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domingo, 22 de março de 2026

Um tabu despido de sentido!

Conquanto vamos ficando mais velhos e, quiçá, mais sensatos, os nossos tabus de juventude acabam por definhar e alguns até mesmo desaparecer.

Foi assim comigo e reconheço que tive alguma dificuldade em lidar com alguns dos meus traumas de infância, nomeadamente quando era homem feito.

Um deles teve a ver com a minha nudez, especialmente defronte dos outros, mesmo que fossem outros homens.

A verdade é que fui criado num ambiente assaz reservado e conservador. Havia coisas que nunca se falavam, porque sinceramente os meus não saberiam falar comigo.

Com alguma normalidade acabei por perder aquele tabu, tendo em relação aos meus filhos uma atitude oposta daquela que os meus pais tiveram comigo. Enquanto filhos e sobrinhos viveram comigo a minha casa parecia aquela quinta brasileira cheia de gente a praticar nudismo. Então à hora dos banhos...

Não reconhecendo esta estranha relação das pessoas com a sua e a nudez dos outros como um problema, admito que alguns ainda possam ter algum constrangimento. Faz parte.

Sei que este poderá não ser um tema grato a muita gente, mas a verdade é que provavelmente hoje, nas escolas, ensinam mais coisas aos miúdos que eu e os da minha geração só aprendemos já gente crescida.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Nós os irreverentes!

Quando era jovem escutava dos mais velhos a já gasta frase: esta juventude está perdida.

Decorrido o tempo normal na longa tábua da vida, a frase manteve-se associada à mesma ideia de que os jovens estariam a percorrer maus trilhos e daí perderem-se.

A verdade é que hoje sou eu o velho e evito dizer o mesmo dos mais novos.

Sem querer julgar ninguém, a juventude de hoje não é nem melhor nem pior que a de antigamente. Se aquela com a qual lidamos hoje é mais afoita e mais conhecedora, este conhecimento serve ambos os lados, isto é, serve para saberem aquilo que no meu tempo só saberia já bem mais crescido, ao mesmo tempo que podem usar o tal conhecimento precoce para evitarem problemas.

Esconder as coisas (leia-se vida, tal como ela é!!!) da juventude nunca foi (nem será!!!) a melhor solução para que os rapazes e raparigas escolham os melhores caminhos. Até porque será sempre mais útil educadores falarem das alegrias e perigos da vida, que os jovens escutarem as teorias vindas de quem pode ter culpas em muitos cartórios.

Dito isto... a juventude actual estará tão perdida como eu estava com quase o dobro da idade deles. O problema reside essencialmente na capacidade de escolha que cada um pretende para a sua vida.

Tal como muitos de nós o fizemos em devido tempo, provavelmente com menos dados e muuuuuuuito menos informação.

As tatuagens, piercings, cabelos coloridos e roupas rasgadas faz parte de como os jovens querem ser reconhecidos pelo Mundo actual: irreverentes!

Pois é... no meu tempo ser irreverente seria usar cabelo até aos ombros e ter um emblema amarelo ao peito a dizer: Nuclear não! Obrigado!