Ainda hoje me lembro de quanto custou o meu primeiro computador: setecentos e cinquenta e cinco mil escudos. O que à moeda de hoje seria aproximadamente 3 765 euros.
Na altura comprei um topo de gama. Enquanto a maioria dos pc's tinham entre 80 a 100 megas de disco, aquele ora obsoleto "pentium 486" tinha um disco de 240 megas e de 2 megas de memória que num instante passaram a vagas lembranças.
Hoje com o mesmo dinheiro compraria uma coisa ene vezes melhor (nem imagino quanto).
O meu filho mais novo era muito pequeno, mas depressa de associou ao computador já que dessa ligação originou que muitas noites passasse a reinstalar o Windows 3,1.
Por baixo deste sistema havia o DOS que nos obrigava a saber uma quantidade de comandos para o pc funcionar. Recordo aqui o format a: \s\p e depois uma disquete na ranhura apropriada para que o comando tivesse realmente efeito.
Uma coisa que recordo desses tempos quase jurássicos, foi a maneira como os meus filhos lidavam com o equipamento. Sem qualquer consciência dos custos associados, aquilo valia tudo e mais um par de botas.
Esta postura fez com que eles olhassem para esta tecnologia como uma coisa qual normal, sem qualquer receio de estragar. É curioso que nunca tive muitos problemas informáticos, mas se porventura os tinha havia sempre quem estivesse mais à frente que eu nesta tecnologia e desse uma ajuda.
Noto com agrado que os meus netos de dois e seis anos conseguem trabalhar com naturalidade com esta evolução do touch (não tarda nada nem disso necessitam)
Estes equipamentos são realmente muito intuitivos e como as crianças ainda nem estão sequer formatadas tudo se arrisca sem receios ou responsabilidades.
Percebe-se que o futuro é deles e esta relação que têm com a tecnologia está realmente pensada para eles. Recordo-me a este propósito que um dia deram a um rapaz um telefone daqueles mais antigos em que tínhamos de discar o número, enfiando os dedos nos buracos correspondentes aos números. A verdade é que o miúdo deste teste nunca conseguiu fazer a chamada.
Pudera! Hoje as coisas são feitas para facilitar tanto as pessoas que estas deixam mesmo de pensar e puxar pelo bestunto.
Obviamente que não sou nada contra a modernidade, mas vai sendo necessário deixar as crianças pensar mais.
Remato com esta certeza: hoje nenhum jovem estudante leria "Os Mais" de Eça de Queirós como eu tive de ler. Hoje há demasiados resumos.
Porém é naquilo que os resumos evitam que está a beleza da escrita queirosiana!
Sem comentários:
Enviar um comentário