Um poeta bem conhecido da nossa praça poética escreveu certa vez que "o Natal é quando o homem quiser".
Se para o Natal a frase poderá estar carregada de sentido, para a Páscoa a ideia será um pouco diferente. Até porque quer queiram quer não a Páscoa e a Primavera estão intimamente ligadas.
Em ambas evoca-se e percebe-se uma Ressurreição. A visão católica assenta este renascer dos mortos na figura milenar e incomparável de Jesus Cristo, filho unigénito de Deus Pai. Os outros apostam no brotar de vida da própria Natureza e que podemos notar ao nosso redor seja nas flores, nas árvores de fruto, na passarada vivaz e barulhenta.
Sendo eu católico e outrossim afecto à vida do campo, logo da própria Natureza, reconheço neste paralelismo uma ligação muito forte, para quase ousar dizer umbilical.
Contudo a verdadeira Páscoa dos homens, sejam estes gente de fé ou não, compreende uma forma muito própria de lidarmos com a nossa vida, com os nossos dilemas, com as nossas dúvidas. E este tempo Pascal que ora principia e que terminará no Domingo de Pentecostes, poderá estar associado ao sentimento de renovação, de busca de outros pensamentos e novos desejos.
Quando peregrinava, quase sempre em dias próximos da Páscoa, procurava nos bons momentos de silêncio que fazia no caminho, recuperar um pouco da minha verdadeira essência de homem, de cidadão e mais que tudo de católico.
Perguntava (e ainda me questiono) qual o verdadeiro sentido da minha vida? Que importância terei na vida dos que me rodeiam? Que amor é este por um Deus que nunca vi, mas que todos os dias sinto no mais singelo dos meus actos?
A Páscoa é assim o início de um caminho que me levará a um lugar provavelmente desconhecido. Uns chamarão de alma, espírito. Outros dirão que é coração, pensamento.
Eu chamarei simplesmente de fé!
Acreditar sem ver, amar sem querer nada em troca, dar sem receber.
Pois que assim seja!
Santíssima Páscoa!
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