É do conhecimento público a dificuldade que Portugal tem em lidar com a Educação. Não falo daquela educação social do "muito obrigado" ou o comum "bom dia" ou "boa tarde", mas daquela que pode (e deve!) mudar o ser humano. Da Educação que principia nos bancos da escola e que pode (e deve!) perdurar até ao final de um curso superior, entregando a quem o acaba com competência, as ferramentas necessárias para singrar na vida, fazendo, acima de tudo, o que gosta.
Desde que me lembro nunca houve um ano lectivo que começasse como o anterior. Há sempre algo que muda e que abre logo a primeira aula com mais dúvidas que certezas, tanto para os professores como para os alunos.
Esta semana e logo de manhãzinha as ruas principiaram a encher-se de muitos miúdos e jovens a caminho do seu primeiro dia de aulas de 2026/2027. A maioria dos miúdos parecem quase cópias uns dos outros, tal é a força da moda e a força que necessitam para carregarem os livros.
Na segunda feira passada a minha neta entrou na primária depois de um ano na pré! Tudo pronto para sair a caminho da escola, a miúda de seis anos, pede-me ajuda para colocar a mochila às costas. A mala não é pesada para mim, mas é para ela. Demasiado pesada.
Os livros e a maioria dos cadernos ficarão na escola já que entra às nove da manhã e sairá por volta das cinco e meia da tarde, supostamente com os trabalhos já feitos.
Relembro hoje outros tempos e outros horários. Com a possibilidade de as crianças virem para casa, de lá fazerem os seus trabalhos com calma e serenidade, sempre acompanhados por gente crescida.
O que me parece entender neste sistema pesado é que a escola não quer que as crianças sejam crianças, os jovens sejam jovens. Deste modo levam todos pela mesma tabela e pronto a educação está dada. Nem imagino como se sentirá um professor ao fim de um dia a levar duas ou mais dezenas de crianças barulhentas e irrequietas.
Obviamente uma profissão de (muito) risco!
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