sábado, 12 de setembro de 2026

Diário de três dias frenéticos

Os meus amigos do uotessape sabem a verdade, mas haverá muita boa gente a pensar que esta vida de reformado é apenas Sol e Mar! Enganam-se!

Principiemos pelo dia 9, quarta-feira. Para este dia estava previsto, para a parte da tarde uma visita à exposição do Lego que está em Lisboa. Os “piquenos” teriam de  ir obrigatoriamente…

Depois de uma manhã com diversos afazeres (leia-se compras e fazer almoço) a tarde quente convidava mais à praia do que a Expo Lego. Só que um telefonema às 13 e 46 do Serviço de Urgência do Hospital de Torres Novas dava conta de uma queda que o meu pai dera no serviço de hemodiálise, onde três vezes por semana faz tratamento, e que não obstante estar bem disposto e sem outros sintomas, os Serviços consideravam importante que lhe fizessem uma Tomografia Axial Computorizada (vulgo TAC).
No entanto este exame seria feito no Hospital de Abrantes por onde o meu pai iria ser transferido numa ambulância.

Ora principiara a minha saga. Entreguei os netos ao pai que mora no andar de cima, comuniquei à minha mãe a situação, já aflita por o meu pai não ter chegado e saí preparado para fazer quilómetros.

Cheguei à aldeia, embarquei a minha antecessora do carro e lá fomos para Abrantes, já que de Torres Novas haviam-me, entretanto, telefonado a dizer  que o meu pai já estava a caminho do hospital Central.

Os serviços administrativos do SU do hospital de Abrantes comunicaram-me, quando lá cheguei e os interpelei, que o meu muuuuuito idoso pai já dera entrada e que agora seria simplesmente… aguardar.

Só que inscrevi-me para a visita e pouco depois das seis da tarde chamaram-me para ver o meu pai no SU da ortopedia… onde não estava. Fora fazer o dito exame. Chegou por fim, falámos e tendo em conta um caso semelhante ocorrido também com ele, havia uns meses largos, imaginei uma ida para casa, mesmo que a desoras.

A certa altura a enfermeira pediu que eu saísse, pois a hora da visita já havia passado. Agradeci e regressei à sala de espera, para meia hora mais tarde surgir uma médica a chamar por mim. Disse-me que ao contrário do que eu esperava, o meu pai teria de ficar a noite em observação. Nada de cuidado, mas em princípio só sairia no dia seguinte, conforme manda o protocolo para este tipo de acidentes. Explicou-me a médica que muito provavelmente só depois do almoço. Mas que me ligariam a dizer alguma.

Com estes dados regressei ao carro e alterei a minha primeira previsão e decidi ficar com a minha mãe, já que ela não se encontra nos seus momentos áureos, sob a capa de uma demência evidente.

Autoestrada com ele, quando perto do Entroncamento recebo nova chamada do hospital a comunicar que o meu pai não queria ficar internado e estava prestes a assinar um termo de responsabilidade para poder sair.

Volto para trás, até ao hospital de Abrantes, solicito entrada na Urgência e dou uma “restonenga” ao meu pai. Percebi qual o problema dele, mas afiancei-lhe que não deixaria a minha mãe sozinha. Lá acalmou, ordenei-lhe que pedisse desculpa ao pessoal e finalmente já muito para lá das dez da noite cheguei a casa. No caminho e através do telefone arranjei na aldeia quem se dispusesse no dia seguinte a ir busca-lo a Abrantes.

Dia 10, quinta feira:

Acordei pouco depois das seis da manhã e constatei que a minha mãe estava completamente acordada e queixava-se de não saber do meu pai. Esquecera-se por completo dos eventos do dia anterior. Ajudei-a a arranjar-se e ficou sozinha durante uma hora, sentada no sofá a ver as notícias matinais, até vir a companhia diária que só entra às oito da manhã. Entretanto regressei a minha casa pois tinha os netos à minha responsabilidade.

Portanto a promessa do dia anterior feita aos miúdos cumpriu-se neste dia, tendo ido à Cordoaria ver a exposição da Lego para encanto das crianças. Porém estava sempre atento ao telemóvel aguardando a tal chamada do hospital. Que nunca chegou...

Quando cheguei a casa com os gaiatos, já passavam das seis da tarde e sem quais quer novas achei por bem pôr-me a caminho até Abrantes, não fosse alguma coisa estar menos bem com o meu pai ou pela hora tardia já não o deixassem sair.

O tempo escasseava e por isso pisei um pouco mais no acelerador do carro. Cheguei ao SU passava dois minutos das oito da noite, hora limite das visitas. Mas a simpatia do administrativo conseguiu que eu fosse até lá dentro ao serviço ver o meu pai.

Que parecia quase pronto para sair… Todavia faltava o relatório e a alta médica.

Esperei cá fora!

Às nove e meia uma auxiliar veio-me chamar para ir buscar o meu pai. Lá fui. Trouxe-o, meti-o no meu carro e finalmente chegámos a casa, na aldeia, quarenta minutos depois.

Ajudei o pai a preparar as coisas para o dia seguinte, para levar para a hemodiálise e quando tudo estava mais calmo fui-me deitar, com a estranha sensação de que já havia vivido este momento.

Dia 11 sexta feira:

Acordei muito cedo, ainda a tempo de ver o meu pai vestido e arranjado para ser levado para o hospital de Torres Novas para mais um tratamento.

Foi a minha vez de sair. Não seria por causa dos netos, pois neste dia é feriado na Amadora e os pais não trabalharam, mas devido a umas análises que precisavam de ser feitas impreterivelmente neste dia.

Cheguei a casa pouco depois das oito da manhã. Carreguei o carro com as coisas para a minha outra casa, já que era sexta feira, e fui em busca de um centro de análises. Lá o encontrei e enquanto a minha mulher esperava para ser atendida eu regressei a casa para buscar algo que me esquecera. Com tudo isto só tomei o pequeno almoço às dez e meia.

Atravessei a Ponte para a outra margem, deixei as coisas em casa e fui… finalmente até à praia.

Já aqui mais descansado fiquei calmamente a matutar em quantos quilómetros havia feito em dois dias. Fácil 750!

Tal qual como fazer piscinas!

6 comentários:

  1. Uma correria dessas deixa qualquer um exausto só de ler, mas a forma como a contaste mostra bem a fibra, o humor e a dedicação diária com que abraças a família. Entre a urgência do hospital em Abrantes, a gestão da desorientação da tua mãe e a promessa cumprida aos netos na Cordoaria, esses 750 quilómetros valem por uma autêntica maratona de afeto e resiliência.

    Que esses momentos de descanso à beira-mar te deem o merecido fôlego para as próximas "piscinas". Um abraço!

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  2. Boa noite Daniel,
    Pois é, uma corrida com muitas metas.
    Dia e meio para descansar porque recomeço na agricultura a plantar couves para o Natal.
    Obrigado e bom Domingo!

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  3. bom dia, generoso José :)
    fazer piscinas é pouco! ainda bem que o teu pai não teve nada sério. lamento que tenhas de cuidar de tanta família! quantos anos têm os teus pais? espero que tenhas sossego enquanto plantas as couves <3 abraço e bom domingo, querido Amigo :)

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