quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Um adeus imerecido!

Há muito que se previa o que hoje aconteceu na selecção nacional e que irá, nos próximos dias, semanas ou até meses, ser esmiuçado ao pormenor.

A saída extemporânea de Cristiano Ronaldo da convocatória por vontade própria, deixou a FPF com um sarilho nas mãos. Primeiro porque se sabe e de há muito tempo que CR7 não era apenas e só o capitão da selecção Nacional, mas muito mais que tudo isso é uma marca de renome Mundial. Depois o jogo de hoje que será obviamente importante para as contas lusas rumo à Liga das Nações, troféu do qual é detentor.

Ronaldo tem 42 anos de idade e ainda sente que pode ser um activo. Um caso raro de longevidade desportiva, mas que diariamente lhe sai do corpo.

Todavia antes de avançar mais peguemos na história que curiosamente (ou talvez não!) rima com… memória.

Assim:

1 - Em Dezembro de 2004 um enormíssimo tsunami no Índico devastou diversos países. Entre as milhares de vitimas mortais e milhares de sobreviventes um menino de sete anos de idade destacou-se por ter vestido uma camisola da Selecção Nacional tendo inscrito o número 7… de Cristiano Ronaldo;

2 - No dia 19 de Dezembro de 2013 um jogador sueco de origem jugoslava pensou que sozinho seria capaz de vencer CR7. Enganou-se redondamente e CR7 terá feito nessa noite o seu melhor jogo pela selecção.

3 – No mesmo ano de 2013 o Presidente da FIFA na altura, Joseph Blatter, ousou gozar com a maneira de como CR7 se impunha em campo, em contrapartida a Messi. O jogador português provou nesse ano e nos subsequentes porque era mesmo o melhor.

Para qualquer outro jogador de futebol nenhum dos exemplos de memória que utilizei acima, seriam octanas para a sua gasolina desportiva. Só que CR7 é um desportista fora do vulgar e o melhor que poderiam fazer em campo seria assobiá-lo. Era certo e sabido que CR7 pagaria bem pago.

Já se percebeu que o alvo dos 1000 golos é agora o último record a bater por Ronaldo. E a selecção poderia ser um veículo para, de forma mais fácil, chegar ao desejado número e com isso a FPF abichar mais algumas coroas dos patrocinadores.

Só que a partir de agora CR7 fará somente parte de uma lindíssima estória de futebol. Estará sempre entre os melhores dos melhores e dificilmente alguém conseguirá alcançar o que alcançou.

Fica por saber/contar/desvendar o que realmente se passou entre o “pinars” JJ e CR7, que já prometeu meter “a boca no trombone”.

Como diz o povo: zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades.

Deixo agora para os paineleiros televisivos, normalmente especialistas em adivinhações, o dirimir do que se terá realmente passado entre JJ e CR7.

À boa maneira lusa 

domingo, 27 de setembro de 2026

Morreu o “Jaquim das vacas”

Morreu ontem aos 97 anos o meu tio Joaquim. Este era, dos sete filhos dos meus avós, o mais parecido com o seu pai e meu avô. Talvez por nunca ter abandonado a aldeia que o viu nascer e nela ter feito a sua longuíssima vida.

Sempre atrás de uma junta de vacas castanhas que de vez em quando ia substituindo por outras mais jovens, lavrou quilómetros de chão fértil, trilhou muita palha para recolher a fava e demais cereais, colheu toneladas de azeitona, ceifou hectares de trigo, carregou nos fueiros milhares de molhos de palha e feno. E o mais curioso é que tratava os animais com alguma deferência e, quiçá, com algum carinho.

Trabalhei amiúde com ele e para ele. Do muito ou pouco que sei da agricultura foi com o meu tio Joaquim que aprendi. Dele escutei estórias fantásticas que povoaram durante décadas o meu imaginário. Também dele recebi ensinamentos que mais tarde haveria de ter em consideração na minha vida. Ele foi, para mim, sempre um excelso exemplo.

Diria que foi o homem mais conhecido da aldeia em muitos quilómetros em redor do povoado. Caçador exímio com vara, todos os amigos e conhecidos queriam acompanhá-lo nas aventuras cinegéticas. Outra característica real e comprovada, era a sua destreza e manual pontaria. Vi pegar em quatro pedras e sob um pinheiro manso atirá-las para o meio da ramagem. A verdade é que caíram quatro pinhas.

Com a idade foi perdendo, naturalmente, faculdades e passou a preferir ganhar nas cartas puídas e negras de tantas mãos. Então na “sueca” era rei, professor e todos, todos, todos queriam-no para parceiro.

No fundo “o Jaquim das vacas” como era conhecido em todo o lado foi sempre um homem bom. Um exemplo, um prodígio como pessoa e filosofia de vida.

Hoje foi o seu funeral onde estive, acompanhando o meu pai e dois dos meus tios. Um deles com 88 anos chorava e entre as lágrimas sentidas confidenciou-me em surdina: ele foi o pilar desta família.

Sem dúvida, pensei. E quando um desconhecido meu estendeu a mão a dar os “sentimentos” percebi de súbito que não era somente a família que estava de luto, mas toda a aldeia mesmo que não fossem do mesmo sangue!

Porque há homens, não obstante a idade, a estória de vida, são pela postura e carisma os verdadeiros pilares de um povo.

Será bom que a aldeia não se esqueça NUNCA deste homem! Deve-lhe, acima de tudo, sabedoria e bom senso. 

Eu jamais o farei!

Que descanse em PAZ!

sábado, 26 de setembro de 2026

Leituras!

 Não imagino quantos livros já terei lido. Diria facilmente que centenas talvez mesmo milhares. Não importa.

O que conta é que nem todos foram bons, para alguns serem fantásticos e outros nem uma coisa nem outra.

Desta viagem às minhas leituras aprendi diversas coisas sendo uma delas é que li e reli alguns livros e fiquei com a sensação da falta de qualquer coisa, daquele toque especial. Outros houve em que olhei para eles com alguma desconfiança e conforme ia avançando tomei-lhes o gosto e o peso. Finalmente surgiram os livros que estilhaçam os nossos pensamentos e nem necessitamos de os ler  para percebermos que está ali algo fantástico.

Recebi este livro ontem via correio, oferta fantástica da autora. Assim que tive um minuto tomei-lhe o peso... das palavras.

 


Bastou folhear um par de páginas para encontrar uma quase vazia. Digo quase porque a meio li: "Mãe". Com um ponto final que não é certamente inocente.

Parei na página e fiquei a olhar para aquela tão pesada palavra e a pensar o que a autora pretende dizer ou mostrar ao leitor.

Não consegui evitar uma lágrima. Sinceramente!

Não avancei no livro porque depois desta entrada este livro só pode ser fantástico. Agora necessito de coragem para ler o resto...
Mas de uma coisa tenho a certeza... a autora já ganhou o estatuto de enorme poetisa e escritora.

Remato com ideia que daqui a dias estarei pronto para perorar sobre este livro. Certamente que irá ser uma alegria.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Pobre futebol luso!

Ontem já noite dentro e depois do (mau) jogo de Portugal escrevi isto numa mensagem aos meus amigos futeboleiros: "Boa noite. "Portantes" já deu para perceber que mudou apenas o dono do balde..."

As reticências são para cada um continuar com o que lhe vier à cabeça.

Custa-me perceber o que se passa na selecção dita portuguesa. Já li comentários a dizer que a culpa é de CR7, outros que é do seleccionador (deste e antecessores!), outros (como eu) acreditam que o problema chama-se empresários.

O jogo contra o país de Gales continuou a exibir uma equipa com falta de ideias para chegar à baliza adversária. Falta de alguém que pense o jogo e o consiga canalizar devidamente, falta de estrutura competente e que, acima de tudo, não tenha receio de dizer não a um qualquer empresário que quer valorizar a todo o custo o seu activo.

Os nossos jogadores são frequentemente desejados lá fora. Nem imagino quantos atletas lusos jogarão nas primeiras equipas dos "big five", sinal de competência e qualidade técnica. Que depois não se consegue ver nestas partidas.

Dá a ideia de que os jogadores estão a prestar um frete à FPF e outrossim a fazer curriculo.

Já o escrevi, mas não me canso de repetir: o nosso dirigismo desportivo necessita urgentemente de um 25 de Abril ou de 25 de Novembro (conforme o que considerarem melhor! Ou outra data histórica qualquer de maneira a libertarem-se de demasiadas amarras.

Portanto aguardemos pelos próximos jogos para se perceber realmente se há alguma evolução.

Assumo as minhas dúvidas.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Já lá deve estar....

 ... No bairro do Amor!


Partiu Jorge Palma deixando este rectângulo num vazio... musical. Vi-o tocar amiúde no Metro de Lisboa e em espectáculos.

Foi sempre alguém perfeito na música e, como todos nós, imperfeito na vida.

Agora terá, lá onde estiver, novos temas para compor.

Pena não podermos escutar.

Que descanse em Paz!

domingo, 20 de setembro de 2026

A fé em duas rodas...

Esta tarde no regresso à capital vindo da Beira Baixa via auto estrada A23 deparei-me estranhamente com muitos motociclistas em sentido contrário.

Não imaginei que estivessem a emigrar para outro país, não obstante este pedaço de terra já ter dado o que tinha a dar, no entanto e perante tantos motociclistas a minha ideia aterrou no instante seguinte no distrito de Leiria onde um Santuário Mariano tem por tendência ser agregador de muuuuuuuita gente.

Certamente que já perceberam que estou a referir-me a Fátima, mais precisamente à Cova da Iria onde a fé tem muitas expressões e formas de se mostrar ao Mundo.

Já em casa fiz uma rápida pesquisa e percebi que este Domingo fora dia da 11ª Peregrinação Da Bênção dos Capacetes, cerimónia dedicada a todos aqueles que andam em veículos motorizados de duas rodas, nas nossas estradas.

Cerca de 170 mil “motards” estiveram presentes no Santuário, vindo de todo o país e até do estrangeiro. Um verdadeiro exemplo de algo que pode ser chamado de fé ou de outra coisa qualquer. Também não importa, pois o que conta é que milhares de pessoas se deslocaram a Fátima não só em busca de protecção Divina, mas de um certo estado de Graça.

O meu sobrinho, ainda não tinha idade para o perceber, quando foi baptizado. Todavia nunca se catequizou. Hoje com mais de quarenta anos e também ele utilizador frequente de um veículo motorizado de duas rodas, também esteve na Cova da Iria com o seu transporte e o seu capacete.

Um gesto que me deixa algum orgulho. Não por ele se ter mais ou menos convertido (nem imagino se o fez...), mas por perceber que a sua relação com Deus e Mãe Santíssima tem algum peso na sua vida. Se juntar a este facto a proximidade de baptizar a sua filha mais nova, diria que temos um homem de fé.

Que anda em cima de duas rodas, porém também em quatro quando conduz o seu carro, por vezes depressa demais.

Remato este naco de prosa com a esperança e desejo que nenhum dos motoqueiros tenha tido qualquer problema no regresso a casa!

A gente lê-se por aí!

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Educar sim, mas com cuidado!

É do conhecimento público a dificuldade que Portugal tem em lidar com a Educação. Não falo daquela educação social do "muito obrigado" ou o comum "bom dia" ou "boa tarde", mas daquela que pode (e deve!) mudar o ser humano. Da Educação que principia nos bancos da escola e que pode (e deve!) perdurar até ao final de um curso superior, entregando a quem o acaba com competência, as ferramentas necessárias para singrar na vida, fazendo, acima de tudo, o que gosta.

Desde que me lembro nunca houve um ano lectivo que começasse como o anterior. Há sempre algo que muda e que abre logo a primeira aula com mais dúvidas que certezas, tanto para os professores como para os alunos.

Esta semana e logo de manhãzinha as ruas principiaram a encher-se de muitos miúdos e jovens a caminho do seu primeiro dia de aulas de 2026/2027. A maioria dos miúdos parecem quase cópias uns dos outros, tal é a força da moda e a força que necessitam para carregarem os livros.

Na segunda feira passada a minha neta entrou na primária depois de um ano na pré! Tudo pronto para sair a caminho da escola, a miúda de seis anos, pede-me ajuda para colocar a mochila às costas. A mala não é pesada para mim, mas é para ela. Demasiado pesada.

Os livros e a maioria dos cadernos ficarão na escola já que entra às nove da manhã e sairá por volta das cinco e meia da tarde, supostamente com os trabalhos já feitos.

Relembro hoje outros tempos e outros horários. Com a possibilidade de as crianças virem para casa, de lá fazerem os seus trabalhos com calma e serenidade, sempre acompanhados por gente crescida.

O que me parece entender neste sistema pesado é que a escola não quer que as crianças sejam crianças, os jovens sejam jovens. Deste modo levam todos pela mesma tabela e pronto a educação está dada. Nem imagino como se sentirá um professor ao fim de um dia a levar duas ou mais dezenas de crianças barulhentas e irrequietas.

Obviamente uma profissão de (muito) risco!

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

A aventura principiou hoje!

Principiou hoje a primeira, quiçá a maior, aventura da minha neta mais velha.

Às nove da manhã entrou pela primeira vez na escola primária para enfrentar desafios que nem sequer sonha.

Durante os próximos 15 anos, que poderão ser muito mais, a O. terá como profissão o termo... estudante 

Mas se sair ao avô ou ao pai que nunca estudaram convenientemente, essa profissão não se adequará à cachopa. Talvez o melhor será... aluna.

Fora de brincadeiras diria que, sem a menina tomar real consciência, a sua vida futura dependerá da forma como enfrentará os próximos desafios. E não me refiro exclusivamente à escola como centro de aprendizagem, mas tão somente aos diferentes e diferenciados relacionamentos com os colegas e professores.

Nunca lhe falei da minha relação com a escola que foi sempre má, nem com a minha primeira professora que terá sido a culpada do meu total afastamento escolar.

Tudo porque, felizmente, os professores de hoje são agora muito diferentes dos de outrora. Pedagogicamente falando.

Portanto, sinto o coração apertado recheado de dúvidas e de temores. Por ela!

Só espero que seja feliz na escola e que seja um óptimo desafio que irá com maior ou menor dificuldade ultrapassar.

Confio totalmente na sua competência!

domingo, 13 de setembro de 2026

Um fóssil de dúvidas!

Sei que as próximas palavras poderão espantar muita gente, mas também tenho direito a pensar diferente, não é?

Então aqui vai: sou um céptico quanto à existência aos dinossauros! Pronto já disse e agora estão devidamente autorizados a imolarem-me pelo fogo.

Voltando à realidade custa-me a perceber como é que alguém, mesmo sendo um grande especialista, olha para uma pedra e afirma de forma categórica:

- Isto é um pelo púbico de um dinossauro com 123 milhões de anos;

- ou uma pestana de uma fêmea de um parvossaurio.

Não obstante não acreditar em nada desta ciência, respeito muito quem faz a pesquisa científica e histórica. Porque isto de pegar numa pedra e depois de muito a esmiuçar afirmar categoricamente que a dita foi, nem mais nem menos, um ovo de um dinossauro que habitou na Terra há 150 milhões de anos, não é para todos.

Posto isto gostaria também de entender o gosto que os miúdos têm por estes bicharocos! Já vi diversas exposições sobre este tema (desde a Lourinhã até num Museu em Londres), mas em nenhum deles os bichos expostos, são engraçados.

Já nem falo dos diversos filmes que se fizeram com este tema.

Para não fugir a esta estranha moda também na exposição da Lego que decorre na Cordoaria em Lisboa teria de existir um dinossauro feito com milhares de peças. O boneco é curioso, mas como não percebo nada de paleontologia nem sequer imagino que animal está ali representado.

Regresso, portanto, à primeira ideia de tentar entender o gosto que as crianças têm por esta bicharada que, na minha óptica e mesmo a terem existido, não tinham gracinha nenhuma. Inclusive a minha neta tem já um livro com os diferentes animais e sabe de cor aqueles nomes complicados.

Enfim… daqui a milhões de anos quando eu for somente um fóssil bem conservado também saberão as maleitas que tive?

Alguém responda se souber!

sábado, 12 de setembro de 2026

Diário de três dias frenéticos

Os meus amigos do uotessape sabem a verdade, mas haverá muita boa gente a pensar que esta vida de reformado é apenas Sol e Mar! Enganam-se!

Principiemos pelo dia 9, quarta-feira. Para este dia estava previsto, para a parte da tarde uma visita à exposição do Lego que está em Lisboa. Os “piquenos” teriam de  ir obrigatoriamente…

Depois de uma manhã com diversos afazeres (leia-se compras e fazer almoço) a tarde quente convidava mais à praia do que a Expo Lego. Só que um telefonema às 13 e 46 do Serviço de Urgência do Hospital de Torres Novas dava conta de uma queda que o meu pai dera no serviço de hemodiálise, onde três vezes por semana faz tratamento, e que não obstante estar bem disposto e sem outros sintomas, os Serviços consideravam importante que lhe fizessem uma Tomografia Axial Computorizada (vulgo TAC).
No entanto este exame seria feito no Hospital de Abrantes por onde o meu pai iria ser transferido numa ambulância.

Ora principiara a minha saga. Entreguei os netos ao pai que mora no andar de cima, comuniquei à minha mãe a situação, já aflita por o meu pai não ter chegado e saí preparado para fazer quilómetros.

Cheguei à aldeia, embarquei a minha antecessora do carro e lá fomos para Abrantes, já que de Torres Novas haviam-me, entretanto, telefonado a dizer  que o meu pai já estava a caminho do hospital Central.

Os serviços administrativos do SU do hospital de Abrantes comunicaram-me, quando lá cheguei e os interpelei, que o meu muuuuuito idoso pai já dera entrada e que agora seria simplesmente… aguardar.

Só que inscrevi-me para a visita e pouco depois das seis da tarde chamaram-me para ver o meu pai no SU da ortopedia… onde não estava. Fora fazer o dito exame. Chegou por fim, falámos e tendo em conta um caso semelhante ocorrido também com ele, havia uns meses largos, imaginei uma ida para casa, mesmo que a desoras.

A certa altura a enfermeira pediu que eu saísse, pois a hora da visita já havia passado. Agradeci e regressei à sala de espera, para meia hora mais tarde surgir uma médica a chamar por mim. Disse-me que ao contrário do que eu esperava, o meu pai teria de ficar a noite em observação. Nada de cuidado, mas em princípio só sairia no dia seguinte, conforme manda o protocolo para este tipo de acidentes. Explicou-me a médica que muito provavelmente só depois do almoço. Mas que me ligariam a dizer alguma.

Com estes dados regressei ao carro e alterei a minha primeira previsão e decidi ficar com a minha mãe, já que ela não se encontra nos seus momentos áureos, sob a capa de uma demência evidente.

Autoestrada com ele, quando perto do Entroncamento recebo nova chamada do hospital a comunicar que o meu pai não queria ficar internado e estava prestes a assinar um termo de responsabilidade para poder sair.

Volto para trás, até ao hospital de Abrantes, solicito entrada na Urgência e dou uma “restonenga” ao meu pai. Percebi qual o problema dele, mas afiancei-lhe que não deixaria a minha mãe sozinha. Lá acalmou, ordenei-lhe que pedisse desculpa ao pessoal e finalmente já muito para lá das dez da noite cheguei a casa. No caminho e através do telefone arranjei na aldeia quem se dispusesse no dia seguinte a ir busca-lo a Abrantes.

Dia 10, quinta feira:

Acordei pouco depois das seis da manhã e constatei que a minha mãe estava completamente acordada e queixava-se de não saber do meu pai. Esquecera-se por completo dos eventos do dia anterior. Ajudei-a a arranjar-se e ficou sozinha durante uma hora, sentada no sofá a ver as notícias matinais, até vir a companhia diária que só entra às oito da manhã. Entretanto regressei a minha casa pois tinha os netos à minha responsabilidade.

Portanto a promessa do dia anterior feita aos miúdos cumpriu-se neste dia, tendo ido à Cordoaria ver a exposição da Lego para encanto das crianças. Porém estava sempre atento ao telemóvel aguardando a tal chamada do hospital. Que nunca chegou...

Quando cheguei a casa com os gaiatos, já passavam das seis da tarde e sem quais quer novas achei por bem pôr-me a caminho até Abrantes, não fosse alguma coisa estar menos bem com o meu pai ou pela hora tardia já não o deixassem sair.

O tempo escasseava e por isso pisei um pouco mais no acelerador do carro. Cheguei ao SU passava dois minutos das oito da noite, hora limite das visitas. Mas a simpatia do administrativo conseguiu que eu fosse até lá dentro ao serviço ver o meu pai.

Que parecia quase pronto para sair… Todavia faltava o relatório e a alta médica.

Esperei cá fora!

Às nove e meia uma auxiliar veio-me chamar para ir buscar o meu pai. Lá fui. Trouxe-o, meti-o no meu carro e finalmente chegámos a casa, na aldeia, quarenta minutos depois.

Ajudei o pai a preparar as coisas para o dia seguinte, para levar para a hemodiálise e quando tudo estava mais calmo fui-me deitar, com a estranha sensação de que já havia vivido este momento.

Dia 11 sexta feira:

Acordei muito cedo, ainda a tempo de ver o meu pai vestido e arranjado para ser levado para o hospital de Torres Novas para mais um tratamento.

Foi a minha vez de sair. Não seria por causa dos netos, pois neste dia é feriado na Amadora e os pais não trabalharam, mas devido a umas análises que precisavam de ser feitas impreterivelmente neste dia.

Cheguei a casa pouco depois das oito da manhã. Carreguei o carro com as coisas para a minha outra casa, já que era sexta feira, e fui em busca de um centro de análises. Lá o encontrei e enquanto a minha mulher esperava para ser atendida eu regressei a casa para buscar algo que me esquecera. Com tudo isto só tomei o pequeno almoço às dez e meia.

Atravessei a Ponte para a outra margem, deixei as coisas em casa e fui… finalmente até à praia.

Já aqui mais descansado fiquei calmamente a matutar em quantos quilómetros havia feito em dois dias. Fácil 750!

Tal qual como fazer piscinas!

terça-feira, 8 de setembro de 2026

A escrever é que me entendo!

Estive a ver umas certas estatísticas minhas e percebi que desde o dia 18 de Março deste ano e se mantivesse a mesma cadência doutro blogue eu já deveria ter publicado 177 textos quando ainda só publiquei 85, já contando com este.

O que equivale dizer que andei por menos da metade.

Prefiro assim, sinceramente. Ter a obrigação de publicar um texto por dia, tornava-me pouco repentista e mais operário das palavras. È certo que se diz quanto mais se escreve melhor se escreve. No entanto reconheço nesta expressão razões lógicas mas olhando para o meu rastro de escrita já nem se hei-de acreditar...

Ultimamente recomecei a escrever. Porque a cabeça começa a querer ganhar juízo em contrapartida da saúde que mais simplesmente decaindo. Depois desabituei-me há muuuuuuuuuito de ver televisão de forma quase religiosa porque deixei de acreditar no que dizem, mostram ou escrevem!

Não serei um céptico na verdadeira acepção da palavra, mas tenho consciência que nas notícias é mais importante o que o povo gosta, que a normal realidade dos factos.

Também na imprensa escrita há muitas ideias e mais tentativas de vender uma certa verdade a procurar a verdade por mais incómoda que ela seja.

Vou continuar a escrever, mas sem periodicidade, nem certezas! Prefiro estar livre a assumir perante a meia dúzia de leitores uma certa responsabilidade, para a qual não tenho argumentos verdadeiros e/ou genuínos.

Portanto a gente lê-se por aí!

Até amanhã ou se calhar até não!


segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Os filhos de outrora e os de agora!

 Sou filho único e como tal toda a vida escutei a frase: os filhos únicos são todos malucos!

Este anátema perseguiu-me durante muitos anos, mas como os outros com que fui brindado atirei-os sempre para o lixo mental, onde não há a possibilidade de recuperação.

Só que o Mundo é tão diferente daquilo que as pessoas imaginam que  fui anormalmente percebendo que era muuuuuuuuito menos maluco que aqueles com irmandade.

E conquanto ia avançando na vida e especialmente na idade, mais se confirmou esta minha suposição. Conheci gente de muitos extratos sociais, de diferentes rendimentos, de educação mais ou menos avançada, porém em todos eles encontrei gente sensata, solidária, de humor inteligente e todos eles filhos únicos.

Cada vez mais me convenço que não é ter irmãos ou irmãs que torna as pessoas melhores. Na maioria dos casos até parece o oposto (veja-se os frequentes casos de heranças mal resolvidas!!!). Mas a ideia absurda dos filhos únicos tontos, mantém-se nos genes lusos.

Os meus filhos seguiram, felizmente, os meus passos e brindaram-me com dois netos cada! Vieram todos com a tonteria de serem criança traquinas, irrequietas e desobedientes.

Faz parte dessa coisa que é ser criança.

Algo que realmente nunca consegui ser em plenitude. Não era "maluco", porque já era "caixa-de-óculos"!


domingo, 6 de setembro de 2026

Há 46 anos...

Faz hoje precisamente 46 anos que parti sozinho para França num autocarro quase todo ele repleto de imigrantes. 

O meu primeiro destino seria Orleans e quando aqui cheguei ninguém conhecido me esperava.

Sem grandes problemas meti-me num táxi e lá fui eu até Chaingy onde tinha família e que ficaram completamente siderados com a minha presença, pois pensavam que chegaria muito mais tarde.

Estive um mês em França. Conheci Paris, Orléans, Versailles e muitos outros locais fantásticos, deambulei pela Cidade-Luz durante a noite, sozinho e sem medo.

Vivi experiências inolvidáveis e percebi naquele pouco tempo a razão de Portugal estar tão atrasado.

Esta memória trazida ora a este tempo obriga-me a colocar uma questão: e se fosse hoje farias a mesma viagem, mesmo com esta (quase) provecta idade?

A resposta é fácil: "jamais" (faxavor ler à moda de um ministro!!!).

O problema é que regressei à capital francesa já com a minha actual família muitos anos depois e reconheço que a ideia de Paris em 1980 era de uma cidade evoluída sim, mas com normais regras de cidadania e urbanidade. Algo que deixei quando regressei.

Eis um singelo exemplo que aconteceu connosco: naquele dia decidimos ficar na Place d'Etoile até que o dia morresse e nascesse a noite. Teríamos a oportunidade assim de ver a cidade iluminar-se do seu nome. Quando saímos do Arco do Triunfo já era tarde, muito para além das dez da noite. Fomos até à estação de comboios onde apanharíamos o transporte ferroviário até Meaux, onde estávamos alojados.

O problema é que "a noite até Deus temeu" e muitos dos passageiros era gente provavelmente trabalhadora, aparentemente com diferentes filosofias de vida. Lá íamos os quatro quando a determinada altura o comboio parou numa estação mais tempo que o devido, algo que me/nos pareceu anormal.

Mais tarde uma voz diria que a composição encontrava-se com avaria e tínhamos de sair e esperar pelo comboio seguinte na plataforma. O mais curioso é que num instante surgiram uma quantidade de polícias bem armados de material bélico e acompanhados de cães pouco simpáticos. Foram acordar aqueles que adormecendo na carruagem não pretendiam ser acordados. Daí a força policial evitando assim alguns problemas.

A verdade é quando há 46 anos regressei a Portugal, vinha um homem diferente. Não só tinha visto o belíssimo Palácio de Versailles ou a Torre Eiffel e o Louvre, mas tinha tomado consciência que havia um outro Mundo para lá das tristes fronteiras lusas, Mundo esse que demorou anos a entrar pelas nossas casas.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

O (meu) baú da cultura!

Tenho plena consciência para não dizer certeza que quando eu partir deste Mundo, 90 por cento das minhas coisas que durante dezenas de anos fui simplesmente guardando irão para o caixote do lixo mais próximo, em direito a recurso.

Porém nada disto me tira o sono até porque se um dia sou eu, outro serão os meus herdeiros a sofrerem desta espécie de ostracização.

Quem me conhece sabe que sempre gostei de cuidar das minhas memórias. E destas há algumas que só o "alemão" poderá retirar. Se as recordações devem residir prioritariamente no pensamento ou no espírito de cada um de nós, também é verdade que sendo eu toda a vida um cábula, nada melhor que ter ali à mão de semear uns reais auxiliares de memória.

Entre muitos, diria que o mais importante está dentro de uma caixa de charão que me foi simpaticamente oferecida por um amigo. Nessa caixa cujo nome é Baú da Cultura, fui depositando todos os comprovativos de entrada em muuuuuuitos e diferenciados espectáculos. Tenho pena de não ter guardado os velhinhos bilhetes de cinema, especialmente do Clube Desportivo do qual fui sócio muuuuuuitos anos.

No tal baú pode-se encontrar desde visitas a museus a espectáculos de futebol, passando por muitos concertos musicais. Então peças de teatro são mais que muitas.

De tudo o que assisti realço dois espectaculares concertos: dos Pink Floyd e obviamente dos Rolling Stones, ambos no velhinho estádio de Alvalade.

O pior diria que o de Diana Krall, que vi recentemente e um de Andreia Bocelli, que me pareceram muito aquém das suas capacidades. Ou então a voz já não é o que fora outrora...

Fica agora a foto da tal caixa onde guardo fisicamente as minhas memórias.

 

Ainda tem espaço para muita cultura. Tenha eu tempo e paciência para o encher!

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Uma imagem do... futuro

Às 21 e 30 do dia 15 de Maio deste ano caiu-me na caixa de correio electrónico um impensável e inesperado convite.

Um convite para escrever numa novel revista que será lançado ao Mundo em Outubro próximo. Naturalmente e sem pensar muito aceitei tão generoso convite e fui logo esgalhar o meu texto de entrada, para além de uma mui breve nota biográfica.

Sinceramente é óptimo haver, quem neste tempo de tecnologia tão rápida como fugaz, ouse investir tempo, dinheiro e muuuuuuuita paciência numa revista muito específica, onde as palavras são somente pedaços de aguarelas pintando um momento, uma vivência, um simples pensamento.

A coincidência é que foi através da atitude observacional que dei os primeiros passos na escrita. Já não me recordo o ano, mas apostaria aí para meados dos anos 70 do século passado. E é neste olhar critico, melancólico, porém real que irão assentar os pilares desta nova publicação.

A leitura futura deve ser ingerida de forma assaz lenta, como a saborear aquele derradeiro pedaço de pudim conventual “Abade de Priscos”, que desejamos perpetuar no nosso palato.

Porque ler não deve ser somente um instante, quiçá, uma provocação permanente aos nossos sentidos e sentimentos. Todavia para isso é essencial que as palavras publicadas tenham cor, vida, essência...

Portanto em breve estaremos todos “Pendurados” numa escrita que espero e desejo que seja do agrado de todos.

Até lá deixo aqui uma imagem do…. futuro!

 
Foto de Daniel Marques