Foi em Maio de 2021 que entrou pela porta da cozinha uma gata castanha, bonita, com aquele ar tão felino de ser "dona disto tudo".
Assumo que nunca fui muito apaixonado por gatos até porque os felinos têm geralmente uma personalidade muito vincada e eles é que escolhem quem querem para amigos. Verdade!
Mas este bichano parecia que já nos conhecia há muuuuuuuuuito tempo. Recordo que entrou e sem mais nada deitou-se no chão frio. Era Maio, o Sol já aquecia e ela ali ficou deitada sem se mexer, a apanhar banhos do Astro-rei.
Sem saber o que lhe dar, provavelmente dei-lhe coisas que lhe fariam mal, mas na realidade não tinha experiência disso.
Ora, sempre que eu regressei àquela casa e mal abria a porta da cozinha que dá para o jardim ela surgia naquele seu ar de dama vaidosa e ciente do seu lugar. Por direito adquirido!
Nunca a enxotei e ao invés passei a comprar-lhe comida. Tirei-lhe muitas fotografias, fiz alguns videos com ela, especialmente a beber água da torneira da cozinha. Chegou a dormir cá dentro de casa.
E os meus netos gostavam muito dela.
De vez em quando aparecia magra e logo calculava que andaria doente, para tempos depois já estar mais robusta.
Foram cinco anos nesta relação de amizade, carinho e muita, muita fofura. Adorava festas e ainda anteontem entrou aqui devagar e deitou-se aos pés da minha mulher. Dei-lhe alguma ração, mas pouco comeu.
Para partir depois, silenciosamente, tal como chegara.
Baptizei-a quando a conheci em 2021 de... Aparecida! E foi um fenómeno de ternura que nunca mais esquecerei.
Faleceu hoje, deixando um enormíssimo espaço vazio no coração de todos aqueles que aqui neste bairro lidaram com ela. E foram muitos.
A Aparecida foi parte integrante de todas as famílias onde ela livre e espontaneamente entrou.
Obrigado por tudo o que foste para nós! Devemos-te muito!
Descansa agora em Paz!

