Hoje não irei perorar sobre o "Dia do Pai". Já o fiz aqui e sinto que disse (leia-se escrevi) quase tudo.
Então adiante que atrás vem gente.
Sempre pedi pouco da vida, talvez por aquilo que peço seja, quiçá, o mais pesado e o mais difícil de se obter. Só espero saúde, juízo na cabeça e que a minha entidade reformadora me pague mensalmente a minha pensão. Claro que a saúde envolve, pais, filhos, netos e demais família, tendo, no entanto, a consciência que nem sempre tudo irá correr como seria desejável. Faz parte!
Há muuuuuuuito que deixei de fazer grande projectos para o meu futuro. Até porque a idade começa a fazer das suas e nunca sei como acordo amanhã ou mesmo se acordo.
O que considero bem curioso é uma certa juventude (como diria um amigo de longa data: quem tiver menos dez anos que eu é um jovem!!!!) ter assumidamente uma espécie de "check list" para a sua vida. Recordo a este propósito uma antiga colega que certa manhã perguntei-lhe se poderíamos ter uma reunião de trabalho nessa mesma tarde ao que ela pegou na sua agenda, ainda em papel e leu-me uma lista de coisas que tinha programado para essa véspera, da qual eu destaquei uma: casar!
Foi a primeira vez que senti que para algumas pessoas os acontecimentos são picas numa lista. Tenho estado mais atento a estes factos, o que me leva a perguntar: e quando a lista estiver repleta de "checks"?
Vivemos no actual Mundo momentos demasiados confusos sem perceber muito bem onde começa e acaba o mal. Muito menos sabemos como terminará o dia de hoje quanto mais o dia de amanhã.
Posto isto considero que há uma certa despreocupação, especialmente por uma juventude sempre habituada a ter tudo, pelo seu próprio futuro, jamais abdicando da lista que previamente esgalharam em qualquer caderno ou telemóvel.
Estudar, tirar um curso superior, conseguir um trabalho, comprar aquele carro, fazer uma série de viagens, casar, ter filhos... poderão ser desejos válidos para muita gente. Porém de tudo isto retiro uma simples questão: e se a determinada altura não se conseguir picar alguns dos items previstos?
Não será esta filosofia tão apressada a razão de tantas depressões? Algumas destas com consequências desastrosas...
Vivamos então a vida de forma mais serena. Olhemos em nosso redor e percebamos como a serenidade dos dias que vamos atravessando nos aquece mais o coração que a busca de fazer picas na "check list".
A gente lê-se por aí!
Que belo manifesto a favor do imprevisto. Essa obsessão pelo "check" transformou a vida num inventário de armazém, onde se acumulam conquistas mas se perde o espanto. Às vezes, o melhor do caminho é precisamente aquilo que não cabe na agenda e nos obriga a mudar a rota. Um abraço e vivamos a serenidade!
ResponderEliminarCaríssimo Daniel,
Eliminarjá descobri que não devo fazer comentários ou responder via telemóvel.
Dito isto a verdade é que a actual sociedade quer a malta toda igual. Aqueles que saem fora da matriz têm logo epítetos estranhos.
Também no meu tempo era assim, mas coimo sempre pensei pela minha cabeça tal nunca me afectou.
As pessoas fazem listas para a vida? Parece que têm todo o poder nas suas mãos, quando nuuuuuunca será assim. E quando descobrirem irão perceber que perderam tempo em coisas sem valor, deixando o essencial lá atrás. Depois será tarde para recuperar o tempo perdido.
Aprendi isto também da pior formal, mas consegui perceber o meu erro.
Abraço.
Qual a razão para não fazer comentários ou responder por telemóvel?
Eliminar(eu faço tudo por telemóvel, estou sem computador e com preguiça para comprar outro há muito, muito, tempo)
Pedro, a "birra" do José com o telemóvel tem fundamento técnico. O painel do Blogger em dispositivos móveis é um mestre em pregar partidas: desde comentários que ficam presos na moderação sem aviso, até à duplicação de notificações que o José experimentou ontem. Além disso, a interface móvel muitas vezes "engole" parágrafos ou altera a formatação, o que para quem preza a mancha de texto, é um pequeno desastre visual.
EliminarJosé, esse "eco" nas notificações costuma acalmar quando limpamos a cache do navegador no telemóvel ou quando evitamos responder através do campo de resposta rápida do e-mail, preferindo sempre a página direta do blogue. O telemóvel é um excelente bloco de notas para o imprevisto, mas a arquitetura de um texto — ou de uma conversa — pede a estabilidade de um porto seguro.
Um abraço aos dois e que a sementeira continue em paz!
Pedro,
Eliminaro problema que levantei com os comentários tem a ver somente com esta plataforma, não com o assunto supra.
Um abraço, também, Daniel. Bom fim-de-semana e muitas viagens de motorista.
EliminarAmigo Daniel,
ResponderEliminarjamais comentei através de mail. Faço-o directamente na plataforma, mas parece-me que é um exerc´cio meio complicado. Tenho de perceber esta nova filosofia.
Com o tempo... lá irei... Bom fim de semana.