, na altura.

A vida afastou-nos normalmente até porque ele pretendeu estudar e eu preferi outros caminhos. Curioso é que fomos bater ao mesmo negócio: banca. Licenciar-se-ia em Economia e em pouco tempo era gerente de uma agência bancária. Casaria tempos mais tarde numa cerimónia atípica porque os convidados foram todos comer e beber e só no fim ele se casou. Provavelmente muitos daqueles que estiveram presentes nem se lembrarão disso, digo eu!

A verdade é que pouco tempo depois o Sérgio veio a descobrir que era portador de um cancro. Daqueles ferozes. Sei que percorreu “seca e meca” no sentido de perceber se conseguiam confirmar tal maldita doença. Infelizmente todos confirmaram a enfermidade.

Todavia haveria grandes possibilidades de tratamento e de cura. No entanto, teria de passar por um longo calvário de quimioterapia acutilante e com muitas consequências.

Mas Sérgio não estava para isso. Simplesmente não queria sofrer, fazer os outros sofrer para, provavelmente, um dia voltar ao mesmo.

Assim Sérgio certo dia matou-se!

Deixou à esposa uma longa carta onde dizia que não tinha coragem para sofrer as agruras de um tratamento. E com o desaparecimento dele, ela só sofreria durante uns meses, "porque o tempo tudo dilui” como ele próprio escreveu!

Foi um choque para a família. Tremendo, impensável!

Não sendo este suicídio a consequência de uma profunda depressão fica a questão em aberto: corajoso ou cobarde?

Por mim ainda hoje, e já passaram tantos anos, não sei responder!

E espero nunca saber!

sábado, 6 de junho de 2026

Sem técnica de escrita!

Há uns dias ofereci a um amigo o meu último livro publicado em 2025 (caramba, como o tempo passa e um ano já lá vai!).

Com o volume na mão assumiu a sua enorme admiração por aqueles que, como eu, escrevem estórias, contos ou romances (não é, ainda, o meu caso!).

Dizia que se fosse ele a escrever a determinada altura já estaria tudo misturado e já nem saberia quem era quem. Ri da imagem, mas avisei-o que essa confusão acontece a muitos dos escribas. Umas vezes porque um qualquer autor começa uma estória e não a acabando num curto prazo quando recomeça pode originar confusões. Ou também por o fio condutor do enredo não estar previamente escrito, assim como a tipificação das personagens.

Como ainda não ousei lançar mão de um romance, confesso que não tenho uma especial técnica de escrita para os meus textos. Na maioria das vezes a estória escreve-se primeiro na minha cabeça, para mais tarde a colocar uma folha de papel (cada vez mais raro) ou no computador.

Esgalhado o texto, este passará por um crivo muito apertado onde tento limar a maioria das arestas mais ásperas. Uma espécie de esmeril das palavras.

Certamente que cada autor, escritor, poeta tem a sua forma muito própria de passar para a tela o que lhe vai no coração ou na alma. E em bom rigor não haverá uma matriz ou manual.

Entretanto ando há dias com uma estória na cabeça, mas ainda não consegui aprimorá-la dentro de mim. Só depois de bem expurgada das eventuais gorduras de palavras, tentarei rematar o texto para que fique mais perto da perfeição.

Escrever é assim um acto assaz doloroso. Por aquilo que retira de cada um de nós (a imaginação) e o que temos de trabalhar para construir um naco de prosa (a transpiração!).

No final será necessário tudo juntar para passar a ter direito à divulgação pública.

Como é exemplo este texto.