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domingo, 29 de março de 2026

Ó Sôtor... eu doente?

Há quem diga de forma despudorada que o melhor médico de alguém será a própria pessoa. Da mesma maneira há quem siga as palavras médicas à risca sem perceber que cada pessoa é uma pessoa e que cada uma tem diversas variantes.

Por aqui penso que a verdade para a saúde ou doença de cada um de nós estará provavelmente a meio caminho entre as duas visões anteriores.

Obviamente que quando um médico diz a um alcoólico que deve deixar de beber, não estará a exagerar, tal como quando um clínico avisa um fumador que o deve deixar de fazer.

Porém há situações que têm outras perspectivas e podem ser analisadas de maneira diferente dos médicos.

Na realidade cada um conhece o seu corpo e sabe o que lhe fará mal ou menos bem. Seja carne, peixe ou legumes.

Então que lado optar? O do conhecimento empírico ou do conhecimento médico?

Pois a resposta não surge como algo fácil, mas repito o que escrevi acima… quiçá no meio!

Mas de tudo o que já vi e lidei os piores doentes são geralmente... os próprios médicos! A maioria dos que conheço bem detestam assumir que são tão indefesos às doenças como nós porque assumem que por serem médicos estarão imunes às doenças sejam elas quais forem.

O pior é que são capazes de manter uma vida tão pouco saudável, tão recheada de exageros que acabam por se tornarem um risco para si mesmo.

A saúde será sempre um bem incalculável para quem a tem, mas feliz ou infelizmente nem sempre será assim. É nesta consciencialização das nossas fragilidades que reside um melhor futuro para cada um.

Sentir diversos sintomas, perceber que algo não está bem no nosso corpo e não dar fé disso a alguém que possa ajudar não é símbolo de saúde. Será sempre um mau exemplo e um risco enorme.

A ideia de quem não se queixa não é doente pode ser um enormíssimo erro.

Por vezes com consequências irreparáveis.

(texto actualizado hoje dia 30)


quinta-feira, 19 de março de 2026

Fazendo picas na vida!

 Hoje não irei perorar sobre o "Dia do Pai". Já o fiz aqui e sinto que disse (leia-se escrevi) quase tudo.

Então adiante que atrás vem gente.

Sempre pedi pouco da vida, talvez por aquilo que peço seja, quiçá, o mais pesado e o mais difícil de se obter. Só espero saúde, juízo na cabeça e que a minha entidade reformadora me pague mensalmente a minha pensão. Claro que a saúde envolve, pais, filhos, netos e demais família, tendo, no entanto, a consciência que nem sempre tudo irá correr como seria desejável. Faz parte!

Há muuuuuuuito que deixei de fazer grande projectos para o meu futuro. Até porque a idade começa a fazer das suas e nunca sei como acordo amanhã ou mesmo se acordo.

O que considero bem curioso é uma certa juventude (como diria um amigo de longa data: quem tiver menos dez anos que eu é um jovem!!!!) ter assumidamente uma espécie de "check list" para a sua vida. Recordo a este propósito uma antiga colega que certa manhã perguntei-lhe se poderíamos ter uma reunião de trabalho nessa mesma tarde ao que ela pegou na sua agenda, ainda em papel e leu-me uma lista de coisas que tinha programado para essa véspera, da qual eu destaquei uma: casar!

Foi a primeira vez que senti que para algumas pessoas os acontecimentos são picas numa lista. Tenho estado mais atento a estes factos, o que me leva a perguntar: e quando a lista estiver repleta de "checks"?

Vivemos no actual Mundo momentos demasiados confusos sem perceber muito bem onde começa e acaba o mal. Muito menos sabemos como terminará o dia de hoje quanto mais o dia de amanhã.

Posto isto considero que há uma certa despreocupação, especialmente por uma juventude sempre habituada a ter tudo, pelo seu próprio futuro, jamais abdicando da lista que previamente esgalharam em qualquer caderno ou telemóvel.

Estudar, tirar um curso superior, conseguir um trabalho, comprar aquele carro, fazer uma série de viagens, casar, ter filhos... poderão ser desejos válidos para muita gente. Porém de tudo isto retiro uma simples questão: e se a determinada altura não se conseguir picar alguns dos items previstos?

Não será esta filosofia tão apressada a razão de tantas depressões? Algumas destas com consequências desastrosas...

Vivamos então a vida de forma mais serena. Olhemos em nosso redor e percebamos como a serenidade dos dias que vamos atravessando nos aquece mais o coração que a busca de fazer picas na "check list".

A gente lê-se por aí!