segunda-feira, 18 de maio de 2026

Cidadania: a palavra que nem todos entendem?

O cidadão português básico, de visão tacanha e egocentrista olha para a cidadania como o adepto de futebol olha para uma grande penalidade: se for a favor foi evidente, se for contra “é uma roubalheira".

Façamos a seguir um brevíssimo exercício de imaginação ao entrevistarmos um desses lusos habitantes deste rectângulo:

Pergunta: Costumas dar passagem a um peão idoso que está numa passadeira?

Resposta: Eu não, era só o que mais faltava, só se fosse o meu pai!

P: Dás passagem a uma senhora com crianças também numa passadeira?

N: Também não. Esperem que eu também espero.

P: Já fugiste alguma vez aos impostos?

R: Eu nunca! Nunca!

P: E aquelas facturas que pedes sem IVA e pagas a dinheiro…

R: Isso nem conta, é tão pouco dinheiro…

P: Como vês a corrupção.

R: Uma vergonha. Um país com tanta corrupção jamais evoluirá!

P: E aquele pedido que fizeste a um técnico de uma entidade qualquer para despachar o teu processo mais rapidamente?

R: - Isso é corrupção? Isso é apenas um favor que lhe fiquei a dever! Mas pago!

Obviamente que o diálogo anterior foi completamente inventado, porém o português é quase sempre assim: tem sempre dupla visão para o mesmo problema, dependendo se será beneficiário ou se será prejudicado.

Posto isto, hoje assisti a algo que não sendo incomum, deixou-me de coração nas mãos. O relato será breve e não tentando explicar nada, consigo talvez dizer tudo.

Tive de ir às compras de carro e no caminho passo por inúmeras passadeiras de peões. Tenho sempre muito cuidado até porque há treze anos colhi uma jovem num desses locais, felizmente sem ferimentos, e por isso acautelo-me.

Estava eu de regresso a casa quando a uns trinta a trinta e cinco metros dei por uma jovem a passar uma passadeira devidamente sinalizada com semáforo vermelho para os peões. O pior é que a menina, senhora, sei lá, carregava não uma, mas três crianças. Três, disse bem! Uma no carrinho, outra nos braços e a terceira, que me pareceu ser a mais pequena, numa bolsa marsupial, porém a nascer nas costas.

Eu fiquei espantado! Como alguém ousou atravessar a estrada sem cuidar primeiro dos seus. Esta cidadã ou faz parte do grupo acima referido ou então ainda tem muito que aprender no que respeita à cidadania. Imaginem que eu ou outro condutor qualquer tocava neste peão? O sarilho que não adviria daí…

Fico com a ideia de que a cidadania parece ser uma palavra nova no léxico luso. Talvez daqui a falta de percepção do seu verdadeiro significado.

Portanto… escola com esta malta!

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