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sábado, 8 de agosto de 2026

Haverá Céu para os gatos?

Foi em Maio de 2021 que entrou pela porta da cozinha uma gata castanha, bonita, com aquele ar tão felino de ser "dona disto tudo".

Assumo que nunca fui muito apaixonado por gatos até porque os felinos têm geralmente uma personalidade muito vincada e eles é que escolhem quem querem para amigos. Verdade!

Mas este bichano parecia que já nos conhecia há muuuuuuuuuito tempo. Recordo que entrou e sem mais nada deitou-se no chão frio. Era Maio, o Sol já aquecia e ela ali ficou deitada sem se mexer, a apanhar banhos do Astro-rei.

Sem saber o que lhe dar, provavelmente dei-lhe coisas que lhe fariam mal, mas na realidade não tinha experiência disso.

Ora, sempre que eu regressei àquela casa e mal abria a porta da cozinha que dá para o jardim ela surgia naquele seu ar de dama vaidosa e ciente do seu lugar. Por direito adquirido!

Nunca a enxotei e ao invés passei a comprar-lhe comida. Tirei-lhe muitas fotografias, fiz alguns videos com ela, especialmente a beber água da torneira da cozinha. Chegou a dormir cá dentro de casa.

E os meus netos gostavam muito dela.

De vez em quando aparecia magra e logo calculava que andaria doente, para tempos depois já estar mais robusta.

Foram cinco anos nesta relação de amizade, carinho e muita, muita fofura. Adorava festas e ainda anteontem entrou aqui devagar e deitou-se aos pés da minha mulher. Dei-lhe alguma ração, mas pouco comeu.

Para partir depois, silenciosamente, tal como chegara.

Baptizei-a quando a conheci em 2021 de... Aparecida! E foi um fenómeno de ternura que nunca mais esquecerei.

Faleceu hoje, deixando um enormíssimo espaço vazio no coração de todos aqueles que aqui neste bairro lidaram com ela. E foram muitos.

A Aparecida foi parte integrante de todas as famílias onde ela livre e espontaneamente entrou.

Obrigado por tudo o que foste para nós! Devemos-te muito!

Descansa agora em Paz!





segunda-feira, 8 de junho de 2026

Quando a doença é ... outra!

Sempre que tomamos conhecimento de alguém que cometeu suicídio, ficamos sempre com a ideia de que havia algo nessa pessoa que não estaria bem. A reboque vem sempre a teoria de alguma depressão que estranhamente ninguém próximo terá notado.

A vida já me mostrou e ensinou muita coisa. Muito mais do que eu julgaria um dia aprender e assim começo a duvidar de muitas ideias no que respeita ao suicídio. A eutanásia é um exemplo… de que alguém não está louco ou sob uma depressão profunda, mas consciente de que partir será o melhor para o próprio e os que o rodeiam.

Chamo a atenção que não quer dizer que concorde com a eutanásia ou suicídios assistidos. Até porque, em ambos os casos, será sempre necessário perceber até que ponto tudo se encontra bem estudado e bem aceite.

Hoje lembrei-me de um amigo que comigo passou algum tempo. Especialmente nas férias escolares. Nasceu numa aldeia ribatejana, mas gostou sempre de andar na escola, ao invés de mim. Com menos um par de anos que eu, era o irmão mais novo de uma tia por afinidade.

O Sérgio era um jovem espertalhão e muito sabido. Reconheço bem mais que eu, na altura.

A vida afastou-nos normalmente até porque ele pretendeu estudar e eu preferi outros caminhos. Curioso é que fomos bater ao mesmo negócio: banca. Licenciar-se-ia em Economia e em pouco tempo era gerente de uma agência bancária. Casaria tempos mais tarde numa cerimónia atípica porque os convidados foram todos comer e beber e só no fim ele se casou. Provavelmente muitos daqueles que estiveram presentes nem se lembrarão disso, digo eu!

A verdade é que pouco tempo depois o Sérgio veio a descobrir que era portador de um cancro. Daqueles ferozes. Sei que percorreu “seca e meca” no sentido de perceber se conseguiam confirmar tal maldita doença. Infelizmente todos confirmaram a enfermidade.

Todavia haveria grandes possibilidades de tratamento e de cura. No entanto, teria de passar por um longo calvário de quimioterapia acutilante e com muitas consequências.

Mas Sérgio não estava para isso. Simplesmente não queria sofrer, fazer os outros sofrer para, provavelmente, um dia voltar ao mesmo.

Assim Sérgio certo dia matou-se!

Deixou à esposa uma longa carta onde dizia que não tinha coragem para sofrer as agruras de um tratamento. E com o desaparecimento dele, ela só sofreria durante uns meses, "porque o tempo tudo dilui” como ele próprio escreveu!

Foi um choque para a família. Tremendo, impensável!

Não sendo este suicídio a consequência de uma profunda depressão fica a questão em aberto: corajoso ou cobarde?

Por mim ainda hoje, e já passaram tantos anos, não sei responder!

E espero nunca saber!

terça-feira, 31 de março de 2026

No fim resta isto... que é muito!

Desde Setembro do ano passado que o mundo blogosférico desabou em cima dos milhares de autores.

"É a vida" dirão muitos. Verdade!

Todavia esta nova realidade foi, acima de tudo, um balde de água à temperatura polar em cima de (quase) toda a gente que sentia aquela paixão de escrever sem rodeios, sem limites e obviamente sem censura.

Paulatinamente os blogues foram fechando (os meus incluídos) um a um, alguns com a ideia de migrarem para outras plataformas, outros nem por isso.

Hoje soube que fecha mais um! Só que não é um blogue qualquer! Pois não! E pelo que pude ler no seu último postal não voltará abrir  em mais lado nenhum!

Sinceramente na blogosfera encontrei o ambiente propício para muitas trocas. De textos, comentários, opiniões, desafios e mais importante que tudo... amizades.

E destas ficaram algumas que são para a vida. A Isabel é uma dessas amizades.  Uma autora que lançou tantas ideias que acabaram algumas delas em livros. "Os Contos de Natal" são um desses exemplos, mas os meus livros, reconheço com humildade, surgiram do estímulo e força que a Isabel sempre me presenteou!

Era para mim muito importante dizê-lo sem rebuço e de forma pública. E com isto justamente agradecer o carinho e a força para que eu fizesse andar os meus projectos.

A Isabel fecha hoje o seu espaço com este belíssimo postal que contem tudo, tudo, tudo o que foram estes anos.

Só lhe peço que não desista nunca de escrever! Todos nós que a conhecemos necessitamos das suas palavras. Estas trazem-nos paz, serenidade e, melhor que tudo, luz!

Obrigado por tudo e espero ver-te por aqui!