Estávamos no dealbar da pandemia com o anormal envio de muitos trabalhadores para tele-trabalho e os hospitais a encherem-se de doentes e os cemitérios de mortos.
Foi no (parece já longínquo) ano de 2020 neste mesmo primeiro dia de Agosto que me tornei mais um reformado.
Se para a Segurança Social ainda haveria de decorrer alguns anos até que eu me reformasse, para a empresa onde estive 37 anos, nove meses e vinte e cinco dias era a hora de abandonar o barco.
Saí a bem com os colegas, chefes e a própria instituição ao invés de muitos ex-colegas que passaram para a reforma zangados com tudo e todos, porque sempre pensaram que eram insubstituíveis. Um erro absurdo!
Nos anos que antecederam a minha saída fui lentamente mentalizando-me da partida. E ao invés de muitos que saíram a pensar que iriam fazer isto e aquilo eu tinha a consciência da minha futura missão: ser essencialmente um cuidador dos meus netos.
Naqueles anos tão complicado para todos nós, quase nem tive tempo para me preocupar com a pandemia. O meu foco era a minha neta e mais tarde a minha escrita.
Sinceramente nunca imaginei estar tantos anos reformado. Porque amiúde esta mudança de estatuto leva as pessoas a ter as reacções mais díspares. Aprendi a viver com o tempo que tenho e com aquele que me falta. Descobri que trabalhar não era assim tão mau, para finalmente dar valor a coisas que antigamente nem sabia que existiam.
Meia dúzia de anos atípicos, chatos alguns mas ao mesmo tempo desafiantes.
Principiou hoje então o caminho para o sétimo aniversário.
Lenta ou apressadamente a ver se lá chego!
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