quinta-feira, 26 de março de 2026

Uma história vidrada! E cara!

Toda a vida usei óculos. Comecei cedo aos seis anos de idade quando a professora perceber que escrevia algo no quadro e eu escrevia outra coisa no caderno.

Portanto sempre fui um altíssimo míope. Ora há seis décadas ter óculos era uma coisa estranha e invulgar  especialmente num miúdo. À conta disso fui sempre brindado com epítetos alusivos. Desde o célebre "caixa de óculos" até ao não menos conhecido "vidrinhos" chamaram-me de tudo. Habituei-me, pois não podia fazer outra coisa.

Tenho a certeza que neste conjunto de seis dezenas de anos devo ter comprado centenas de óculos, até porque na escola, especialmente no secundário, entrava muitas vezes numa brincadeira bruta que acabava, quase sempre, com os óculos em mau estado.

Só que as voltas do planeta Terra são muitas e hoje tenho uns óculos pequenos e quase nem se percebe a grossura das lentes. Obviamente de vidro pois não se riscam tanto mas têm um tratamento anti reflexo que não é grande coisa.

As minhas lentes desta vez são tão grossas que vieram directamente da Zeiss (passe a publicidade!) na Alemanha. Porém sabendo isso e tendo a em conta os conflitos que dia a dia se alastram a mais países temi que a coisa até nem chegasse.

Mas chegou e agora tenho uns óculos pequenos, pequenos onde nem se percebe a grossura da lente. Só que há algo que me custa entender ne que se prende com o preço de armações e lentes. Tudo ficou-me em perto de setecentos euros. O valor de muuuuuuuuuuuuuitas reformas lusas.

Reconheço que sou um privilegiado por ter capacidade financeira para comprar um conjunto de lentes e armações novas. Mas quantos portugueses provavelmente ficariam com os óculos antigos por não ter dinheiro para pagar um valor como este?

E este conjunto nem foi dos mais caros que comprei. Os anteriores, por exemplo, custaram três vezes mais do que estes. Há cinco anos!

2 comentários:

  1. A ironia, José, é que entre a alta tecnologia da Zeiss e a necessidade nua, o fosso é profundo. Acaba por se chegar aos óculos pré-graduados nas lojas de conveniência ou nos chineses. São óculos de remedeio com graduações estilizadas que, na pressa de ver o perto, acabam por acelerar o cansaço do que ainda resta de visão. O preço de ver bem tornou-se um artigo de luxo que muitos tentam falsificar por sobrevivência.

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    1. Boa tarde,

      se tivesse o dinheiro que já gastei em óculos e lentes de contacto em toda a minha vida, confesso que teria uma pequena fortuna.-
      O problema é que o comércio de óculos tem margens de ganho muito, mas muito grandes. Também é verdade que as lojas ficam com muitos monos que ninguém pega ou por serem muito baratos, mas essencialmente por serem de má qualidade.
      E isto é pago pelas lojas se quiserem ter coisas com qualidade.
      Agora... Os meus serviços de apoio médico acabam por me comparticipar em lentes e armações. Porém o valor é tão irrisório que quase nem vale a pena pedir comparticipação.
      Mais o próprio sistema tem uma loja de óculos. Mas as minhas lentes devido à sua alta graduação só podem ser feitas numa fábrica da especialidade. Portanto ficariam caras na mesma e provavelmente até mais caras que numa loja normal.
      Este é um enorme negócio e bem lucrativo. O que eu lastimo é que os desgraçados que têm reformas pequenas não possam comprar próteses oculares de qualidade.
      Mantem-se um país a diversas velocidades.
      Infelizmente!

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