Comemora-se o quinquagésimo segundo aniversário do derrube do Estado Novo. Um momento hoje histórico com comemorações por todo o país.
Neste dia a liberdade é levada ao expoente máximo. Uma Liberdade que nasceu no coração de alguns
militares e se tornou, qual vírus pandémico, uma razão de vida de todos os
portugueses.
Lembro-me bem
dessa quinta-feira. E recordo com prazer, gosto, saudade e melancolia os dias
seguintes. Parecia que o ar estava menos pesado e por isso se respirava melhor.
Depois veio o
cravo vermelho a simbolizar este dia… de Liberdade. Para sempre!
O tempo passou
depressa demais e muitas das ideias saídas daquele 25 de Abril de 1974 foram-se
acinzentando.
Entretanto
neste meio século mudou o Mundo, a sociedade, as mentes, até a maneira de
olharmos o nosso futuro. Temos medo, incertezas, dúvidas se amanhã não estaremos
todos a fugir para um buraco escapando aos obuses amigos ou inimigos, nem sei.
O curioso é que
não consigo ver nestes novos tempos a Liberdade conquistada ou adquirida há 52
anos. Decididamente não vislumbro nada do que nos foi prometido.
Dito isto
assumo que não me sinto um homem livre. Há muuuuuuuito! Estou refém das redes
sociais (que não tenho, mas têm os outros!), sinto-me refém de minorias que não
me deixam perorar como gostaria, vivo refém do que é correcto dizer, escrever
ou simplesmente pensar.
Há muito que
sinto que a minha Liberdade conseguida nesse Abril foi posta em causa, que
estou nos antípodas da liberdade que hoje se apregoa.
E o pior disto
é que esta liberdade que se vive - limitativa, incongruente, imbecil e
castrativa – foi paulatinamente imposta por uma massa de gente que NUNCA habitou sob uma ditadura, vivendo por isso sempre em democracia e que sempre fez o que
quis e lhe apeteceu à sombra de uma teórica sociedade que sinceramente não
existe.
Não lhes desejo
mal, mas não deveriam ir para a rua gritar sobre Liberdade de Abril, se neste
Abril há quem viva preso nas suas palavras, nos seus pensamentos, sem poder exprimi-los
livremente com receio de retaliações de todo o género e feitio.
Eu sou um deles!
Quantos mais haverá?
Viva o 25 de Abril de 1974!
Nota final: neste texto optei por escrever Liberdade de Abril com letra grande e a liberdade de agora com letra pequena. Porque o 25 de Abril de 1974 (o genuíno) não tem livro de reclamações! Reclamo assim!