domingo, 6 de setembro de 2026

Há 46 anos...

Faz hoje precisamente 46 anos que parti sozinho para França num autocarro quase todo ele repleto de imigrantes. 

O meu primeiro destino seria Orleans e quando aqui cheguei ninguém conhecido me esperava.

Sem grandes problemas meti-me num táxi e lá fui eu até Chaingy onde tinha família e que ficaram completamente siderados com a minha presença, pois pensavam que chegaria muito mais tarde.

Estive um mês em França. Conheci Paris, Orléans, Versailles e muitos outros locais fantásticos, deambulei pela Cidade-Luz durante a noite, sozinho e sem medo.

Vivi experiências inolvidáveis e percebi naquele pouco tempo a razão de Portugal estar tão atrasado.

Esta memória trazida ora a este tempo obriga-me a colocar uma questão: e se fosse hoje farias a mesma viagem, mesmo com esta (quase) provecta idade?

A resposta é fácil: "jamais" (faxavor ler à moda de um ministro!!!).

O problema é que regressei à capital francesa já com a minha actual família muitos anos depois e reconheço que a ideia de Paris em 1980 era de uma cidade evoluída sim, mas com normais regras de cidadania e urbanidade. Algo que deixei quando regressei.

Eis um singelo exemplo que aconteceu connosco: naquele dia decidimos ficar na Place d'Etoile até que o dia morresse e nascesse a noite. Teríamos a oportunidade assim de ver a cidade iluminar-se do seu nome. Quando saímos do Arco do Triunfo já era tarde, muito para além das dez da noite. Fomos até à estação de comboios onde apanharíamos o transporte ferroviário até Meaux, onde estávamos alojados.

O problema é que "a noite até Deus temeu" e muitos dos passageiros era gente provavelmente trabalhadora, aparentemente com diferentes filosofias de vida. Lá íamos os quatro quando a determinada altura o comboio parou numa estação mais tempo que o devido, algo que me/nos pareceu anormal.

Mais tarde uma voz diria que a composição encontrava-se com avaria e tínhamos de sair e esperar pelo comboio seguinte na plataforma. O mais curioso é que num instante surgiram uma quantidade de polícias bem armados de material bélico e acompanhados de cães pouco simpáticos. Foram acordar aqueles que adormecendo na carruagem não pretendiam ser acordados. Daí a força policial evitando assim alguns problemas.

A verdade é quando há 46 anos regressei a Portugal, vinha um homem diferente. Não só tinha visto o belíssimo Palácio de Versailles ou a Torre Eiffel e o Louvre, mas tinha tomado consciência que havia um outro Mundo para lá das tristes fronteiras lusas, Mundo esse que demorou anos a entrar pelas nossas casas.

2 comentários:

  1. boa noite! sempre actual, querido Amigo. voltei a Paris no setembro do 9/11! os polícias estavam armados para a guerra e os Rotweileres estavam prontos a atacar. polícia e cão intimidavam! choveu o tempo todo! ía tão pronta a passear! beijos e tudo de bom <3

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    1. Ana,
      Desde a entrada do novo século todo o Mundo mudou... Para pior. A tal de liberdade é apenas uma palavra sem verdadeiro sentido. Porque se pretendo ter liberdade de dizer algo, posso eventualmente chocar com umas mentes pouco concordantes...
      Enfim é o Mundo que temos hoje... Sem alegria nem solidariedade..😒😒😒😒😒

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