Assim que fui notificado pela plataforma onde morava o meu velhinho blogue,
que em Junho próximo aquela iria encerrar portas, nasceram em mim dois
sentimentos contraditórios.
- O primeiro foi de um certo alívio, pois deixaria de ter aquela obrigação
que impus a mim mesmo em 2015, de publicar um postal por dia;
- O segundo foi uma espécie de angústia derivada de uma mera questão: e
agora faço o quê aos meus imensos pensamentos e às minhas ideias e opiniões?
Entretanto fui percebendo que alguns dos meus amigos da blogosfera tinham a
intenção de se transferir para outras plataformas. Outros simplesmente assumiram
fechar os seus espaços sem qualquer alternativa. Uma decisão que lamento, já
que havia coisas tãããããão boas...
E eu neste limbo entre largar esta escrita ou, seguindo a ideia de um
comentador, “... vá pelo menos pensando na criação de um novo espaço
que não nos deixe órfãos deste…”, dar por mim a procurar um nome para um novo
blogue. Pois sem um título sugestivo e diferente não regressaria à escrita. De
todo!
Passaram os dias ou melhor as noites e eu sem conseguir encontrar uma denominação cativante ou, no mínimo, alternativa, contudo identificável com este pobre autor. Até que de repente, quase em dar por isso percebi que estava ali mesmo à minha frente a solução e experimentei a primeira palavra: XÃo.
Porém parecia, ainda assim, insuficiente já que faltava mais qualquer coisa… um detalhe, um pormenor, uma pequena cereja no topo deste bolo! Talvez uma foto ajudasse a achar o resto. Assim fiz!
Busquei no meu arquivo e encontrei diversas: o nascer do Sol (está a ser
utilizado noutro espaço), o definhar do dia (não era uma foto para um blogue para o futuro)
para no instante seguinte olhar uma foto tirada no Outono passado, numa fazenda
que diz muito à família. Havia aquele arco-íris que foi o símbolo de esperança
durante a pandemia, a oliveira renascida quase das cinzas após um terrível
incêndio, exemplo perfeito da resiliência e finalmente a terra vermelha acabada de
ser lavrada. Uma terra fértil. Tudo sob o olhar atento de uma serra com tanta estória.
- “Voilá” – disse para comigo.
Achado o nome, faltava o complemento que acabou por ser mais fácil: “Lavrar
o chão, semear palavras e ideias, colher o que aquele der”.
Por fim a plataforma, mas também neste capítulo não tive grande dificuldade
na escolha e fiquei mesmo pela blogspot (não será tão simpática como a
anterior, mas habituar-me-ei).
Posto isto e para finalizar inauguro hoje de forma oficial este pedaço de "mau caminho" que desejo livre em
ideias, pensamentos, opiniões. Sementes lançadas a uma terra nova para que esta
dê frutos suculentos e apetecíveis.
Este será um local aberto a todas e todos, sem excepção de crenças, raças, idades ou sexo.
Que Deus me ajude nesta demanda!
A gente lê-se por aí!