Há muito que a Feira do Livro de Lisboa perdeu… charme.
Aquilo parece mais com um centro comercial onde os diferentes
cheiros a comida que param no ar se confundem e provavelmente alguns daqueles
entrarão outrossim nos livros, fazendo com que alguém quando chegar a casa tenha
mais vontade de lhes dar uma trincadela que ler uma qualquer página.
Esta semana visitei a Feira à noite!
Muitos expositores, alguma gente, filas enormes para pagar,
mas um ambiente pouco apelativo aos livros.
Não sei… mas se calhar sou só eu que vejo as coisas desta maneira…
à moda antiga, quando a Feira morava no passeio central da Avenida da Liberdade
nuns stands de cor amarela.
Deixemos o passado e aterremos neste presente.
Geralmente nunca levo uma lista de livros que quero comprar.
Deixo que o ocaso ou sorte faça a sua parte. Mas se não tenho autores, nem
títulos enfileirados tenho sempre… umas ideias sobre “… se encontrar este
livro, compro!”
Nunca encontro! O curioso é que desde a pandemia as minhas
visitas são quase médicas, percorrendo a feira em velocidade apressada, porém
sempre atento. As grandes editoras não me seduzem e talvez prefira coisas mais
pequenas como… alfarrabistas.
Foi o que aconteceu desta vez quando a determinada altura
deparei com um livro de poesia de Eugénio de Andrade, coordenado pelo Professor
Óscar Lopes. Um livro de 2000, em muito bom estado mas nada barato mesmo para
um alfarrabista. Mas calculo que novo gostaria provavelmente o triplo ou mais.
Este.
Depois mais uma volta e a BD em destaque. Tentei comprar um
exemplar de um policial de Agatha Christhie, mas já não havia. Mais à frente
noutro expositor acabei por me reencontrar com o meu “amigo” Lucky Luke, ora
numa versão mais moderna, mas muito bem desenhada e com alguns personagens
conhecidos de outras estórias.
Comprei-o e já o li… até porque o “cowboy” solitário ainda
não está sozinho, pois tem muitos leitores.
Finalmente não pude deixar a Feira sem trazer um livro para a minha
neta que brevemente principiará a ler.
Resultado final da noite: três livros, mais de 50 euros gastos e uma fome descomunal! Pois saí da Feira entre duas rulotes, uma que vendia farturas e outra, crepes.
De uma coisa tenho a certeza: este ano não voltarei à
Feira do Livro.


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