Finalmente a minha casa começa a ficar paga. Este mês foi o último pagamento de uma série de valores que recebi há trinta anos para erguer o meu "castelo".
Faltam ainda algumas tranches por pagar que recebi mais tarde que esta ora finalizada, todavia dentro de meses novas ficarão liquidadas. Tendo em consideração que a entidade que me paga o maior bolo da minha pensão é a mesma que todos os meses retira à cabeça o dinheiro da minha dívida, comunico que quando tudo estiver devidamente liquidado eu receberei... o dobro do dinheiro que recebo agora.
Dito isto... não imagino como será alguém perceber que tem a prestação da casa para pagar e não ter dinheiro para o fazer. Deve ser um autêntico sufoco e com o qual as entidades bancárias sobrevivem bem. Feliz ou infelizmente!
Só que a realidade a que vamos assistindo remete-nos para uma zona de enorme desconforto aquando da incapacidade de fazer face aos nossos compromissos financeiros. Reconheço que tive sorte nesta relação entre empréstimos e entidades credoras porque o banco que usei para contrair um empréstimo para primeira habitação era o mesmo para quem eu trabalhava e me pagava. Assim sendo só vivi com o que recebia, fosse ele pouco ou muito.
Um destes dias encontrei, no meio de muuuuuuuuitos ficheiros que tenho em nuvens, cd´s e pen's, um que remontava ao início deste século. Nele encontrei a estrutura financeira que ainda tenho hoje. Numa folha de cálculo coloquei todas as despesas mensais certas e em baixo as receitas. Depois na diferença entre o deve e haver residia a minha alegria ou tristeza. Na maioria das vezes tristeza. E aqui havia que refazer as contas...
Esta forma de lidar com as minhas finanças advém do meu início de vida de casado. E nunca tive necessidade de estudar Economia, Gestão ou demais disciplinas financeiras para entender que nunca poderia gastar mais do que recebia. Ou como se diz na minha aldeia a quem gasta mais do que recebe "És um maltês de bronze, ganhas dez e gastas onze"!
Termino com a certeza de que nada se tem sem escolha prévia. Ou melhor: se quero muito ter isto tenho forçosamente de abdicar daquilo. Porque manter os dois pode ser o primeiro caminho para uma vida feita de coração nas mãos.
Sem comentários:
Enviar um comentário