Este sábado tem sido um dia calmo. Ao invés dos restantes dias da semana onde ando em excesso de velocidade pedonal.
Previa-se chuva para hoje, mas esta não se fez sentir. Mas houve sempre um ventinho, uma brisa a mostrar que a Primavera ainda poderá estar longe.
De manhã fui ao pão, a pé. No caminho de regresso percebi num jardim uma enorme oliveira, que já teve a sua juventude faz muuuuuuuito tempo. Mas as oliveiras são o exemplo perfeito deste tempo de preparação ao qual os cristãos chamam de Quaresma e que ora atravessamos, já que depois da morte há sempre uma certa Ressurreição.
A foto que ilustra este meu blogue é disso exemplo já que em 2004 todas as oliveiras que se vêem foram completamente consumidas por um incêndio devastador que durou demasiado tempo.
No local das velhas oliveiras nasceram muitos pés que foram crescendo até que o dono ir expurgando alguns deles, deixando apenas os que tinham pujança para crescerem.
Com a lentidão normal da agricultura só recentemente as oliveiras se mostraram poderosas e prontas para dar azeitona. E deram muita.
A Mãe Natureza sabe bem com quem deve contar para a ajudar a equilibrar as coisas. As oliveiras são árvores resilientes, corajosas e sempre disponíveis para agradar ao dono. Desde que este a trate com o carinho e cuidado que ela merece.
A foto infra apresenta o lume que arde fogoso enquanto escrevo estas linhas. A lenha é de oliveira que mesmo depois de podada ainda serve para nos aquecer!

Um belíssimo texto, José. É curioso como o abrandar do passo ao sábado nos permite ler nas árvores lições que a pressa da semana apaga. Essa imagem da oliveira que atravessa o fogo para, décadas depois, oferecer o fruto e, finalmente, o calor do lume, é o retrato perfeito da resiliência. Há uma generosidade sagrada na natureza que a agricultura nos ensina a respeitar. Que esse calor da lenha de oliveira acompanhe um resto de fim-de-semana inspirado e tranquilo.
ResponderEliminarBoa noite caro Daniel,
EliminarComo amanhã regresso à urbe mais cosmopolita a lareira fica por acender. Neste momento aquele lume sempre desigual, mas acolhedor serve apenas de companhia... quase silenciosa.
As oliveiras que arderam em 2004 e que já deram boa azeitona eram muito maiores. Ficaram mais pequenas e mais fáceis de apanhar. Mas esta árvore é um verdadeiro mistério de Ressurreição. Não fogo que as destrua. Parecem que morrem após o fogo mas logo se percebe pequenos rebentos.
Abraço e bom Domingo.