Andei com este texto na cabeça alguns dias sem o escrever. Mais tarde ousei escrevê-lo, sem qualquer publicação.
Entretanto, rascunhei amiúde. E a publicação adiada. Até hoje!
Sempre fui uma pessoa diferente dos demais. Não que o fizesse
conscientemente, mas há momentos na vida em que vem ao de cima
toda a nossa boa ou má educação e formação. E dei a todos uma certa
imagem, cuja qualificação não interessa para aqui!
Como me disse alguém quando entrei num certo local de
trabalho: a primeira imagem é que irá perdurar para sempre! Touché!
Hoje sou um homem maduro, demasiado maduro, porém
compenetrado da minha função de avô, pai e (ainda) filho. Ao redor de tudo isto
… a minha singela escrita! Que ficou sempre aquém dos meus desejos. Bem aquém!
Nos últimos tempos comecei a perceber um certo desamparo.
Sentia-me por vezes doente fisicamente (esta surdez que vai e vem é um
verdadeiro suplício!!!), mas havia algo em mim mui diferente. O tal desamparo
que já falei, mas acima de tudo um estranho desânimo, uma tristeza que só a
alegria dos netos amenizava e ameniza.
Se um amigo meu me falasse assim do seu estado de espírito,
eu municiava-me de todas os conselhos e avisos, tentava puxar o ânimo para uns
níveis superiores para rematar com alguma tirada humorística.
O curioso é que me olho ao espelho e não sou capaz de dar ao
meu reflexo os mesmos conselhos e a mesma força que daria a um amigo. Estranho,
não é?
Tenho consciência que o golpe mortal que a plataforma SAPO deu
na blogosfera terá ajudado para este meu desequilibro emocional. Deixou-me órfão
e incapaz de dar a volta por cima, mesmo com assumpção de novos desafios.
Dito isto e após muito pensar, creio que o melhor neste momento será… parar!
Principalmente de escrever!
As ideias não surgem como noutros tempos e escrever só para
“encher chouriços” nunca foi a minha praia.
Resumindo… penso que o melhor será travar a fundo, repensar
tudo desde o início e quando tudo finalmente fizer sentido, regressar. Gosto de me sentir feliz no que faço, mesmo que tudo seja de qualidade sofrível...
Portanto, meus caríssimos leitores e amigos, não se preocupem comigo,
que eu vou ali e já volto.
Não imagino é quanto tempo demorarei.
Fiquem bem e obrigado por tudo!
Bom dia Amigo José!. Amigo porque eu considero Amigo, pois os amigos ajudam a que a solidão não nos afogue totalmente e o tu José talvez nem imagines a companhia que me tens feito nestes anos. Entendo perfeitamente como te sentes
ResponderEliminarOlá. Luísa,
EliminarObrigado pelo apoio, mas ultimamente sinto-me desconfortável comigo e com o que me rodeia. Não sei se é desta guerra ou de outra coisa qualquer, todavia há um mal estar dentro de mim ao qual nunca tinha tido. Enfim... A idade também conta.
Obrigado pela tua presença.🙏🙏🙏🙏🙏🙏🙏
Continuando .Tenho também andado num sobe e desce que não é fácil.
ResponderEliminarMas por favor não deixes de escrever 😒
Agora aproveita as férias. Tira lindas fotos.E depois já voltas com muitas ideias para escrever.
A minha pontuação é uma desgraça.
Um beijinho. 💚💚💚
Luísa,
EliminarNão prometo para não faltar. Veremos o que os próximos dias me trarão...
Obrigado. De coração!
Meu caro José,
ResponderEliminarLi este teu desabafo com o mesmo silêncio com que se observa um objeto de coleção, como é este teu blogue.
Dizes que a tua escrita ficou aquém dos teus desejos, mas esquece-te, talvez, de que a literatura não se mede pela régua do autor, mas pelo rasto que deixa em quem lê. Nos últimos tempos, os teus livros têm sido o "sistema operativo" das minhas pausas. Enquanto a minha Honda Vision descansa nos paralelos de Braga, são os teus contos que me transportam para essas geografias que dizes estarem a desaparecer. Se elas ainda existem, José, é porque tu as resgataste do pó. [https://aminhahonda.blogspot.com/2026/04/o-musculo-da-abstracao.html]
O desânimo de que falas não é uma derrota; é o wabi-sabi da alma. É a beleza do desgaste, a necessidade de recolher ao pátio para perceber que o limoeiro continua lá, mesmo quando não o descrevemos. A blogosfera pode ter mudado as coordenadas, mas não mudou o destino: o encontro entre quem tem algo a dizer e quem precisa de ouvir para se sentir menos só na sua "invisibilidade urbana". [https://aminhahonda.blogspot.com/2026/04/o-teorema-do-limoeiro-e-garupa-do-tempo.html]
Vai até onde precisares de ir. Bebe da alegria dos teus netos, deixa que o silêncio da surdez momentânea se transforme numa outra forma de escuta interior. Mas não te esqueças de uma coisa: na garupa desta minha pequena scooter de 110 cc, levo sempre um lugar vago para os teus livros. E, enquanto houver estrada e houver leitores a procurar abrigo nestas crónicas, haverá sempre um parágrafo teu à espera de ser reencontrado.
Um abraço fraterno, deste teu leitor que continua a dar gás, inspirado pelo teu galope.
Boa tarde Daniel,
ResponderEliminarAinda em terras madeirenses e com um dia de chuva terrível que deixou todos encharcados, reli o teu comentário que naturalmente muito agradeço.
Há nas tuas fantásticas palavras muita verdade (... a literatura não se mede pela régua do autor, mas pelo rasto que deixa em quem lê... ), mas sinto que ainda hoje me sinto longe da escrita.
Depois entra-se naquele círculo vicioso que quanto menos se escreve menos se quer escrever.
Dizia um dos meus filhos que os meus livros foram assim uma espécie de "check-list" da minha vida. Como terá sido casar, ter filhos, fazer uma casa, viajar!
A minha cabeça anda num tumulto contínuo e receio que um destes dias imploda.
Necessito fazer um reset à minha filosofia de vida, à forma como ando a lidar, não com os outros mas comigo mesmo.
Todavia a escrita continua a morar em mim. Talvez não tanto aqui mas num outro onde de vez em quando deponho uns textos. Provavelmente assim continuará, pois sempre assim foi. Lá!
Gostei muito das referências aos meus livros nos teus postais, mas não sei até que ponto os livros merecem essas referências. São pedaços de escrita humilde e quase "naífe".
Foi aquilo que consegui construir ao fim de uma vida.
Abraço e gostaria de voltar aqui a este pedaço, mas a dúvida permanece... Veremos o que me reservará o futuro.
Boa semana! E mais uma vez obrigado!