sábado, 30 de maio de 2026

O campeão de resistência!

Ainda não encerrou, mas não irá haver mais mexidas na classificação geral do Giro de 2026, que terminará amanhã na bela cidade eterna.

Jonas Vingegaard não teve opositor à altura e ganhou com alguma facilidade. Mas também é verdade que os seus maiores opositores também não estiveram presentes como é o caso de Pogacar, Almeida ou Evenepoel…

Veremos no próximo Tour como todos estes atletas irão lidar na estrada.

Dito isto… a minha grande salva de palmas vai para Afonso Eulálio. O figueirense que não ganhou sequer uma etapa andou, ainda assim, nove dias vestido de rosa e nem mesmo o contra-relógio o fez despir a camisola de primeiro classificado. Apenas as montanhas seguintes. E Vingegaard...

Ainda assim Afonso Eulálio ficou no top 10 deste Giro mais precisamente em sexto lugar. E defendeu até a exaustão a camisola branca símbolo da Juventude.

Segui com entusiasmo e alegria esta prova. Não houve Almeida, houve Afonso. Como já houve há muitos anos Acácio ou Azevedo. Não serão apenas os “aaaaaa” dos nomes ou apelidos, mas são ou foram os Ases do pedal!

Remato com a ideia de que cada corredor terá uma certa especialidade. Uns são trepadores, outros sprinters, outros ainda apenas roladores e há ainda contra-relogistas. Mas Afonso Eulálio não mostrando uma certa tendência provou ser um ciclista batalhador e corajoso e pronto a sofrer. Sem receios, sem soberba, recheado de humildade e... simpatia!

É desta massa que se fazem os verdadeiros campeões!

Obrigado pela alegria que foi ver-te pedalar ali coladinho aos grandes corredores…

Parabéns pelo sexto lugar, parabéns pela camisola.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Morder a língua!

Já o disse e escrevi que não sou um crente nas coincidências. Geralmente tudo acontece por uma estranha razão. E se não a mim seria provavelmente a outro e, portanto, a diferença está que eu cheguei primeiro. Para o bem e para o mal.

Até acertar no Euromilhões não será uma coincidência, mas uma probabilidade de isso acontecer. Ínfima é certo, porém provável. Até há leis que estudam esta ideia das probabilidades.

Mas adiante…

Soube ontem que uma banda de música da minha geração (e não só) virá o mês que vem a Portugal. Se tivesse outra idade e a minha audição fosse mais certinha, talvez ousasse pensar em revê-los. Mas assim prefiro o recato de casa.  Mesmo sabendo que todos os músicos são mais velhos que eu e provavelmente com mais saúde!

Hoje antes de sair de casa fui em busca de uma t-shirt já que o calor apertava. Fui à cómoda específica desta roupa e encontrei curiosamente uma preta com umas imagens. Desdobrei-a e percebi que era dos Iron Maiden a tal banda que virá brevemente a Lisboa.

Lembrei-me então da notícia e vesti-a. Acresce dizer que hoje todos podem usar tudo sem serem minimamente criticados… Vale-nos isso!

Vem agora a parte mais curiosa desta estória: já noite despi a tshirt e dei uma espreitadela a toda ela. Pude perceber o Tour de espectáculos que a Banda fez nesse ano de 2013. E um deles fora obviamente... Lisboa.

Num tal dia 29 de Maio de 2013, no Meo Arena! Faz hoje precisamente 13 anos.


- Caneco! – pensei – Tenho mesmo de morder a língua quando falar de coincidências!

Na realidade jamais me lembrava de ter comprado a tshirt e muuuuuuuuuuuuuuito menos que o espectáculo tivesse sido precisamente neste mesmo dia.

Portanto… tenho de admitir o meu erro e sempre há coincidências!

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Busca!

Durante muuuuuuuitos anos a minha vida foi uma correria. Principalmente quando estava no activo (permitam-me abrir um breve parêntesis para assumir sem receio de consequências que faz-me imensa confusão o léxico da SS para o trabalhador – activo – e alguém que deixou de trabalhar - reformado, já que há gente activa que parece reformada e reformados que trabalham mais que os activos!!!). Enfim…

Foram anos a fio a correr para chegar a horas ao trabalho, a correr para sair a horas daquele para ir buscar miúdos a casa para os levar a actividades extra-curriculares (vulgo, natação, ginástica, inglês, etc…). E com os meus descendentes vinham a reboque os meus sobrinhos e até colegas destes. Mas tudo fiz em prol do bem estar das crianças e jovens.

Havia também os meus sogros, os meus pais (estes ainda existem!) que requeriam por vezes cuidados e atenções específicas. Quando o meu sogro partiu deste Mundo fiquei com algumas das suas responsabilidades nomeadamente as que envolviam a actividade agrícola.

Durante todo o tempo em que trabalhei tive algumas esporádicas paragens. A maioria por razões médicas. E foi numa destas ocasiões que dei por mim a perceber que todas as minhas corridas me tinham levado… a lado nenhum!

Entretanto os miúdos haviam deixado de o ser e tornaram-se mais independentes. Foi nesta altura da minha vida que principiei a travar… a velocidade do meu tempo.

Todos temos um momento para sair deste mundo físico, quer queiramos quer não. Mas independemente desta cruel ou não realidade o que teremos de conseguir estará sempre ligado à capacidade como vivemos os dias que correm.

Talvez por isso e quando vou até à aldeia, na Beira Baixa, procure amiúde o silêncio, seja pela noite dentro ou madrugada fora. Seja no meio do povo, ou na quinta a quilómetros. Desfaço os dias entre fontes de água fresca, minas centenárias construídas por mãos sábias e ribeiras cristalinas que procuram companhia até… ao mar!

Gosto de me sentar na escadaria da velha casa granítica de um caseiro há muito desaparecido tendo frondosos sobreiros, oliveiras bem tratadas, velhos carvalhos como paisagem. Ah… pois e aquele lameiro chamariz de tanta passarada!

Os esquilos descem pelos ramos dos sobreiros até às bolotas que descascam com agilidade e saber. Frenéticos, como sempre foi a minha vida, apetece-me avisá-los para a serenidade dos dias. Mas também sei que não acreditariam em mim…

Gosto de aqui estar percebendo ao longe onde antigamente existia um pinhal os javalis em fila em busca de comida. Na charca há uns patos que poisam devagar nas águas turvas. A passarada esvoaça, brinca, chilrea…

Na estrada atrás da casa passa um carro, interrompendo um momento único e impagável de paz!

Aquela que diariamente procuro inundar o meu pobre espírito!

segunda-feira, 25 de maio de 2026

A vida num fundo de uma garrafa!

Uma das poucas coisas que gostaria de ter e naturalmente usar era um carro daqueles… “vintage”.

Na impossibilidade de ter o primeiro carro do meu pai, um Opel Kadett de quatro portas de cor cinza, optaria por adquirir a celebérrima carrinha Renault 4L de mudanças ao volante que foi uma coisa que me impressionou quando conduzi uma pela primeira vez.

Ora há umas semanas, na minha aldeia, soube que um mecânico de lá tinha um carro destes na oficina. A ideia que me passaram é que ele tinha comprado para arranjar.

De vírus no espírito acabei hoje por telefonar a alguém da minha geração e pedi-lhe para ir saber mais pormenores do dito automóvel. O meu amigo disse que iria lá, mas só numa altura em que o mecânico não estivesse bêbado.

Aproveito então a última palavra para dizer o seguinte: quando novo também fiz muitas asneiras envolvendo álcool e tabaco. Para um dia perceber que nem um nem outro me tornavam uma pessoa melhor. Nada mesmo! E deixei de beber alarvemente e fumar!

Curioso é que muuuuuuitos anos mais tarde em conversa com um amigo, este dizia-me: podemos e devemos errar, mas desde que percebamos que aquele não será o caminho a seguir! Verdade!

O problema é quando alguém não consegue fugir aos vícios adquiridos, quase sempre em novo! Tabaco, álcool, drogas são três exemplos, mas infelizmente sabemos de muitos mais.

Nunca fui alcoólico muito longe disso, todavia em novo e com dinheiro no bolso muitas vezes abusava. No entanto trabalhei com muitos e em todos notei uma anormal tendência para a asneira, sem disso terem, muitas vezes, consciência.

Já se sabe que as bebidas com álcool têm a tendência a desinibir os seus legítimos proprietários. E quanto mais se bebe mais se solta a língua e o espírito.

O pior disto tudo é que os casos são cada vez mais frequentes, nomeadamente nas aldeias onde há sempre muito álcool, muito tabaco e muita conversa para dirimir.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Reflexão existêncial?

Sei que não devo falar do futuro, mas caramba quando eu partir deste velho planeta se falarem será do meu passado.

Pois é… toquei num ponto importante, para mim obviamente. Como gostaria de ser recordado quando for desta vida?

A questão contem em si mesma a resposta, pois se for recordado, mesmo pelas coisas menos simpáticas que tenha feito ou dito já será uma vitória. É que há muitos que entram e saem deste mundo e ninguém se lembra deles. Não fizeram mal, mas também não fizeram bem o que os coloca numa zona cinzenta da memória.

Repito: como gostaria de ser lembrado? Pelo que fui como ser humano, pelo que escrevi e publiquei, pelo exemplo que dei ou não dei?

No fundo não tenho qualquer preferência de memória que possam ter de mim, porque também nunca pensei nisso… a não ser recentemente!

Tenho consciência que muitos terão dificuldade em lidar com a sua partida definitiva deste Mundo. Já eu… não tenho essa nostalgia pois desde que me conheço percebi que somos TODOS, TODOS, TODOS temporais.

Por tudo isto e regressando à questão inicial diria que neste momento a minha única preocupação é fazer o melhor por aqueles que me rodeiam.

Desembaraço por fim este novelo de dúvidas com esta posição: será sempre preferível agir em prol dos que diariamente me acompanham! Estes serão sempre os primeiros beneficiados, mesmo que um dia me olvidem!

E amanhã será um novo dia e espero vivê-lo em plenitude!

A ver se me deixam!