Os meus amigos do uotessape sabem a verdade, mas
haverá muita boa gente a pensar que esta vida de reformado é apenas Sol e
Mar! Enganam-se!
Principiemos pelo dia 9, quarta-feira. Para este dia estava
previsto, para a parte da tarde uma visita à exposição do Lego que está em
Lisboa. Os “piquenos” teriam de
ir obrigatoriamente…
Depois de uma manhã com diversos afazeres (leia-se compras e
fazer almoço) a tarde quente convidava mais à praia do que a Expo Lego. Só que
um telefonema às 13 e 46 do Serviço de Urgência do Hospital de Torres Novas
dava conta de uma queda que o meu pai dera no serviço de hemodiálise, onde três
vezes por semana faz tratamento, e que não obstante estar bem disposto e sem outros
sintomas, os Serviços consideravam importante que lhe fizessem uma Tomografia
Axial Computorizada (vulgo TAC).
No entanto este exame seria feito no Hospital de Abrantes por onde o meu pai
iria ser transferido numa ambulância.
Ora principiara a minha saga. Entreguei os netos ao pai que
mora no andar de cima, comuniquei à minha mãe a situação, já aflita por o meu
pai não ter chegado e saí preparado para fazer quilómetros.
Cheguei à aldeia, embarquei a minha antecessora do carro e
lá fomos para Abrantes, já que de Torres Novas haviam-me, entretanto, telefonado a dizer que o meu pai já estava a caminho do hospital Central.
Os serviços administrativos do SU do hospital de Abrantes comunicaram-me, quando lá
cheguei e os interpelei, que o meu muuuuuito idoso pai já dera entrada e que
agora seria simplesmente… aguardar.
Só que inscrevi-me para a visita e pouco depois das seis da
tarde chamaram-me para ver o meu pai no SU da ortopedia… onde não estava. Fora
fazer o dito exame. Chegou por fim, falámos e tendo em conta um caso semelhante
ocorrido também com ele, havia uns meses largos, imaginei uma ida para
casa, mesmo que a desoras.
A certa altura a enfermeira pediu que eu saísse, pois a hora
da visita já havia passado. Agradeci e regressei à sala de espera, para meia hora mais
tarde surgir uma médica a chamar por mim. Disse-me que ao contrário do que eu
esperava, o meu pai teria de ficar a noite em observação. Nada de cuidado, mas em
princípio só sairia no dia seguinte, conforme manda o protocolo para este tipo de acidentes. Explicou-me a médica que muito
provavelmente só depois do almoço. Mas que me ligariam a dizer alguma.
Com estes dados regressei ao carro e alterei a minha primeira previsão
e decidi ficar com a minha mãe, já que ela não se encontra nos seus momentos áureos,
sob a capa de uma demência evidente.
Autoestrada com ele, quando perto do Entroncamento recebo
nova chamada do hospital a comunicar que o meu pai não queria ficar internado
e estava prestes a assinar um termo de responsabilidade para poder sair.
Volto para trás, até ao hospital de Abrantes, solicito entrada na Urgência
e dou uma “restonenga” ao meu pai. Percebi qual o problema dele, mas
afiancei-lhe que não deixaria a minha mãe sozinha. Lá acalmou, ordenei-lhe que
pedisse desculpa ao pessoal e finalmente já muito para lá das dez da noite cheguei a casa. No caminho e através do telefone arranjei na
aldeia quem se dispusesse no dia seguinte a ir busca-lo a Abrantes.
Dia 10, quinta feira:
Acordei pouco depois das seis da manhã e constatei que a
minha mãe estava completamente acordada e queixava-se de não saber do meu pai.
Esquecera-se por completo dos eventos do dia anterior. Ajudei-a a arranjar-se e
ficou sozinha durante uma hora, sentada no sofá a ver as notícias matinais, até
vir a companhia diária que só entra às oito da manhã. Entretanto regressei a
minha casa pois tinha os netos à minha responsabilidade.
Portanto a promessa do dia anterior feita aos miúdos cumpriu-se
neste dia, tendo ido à Cordoaria ver a exposição da Lego para encanto das
crianças. Porém estava sempre atento ao telemóvel aguardando a tal chamada do
hospital. Que nunca chegou...
Quando cheguei a casa com os gaiatos, já passavam das seis da
tarde e sem quais quer novas achei por bem pôr-me a caminho até Abrantes, não fosse alguma coisa
estar menos bem com o meu pai ou pela hora tardia já não o deixassem sair.
O tempo escasseava e por isso pisei um pouco mais no
acelerador do carro. Cheguei ao SU passava dois minutos das oito da noite, hora
limite das visitas. Mas a simpatia do administrativo conseguiu que eu fosse até
lá dentro ao serviço ver o meu pai.
Que parecia quase pronto para sair… Todavia faltava o
relatório e a alta médica.
Esperei cá fora!
Às nove e meia uma auxiliar veio-me chamar para ir buscar o meu pai. Lá fui. Trouxe-o, meti-o no meu carro e finalmente chegámos a casa, na aldeia, quarenta
minutos depois.
Ajudei o pai a preparar as coisas para o dia seguinte, para levar
para a hemodiálise e quando tudo estava mais calmo fui-me deitar, com a
estranha sensação de que já havia vivido este momento.
Dia 11 sexta feira:
Acordei muito cedo, ainda a tempo de ver o meu pai vestido e
arranjado para ser levado para o hospital de Torres Novas para mais um
tratamento.
Foi a minha vez de sair. Não seria por causa dos netos, pois
neste dia é feriado na Amadora e os pais não trabalharam, mas devido a umas
análises que precisavam de ser feitas impreterivelmente neste dia.
Cheguei a casa pouco depois das oito da manhã. Carreguei o
carro com as coisas para a minha outra casa, já que era sexta feira, e fui em
busca de um centro de análises. Lá o encontrei e enquanto a minha mulher esperava
para ser atendida eu regressei a casa para buscar algo que me esquecera. Com
tudo isto só tomei o pequeno almoço às dez e meia.
Atravessei a Ponte para a outra margem, deixei as coisas em
casa e fui… finalmente até à praia.
Já aqui mais descansado fiquei calmamente a matutar em quantos quilómetros havia feito
em dois dias. Fácil 750!
Tal qual como fazer piscinas!