terça-feira, 31 de março de 2026

No fim resta isto... que é muito!

Desde Setembro do ano passado que o mundo blogosférico desabou em cima dos milhares de autores.

"É a vida" dirão muitos. Verdade!

Todavia esta nova realidade foi, acima de tudo, um balde de água à temperatura polar em cima de (quase) toda a gente que sentia aquela paixão de escrever sem rodeios, sem limites e obviamente sem censura.

Paulatinamente os blogues foram fechando (os meus incluídos) um a um, alguns com a ideia de migrarem para outras plataformas, outros nem por isso.

Hoje soube que fecha mais um! Só que não é um blogue qualquer! Pois não! E pelo que pude ler no seu último postal não voltará abrir  em mais lado nenhum!

Sinceramente na blogosfera encontrei o ambiente propício para muitas trocas. De textos, comentários, opiniões, desafios e mais importante que tudo... amizades.

E destas ficaram algumas que são para a vida. A Isabel é uma dessas amizades.  Uma autora que lançou tantas ideias que acabaram algumas delas em livros. "Os Contos de Natal" são um desses exemplos, mas os meus livros, reconheço com humildade, surgiram do estímulo e força que a Isabel sempre me presenteou!

Era para mim muito importante dizê-lo sem rebuço e de forma pública. E com isto justamente agradecer o carinho e a força para que eu fizesse andar os meus projectos.

A Isabel fecha hoje o seu espaço com este belíssimo postal que contem tudo, tudo, tudo o que foram estes anos.

Só lhe peço que não desista nunca de escrever! Todos nós que a conhecemos necessitamos das suas palavras. Estas trazem-nos paz, serenidade e, melhor que tudo, luz!

Obrigado por tudo e espero ver-te por aqui!

segunda-feira, 30 de março de 2026

O meu IMO (imposto mensal obrigatório)!

Março está a acabar, portanto depois de amanhã será Abril mês de alguns eventos e feriados, para além, digo eu, mês de simular a declaração do IRS.

O ano passado logo que chegou Abril simulei a minha declaração de Impostos sobre os rendimentos. Em 2024 havia recebido reembolso e “boráláveroquevouabichar”.

A verdade é que à primeira simulação aquilo deu algo assaz inesperado já que não teria direito a reembolso, ao invés teria de pagar uma boa maquia. Descrente da coisa deixei que Abril fosse mais avançado e simulei novamente a declaração. Pimbas o valor era precisamente igual à primeira simulação… portanto a pagar!

Fiquei varado e tentei perceber com a declaração do ano anterior qual a diferença. Pois… descobri que a taxa de retenção na fonte das pensões da Segurança Social é muito baixa. Porém no fim do ano civil as Finanças somam os rendimentos todos, independentemente de onde vêm, e taxam aquilo conforme a tabela.

Percebi finalmente a situação, porém necessitava de pensar em algo que minimizasse os estragos financeiros decorrentes do IRS.  Como a SS não taxa acima do valor recebido e o Fundo de Pensões que paga o resto também não, acabei por impor a mim mesmo um imposto. Mensal!

Chamo-lhe IMO (Imposto Mensal Obrigatório) e vai todos os meses para uma conta a prazo para fazer frente ao próximo reembolso… ao Estado.

Actualmente são trezentos euros (mais do que a minha mãe recebe de pensão), mas imagino que para o próximo exercício (em 2027) terei de me impor uma taxa maior.

A estranha verdade nisto tudo é que em 2025 paguei menos IRS que em 2024! A questão reside simplesmente em como foram feitas as contas!

Entretanto para este ano creio já ter dinheiro para enfrentar o Fisco!

domingo, 29 de março de 2026

Ó Sôtor... eu doente?

Há quem diga de forma despudorada que o melhor médico de alguém será a própria pessoa. Da mesma maneira há quem siga as palavras médicas à risca sem perceber que cada pessoa é uma pessoa e que cada uma tem diversas variantes.

Por aqui penso que a verdade para a saúde ou doença de cada um de nós estará provavelmente a meio caminho entre as duas visões anteriores.

Obviamente que quando um médico diz a um alcoólico que deve deixar de beber, não estará a exagerar, tal como quando um clínico avisa um fumador que o deve deixar de fazer.

Porém há situações que têm outras perspectivas e podem ser analisadas de maneira diferente dos médicos.

Na realidade cada um conhece o seu corpo e sabe o que lhe fará mal ou menos bem. Seja carne, peixe ou legumes.

Então que lado optar? O do conhecimento empírico ou do conhecimento médico?

Pois a resposta não surge como algo fácil, mas repito o que escrevi acima… quiçá no meio!

Mas de tudo o que já vi e lidei os piores doentes são geralmente... os próprios médicos! A maioria dos que conheço bem detestam assumir que são tão indefesos às doenças como nós porque assumem que por serem médicos estarão imunes às doenças sejam elas quais forem.

O pior é que são capazes de manter uma vida tão pouco saudável, tão recheada de exageros que acabam por se tornarem um risco para si mesmo.

A saúde será sempre um bem incalculável para quem a tem, mas feliz ou infelizmente nem sempre será assim. É nesta consciencialização das nossas fragilidades que reside um melhor futuro para cada um.

Sentir diversos sintomas, perceber que algo não está bem no nosso corpo e não dar fé disso a alguém que possa ajudar não é símbolo de saúde. Será sempre um mau exemplo e um risco enorme.

A ideia de quem não se queixa não é doente pode ser um enormíssimo erro.

Por vezes com consequências irreparáveis.

(texto actualizado hoje dia 30)


sábado, 28 de março de 2026

Quem me dera novamente autárquicas!

Por aqui, onde repouso neste fim de semana, os caminhos (leia-se ruas alcatroadas!!!) após as sucessivas tempestades ficaram visivelmente danificados.

Como costumo dizer os buracos nestas artérias têm um bocadinho de alcatrão.

Depois os carros fogem para os passeios inibindo que as pessoas com menos mobilidade andem nos locais apropriados. Mas isto é uma questão de mera cidadania que só a idade e as privações fará perceber a quem agora não se preocupa com os outros.

Quanto às ruas já falei acima, mas aqui bem perto da minha casa num enormíssima cratera colocaram lá dentro uma enormíssima pedra que até sai do buraco. Se por acaso alguém passar pelo dito buraco ficará certamente com a viatura em mau estado.

Mas o mais estranho é que a câmara por aqui auto-entitula-se de edilidade limpa, mas os caixotes do lixo estão a abarrotar porque o lixo não é recolhido há alguns dias.

As eleições autárquicas têm o condão de tudo tratarem. Por isso tenho saudades delas!

sexta-feira, 27 de março de 2026

Preocupação anormal!

Nunca fui militar. Não cumpri o SMO não por ser objector de consciência, mas porque a miopia que sofro desde pequeno o não permitia.

O mais próximo que estive da vida militar foi ser escuteiro! Acampei, dormi ao relento, fiz provas nocturnas, mas sempre em prol de uma boa acção por dia, tal era a filosofia da altura e creio ainda ser, no Corpo Nacional de Escutas.

Abri o postal de hoje com este breve preâmbulo porque vivemos tempos de guerra. Eu sei que está longe do centro da Europa, todavia qualquer louco poderá carregá-la num ápice para este lado do velho Continente.

Não assisto com fervor a telejornais nem noticiários porque a maioria deles são altamente tendenciosos. Uns a favor outros contra, não importa. Assim sendo deixo-os perorar do cima das suas cátedras e depois é vê-los cair que nem pássaros atingidos por chumbo de "flobér".

Pelo que tenho percebido cada canal televisivo apresenta o seu especialista militar que vai, provavelmente, debitar ideias, opiniões, previsões sobre os diversos conflitos. Até há umas semanas era sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia, para no segundo seguinte passarem para o conflito que envolve diversos territórios árabes, Israel e os Estados Unidos.

Como já disse acima não perco tempo a escutá-los, pois basta ler a legenda: Coronel Manuel dos Pêssegos especialista em estratégia Militar ou então o Major João das Broas, especializado em manobras secretas ou etc, etc, etc.

Tanta gente a debitar estratégias quando no terreno um tonto chamado Trump ordena precisamente o inverso. E claro ninguém destes doutos personagens perceberão o porquê...

Por fim noto que o Mundo tem cada vez mais gente tonta, maluca, sem coração a chegar ao poder. E isso preocupa-me! E muito.


quinta-feira, 26 de março de 2026

Uma história vidrada! E cara!

Toda a vida usei óculos. Comecei cedo aos seis anos de idade quando a professora perceber que escrevia algo no quadro e eu escrevia outra coisa no caderno.

Portanto sempre fui um altíssimo míope. Ora há seis décadas ter óculos era uma coisa estranha e invulgar  especialmente num miúdo. À conta disso fui sempre brindado com epítetos alusivos. Desde o célebre "caixa de óculos" até ao não menos conhecido "vidrinhos" chamaram-me de tudo. Habituei-me, pois não podia fazer outra coisa.

Tenho a certeza que neste conjunto de seis dezenas de anos devo ter comprado centenas de óculos, até porque na escola, especialmente no secundário, entrava muitas vezes numa brincadeira bruta que acabava, quase sempre, com os óculos em mau estado.

Só que as voltas do planeta Terra são muitas e hoje tenho uns óculos pequenos e quase nem se percebe a grossura das lentes. Obviamente de vidro pois não se riscam tanto mas têm um tratamento anti reflexo que não é grande coisa.

As minhas lentes desta vez são tão grossas que vieram directamente da Zeiss (passe a publicidade!) na Alemanha. Porém sabendo isso e tendo a em conta os conflitos que dia a dia se alastram a mais países temi que a coisa até nem chegasse.

Mas chegou e agora tenho uns óculos pequenos, pequenos onde nem se percebe a grossura da lente. Só que há algo que me custa entender ne que se prende com o preço de armações e lentes. Tudo ficou-me em perto de setecentos euros. O valor de muuuuuuuuuuuuuitas reformas lusas.

Reconheço que sou um privilegiado por ter capacidade financeira para comprar um conjunto de lentes e armações novas. Mas quantos portugueses provavelmente ficariam com os óculos antigos por não ter dinheiro para pagar um valor como este?

E este conjunto nem foi dos mais caros que comprei. Os anteriores, por exemplo, custaram três vezes mais do que estes. Há cinco anos!

quarta-feira, 25 de março de 2026

Tempos difíceis!

A vida ensinou-me a ter um cuidado redobrado com as contas. Todavia nem sempre fui assim e durante alguns anos fui adepto daquela expressão "gastar vamos!"

Anos mais tarde vieram as responsabilidades e eu toca a cortar nas despesas, para que o dinheiro chegasse a tempo de chegar o outro.

Hoje assumo que não tenho vícios de qualquer espécie e não gasto um tostão comigo.

Mas atenção não sou um homem rico nem gostaria de o ser. Porque o dinheiro não é por si só sinónimo de felicidade.

Um destes dias vi alguém que conheço bem comprar umas raspadinhas e quando pude perguntei-lhe:

- Então saiu-te alguma coisa?

A resposta veio célere e aborrecida:

- Não! E a ti?

- A mim nunca sairá pois não jogo...

Tentei por onde passei ensinar esta praxis, mas ou fosse culpa minha ou dos ouvintes, creio que nenhum seguiu o meu exemplo.

Aproximam-se tempos complexos, especialmente quem tem empréstimos bancários. Em breve as taxas irão subir, o que irá fazer encarecer por exemplo a prestação da casa.

Estarão as pessoas a preparar os seus futuros orçamentos caseiros para fazer face a novas taxas de juro? Provavelmente não, mas seria bom que cuidassem em fazer um pequeno pé-de-meia para as próximas eventualidades.

Cheira-me que virão tempos estranhos. E difíceis!


terça-feira, 24 de março de 2026

Irritações!

Nunca fui apreciador de Centros Comerciais. Sempre achei esta forma de comércio um logro. Mas a maioria das pessoas gostam de serem enganadas.
Como a mim o dinheiro custa a ganhar (no meu caso presente diria que custa mais a segurá-lo na carteira!!!) jamais me apanharão em Centros Comerciais às compras.

Entre muitos que há na capital e arredores, um deles rouba à descarada. Pediram-me para ir buscar uma encomenda a uma loja já que estava na rua. Se bem que não me apetecesse calcorrear quilómetros dentro de um CC em busca da loja, lá fui. Ou como diria o "Ventoínha" da celebérrima dupla dos Parodiantes de Lisboa "Patilhas e Ventoínha": "contrariado mas vou!"

Entrei com o carro e logo percebi que o estacionamento seria pago. Mas para piorar a coisa não tinha Via Verde.

- Como é possível um estacionamento destes, numa altura destas, não ter acordo com a VV? - perguntei a mim mesmo.

Opções económicas certamente, digo eu agora.

Mas de uma coisa estou certo: se este era já um local que eu raramente visitava, agora será muuuuuuuuito menos. Ainda por cima quando fora deste estacionamento há outro com VV e muito mais barato!

Pronto... hoje deu-me para aqui! Para as irritações na cidade!

segunda-feira, 23 de março de 2026

Hermann: a BD mais pobre!

Nunca fui de amores heróicos e muito menos em Banda Desenhada. Compreendo que alguns leitores (quase) compulsivos de BD olhassem para algumas figuras femininas e provavelmente masculinas como heróis próprios.

Já trabalhava quando tive conhecimento visível do desenho de Hermann Huppen, mais conhecido na nona arte, simplesmente como Hermann. Aquele traço era realmente muito diferente de Tintin, Astérix ou Lucky Luke. Também não se parecia com Black & Mortimore e muito menos com Michel Vaillant (BD que nunca foi do meu agrado, para falar a verdade!).

Quando finalmente abri a primeira página de "Red Dust", logo percebi que estava presente de um desenhador diferente. Nem melhor nem pior que outros... apenas diferente. Mas muuuuuuito nom!

Durante mais de 40 anos tentei comprar toda a colecção de "Comanche" e que se resumem a 15 livros sendo que apenas nos primeiros 10 albuns, é o traço do belga Hermann que impera. Nunca percebi porquê, mas nunca ousei a ler Jeremiah ou Bernard Prince figuras criadas também por Hermann Huppen. Uma falha que irei brevemente colmatar.

Hermann morreu ontem no hospital aos 87 anos. Deixa uma vasta obra (cerca de 120 livros) e uma marca na BD que não deixa nenhum dos apreciadores da nona arte indiferentes.



domingo, 22 de março de 2026

Um tabu despido de sentido!

Conquanto vamos ficando mais velhos e, quiçá, mais sensatos, os nossos tabus de juventude acabam por definhar e alguns até mesmo desaparecer.

Foi assim comigo e reconheço que tive alguma dificuldade em lidar com alguns dos meus traumas de infância, nomeadamente quando era homem feito.

Um deles teve a ver com a minha nudez, especialmente defronte dos outros, mesmo que fossem outros homens.

A verdade é que fui criado num ambiente assaz reservado e conservador. Havia coisas que nunca se falavam, porque sinceramente os meus não saberiam falar comigo.

Com alguma normalidade acabei por perder aquele tabu, tendo em relação aos meus filhos uma atitude oposta daquela que os meus pais tiveram comigo. Enquanto filhos e sobrinhos viveram comigo a minha casa parecia aquela quinta brasileira cheia de gente a praticar nudismo. Então à hora dos banhos...

Não reconhecendo esta estranha relação das pessoas com a sua e a nudez dos outros como um problema, admito que alguns ainda possam ter algum constrangimento. Faz parte.

Sei que este poderá não ser um tema grato a muita gente, mas a verdade é que provavelmente hoje, nas escolas, ensinam mais coisas aos miúdos que eu e os da minha geração só aprendemos já gente crescida.

sábado, 21 de março de 2026

De um passeio matinal...

Este sábado tem sido um dia calmo. Ao invés dos restantes dias da semana onde ando em excesso de velocidade pedonal.

Previa-se chuva para hoje, mas esta não se fez sentir. Mas houve sempre um ventinho, uma brisa a mostrar que a Primavera ainda poderá estar longe.

De manhã fui ao pão, a pé. No caminho de regresso percebi num jardim uma enorme oliveira, que já teve a sua juventude faz muuuuuuuito tempo. Mas as oliveiras são o exemplo perfeito deste tempo de preparação ao qual os cristãos chamam de Quaresma e que ora atravessamos, já que depois da morte há sempre uma certa Ressurreição.

A foto que ilustra este meu blogue é disso exemplo já que em 2004 todas as oliveiras que se vêem foram completamente consumidas por um incêndio devastador que durou demasiado tempo.

No local das velhas oliveiras nasceram muitos pés que foram crescendo até que o dono ir expurgando alguns deles, deixando apenas os que tinham pujança para crescerem.

Com a lentidão normal da agricultura só recentemente as oliveiras se mostraram poderosas e prontas para dar azeitona. E deram muita.

A Mãe Natureza sabe bem com quem deve contar para a ajudar a equilibrar as coisas. As oliveiras são árvores resilientes, corajosas e sempre disponíveis para agradar ao dono. Desde que este a trate com o carinho e cuidado que ela merece.

A foto infra apresenta o lume que arde fogoso enquanto escrevo estas linhas. A lenha é de oliveira que mesmo depois de podada ainda serve para nos aquecer!


sexta-feira, 20 de março de 2026

Chuck Norris - desaparecido da vida!

Morreu Chuck Norris!

Como actor nunca terá sido brilhante, mas também é verdade que não conheço toda a sua filmografia. No entanto sempre achei piada aos seus filmes e séries.

O agora falecido actor americano, tornou muitos dos meus serões mais aprazíveis. Aquelas cenas de pancadaria constante contra adversários supostamente muito mais poderosos que ele, eram um "must". Mais... sabíamos sempre que ele ganharia!

Nunca o tive como meu herói, até porque com a idade em que principiei a ver os seus filmes os meus heróis tinham fraldas ou calções.

Há actores que valem não só pelas enormíssimas actuações que fazem quase garantindo Óscares. No entanto, e digo-o sinceramente o Mundo ficará bem pior sem o Chuck Norris. e+Especialmente no que diz respeito ao entretenimento.

Porque o cinema, quer queiram quer não, também é isso!

quinta-feira, 19 de março de 2026

Fazendo picas na vida!

 Hoje não irei perorar sobre o "Dia do Pai". Já o fiz aqui e sinto que disse (leia-se escrevi) quase tudo.

Então adiante que atrás vem gente.

Sempre pedi pouco da vida, talvez por aquilo que peço seja, quiçá, o mais pesado e o mais difícil de se obter. Só espero saúde, juízo na cabeça e que a minha entidade reformadora me pague mensalmente a minha pensão. Claro que a saúde envolve, pais, filhos, netos e demais família, tendo, no entanto, a consciência que nem sempre tudo irá correr como seria desejável. Faz parte!

Há muuuuuuuito que deixei de fazer grande projectos para o meu futuro. Até porque a idade começa a fazer das suas e nunca sei como acordo amanhã ou mesmo se acordo.

O que considero bem curioso é uma certa juventude (como diria um amigo de longa data: quem tiver menos dez anos que eu é um jovem!!!!) ter assumidamente uma espécie de "check list" para a sua vida. Recordo a este propósito uma antiga colega que certa manhã perguntei-lhe se poderíamos ter uma reunião de trabalho nessa mesma tarde ao que ela pegou na sua agenda, ainda em papel e leu-me uma lista de coisas que tinha programado para essa véspera, da qual eu destaquei uma: casar!

Foi a primeira vez que senti que para algumas pessoas os acontecimentos são picas numa lista. Tenho estado mais atento a estes factos, o que me leva a perguntar: e quando a lista estiver repleta de "checks"?

Vivemos no actual Mundo momentos demasiados confusos sem perceber muito bem onde começa e acaba o mal. Muito menos sabemos como terminará o dia de hoje quanto mais o dia de amanhã.

Posto isto considero que há uma certa despreocupação, especialmente por uma juventude sempre habituada a ter tudo, pelo seu próprio futuro, jamais abdicando da lista que previamente esgalharam em qualquer caderno ou telemóvel.

Estudar, tirar um curso superior, conseguir um trabalho, comprar aquele carro, fazer uma série de viagens, casar, ter filhos... poderão ser desejos válidos para muita gente. Porém de tudo isto retiro uma simples questão: e se a determinada altura não se conseguir picar alguns dos items previstos?

Não será esta filosofia tão apressada a razão de tantas depressões? Algumas destas com consequências desastrosas...

Vivamos então a vida de forma mais serena. Olhemos em nosso redor e percebamos como a serenidade dos dias que vamos atravessando nos aquece mais o coração que a busca de fazer picas na "check list".

A gente lê-se por aí!

quarta-feira, 18 de março de 2026

Nós os irreverentes!

Quando era jovem escutava dos mais velhos a já gasta frase: esta juventude está perdida.

Decorrido o tempo normal na longa tábua da vida, a frase manteve-se associada à mesma ideia de que os jovens estariam a percorrer maus trilhos e daí perderem-se.

A verdade é que hoje sou eu o velho e evito dizer o mesmo dos mais novos.

Sem querer julgar ninguém, a juventude de hoje não é nem melhor nem pior que a de antigamente. Se aquela com a qual lidamos hoje é mais afoita e mais conhecedora, este conhecimento serve ambos os lados, isto é, serve para saberem aquilo que no meu tempo só saberia já bem mais crescido, ao mesmo tempo que podem usar o tal conhecimento precoce para evitarem problemas.

Esconder as coisas (leia-se vida, tal como ela é!!!) da juventude nunca foi (nem será!!!) a melhor solução para que os rapazes e raparigas escolham os melhores caminhos. Até porque será sempre mais útil educadores falarem das alegrias e perigos da vida, que os jovens escutarem as teorias vindas de quem pode ter culpas em muitos cartórios.

Dito isto... a juventude actual estará tão perdida como eu estava com quase o dobro da idade deles. O problema reside essencialmente na capacidade de escolha que cada um pretende para a sua vida.

Tal como muitos de nós o fizemos em devido tempo, provavelmente com menos dados e muuuuuuuito menos informação.

As tatuagens, piercings, cabelos coloridos e roupas rasgadas faz parte de como os jovens querem ser reconhecidos pelo Mundo actual: irreverentes!

Pois é... no meu tempo ser irreverente seria usar cabelo até aos ombros e ter um emblema amarelo ao peito a dizer: Nuclear não! Obrigado!

terça-feira, 17 de março de 2026

A primeira semente!

Assim que fui notificado pela plataforma onde morava o meu velhinho blogue, que em Junho próximo aquela iria encerrar portas, nasceram em mim dois sentimentos contraditórios.

- O primeiro foi de um certo alívio, pois deixaria de ter aquela obrigação que impus a mim mesmo em 2015, de publicar um postal por dia;

- O segundo foi uma espécie de angústia derivada de uma mera questão: e agora faço o quê aos meus imensos pensamentos e às minhas ideias e opiniões?

Entretanto fui percebendo que alguns dos meus amigos da blogosfera tinham a intenção de se transferir para outras plataformas. Outros simplesmente assumiram fechar os seus espaços sem qualquer alternativa. Uma decisão que lamento, já que havia coisas tãããããão boas...

E eu neste limbo entre largar esta escrita ou, seguindo a ideia de um comentador, “... vá pelo menos pensando na criação de um novo espaço que não nos deixe órfãos deste…”, dar por mim a procurar um nome para um novo blogue. Pois sem um título sugestivo e diferente não regressaria à escrita. De todo!

Passaram os dias ou melhor as noites e eu sem conseguir encontrar uma denominação cativante ou, no mínimo, alternativa, contudo identificável com este pobre autor. Até que de repente, quase em dar por isso percebi que estava ali mesmo à minha frente a solução e experimentei a primeira palavra: XÃo. Porém parecia, ainda assim, insuficiente já que faltava mais qualquer coisa… um detalhe, um pormenor, uma pequena cereja no topo deste bolo! Talvez uma foto ajudasse a achar o resto. Assim fiz!

Busquei no meu arquivo e encontrei diversas: o nascer do Sol (está a ser utilizado noutro espaço), o definhar do dia (não era uma foto para um blogue para o futu) para no instante seguinte olhar uma foto tirada no Outono passado, numa fazenda que diz muito à família. Havia aquele arco-íris que foi o símbolo de esperança durante a pandemia, a oliveira renascida quase das cinzas após um terrível incêndio, exemplo perfeito da resiliência e finalmente a terra vermelha acabada de ser lavrada. Uma terra fértil. Tudo sob o olhar atento de uma serra com tanta estória.

- “Voilá” – disse para comigo.

Achado o nome, faltava o complemento que acabou por ser mais fácil: “Lavrar o chão, semear palavras e ideias, colher o que aquele der”.

Por fim a plataforma, mas também neste capítulo não tive grande dificuldade na escolha e fiquei mesmo pela blogspot (não será tão simpática como a anterior, mas habituar-me-ei).

Posto isto e para finalizar inauguro hoje de forma oficial este pedaço de "mau caminho" que desejo livre em ideias, pensamentos, opiniões. Sementes lançadas a uma terra nova para que esta dê frutos suculentos e apetecíveis.

Este será um local aberto a todas e todos, sem excepção de crenças, raças, idades ou sexo.  

Que Deus me ajude nesta demanda!

A gente lê-se por aí!

segunda-feira, 2 de março de 2026