terça-feira, 15 de setembro de 2026

Almoços, guerras e exemplos

 Após a entrada da reforma e a saída do confinamento criei um grupo no uotessape onde inclui diversos colegas com quem trabalhei durante alguns anos no mesmo departamento.

Amiúde juntamo-nos em enormes encontros gastronómicos ou porque alguém fez anos e quer pagar um almocito ou simplesmente porque queremos todos experimentar novas aventuras à mesa.

Hoje recebi uma chamada de um desses colegas que me perguntou se podia acrescentar certo colega.

- Com todo o gosto, necessito apenas do seu número de telemóvel.

Número recebido, contacto actualizado e eis mais um "Almoçante" que é o nome do grupo em memória de um outro colega há anos falecido.

Depois estendi a manta ao dizer que se quisesse poder-se-ia acrescentar mais gente. Devolve-me que estava a pensar numa colega, mas como estava lá outra já... talvez não fosse algo agradável juntar as duas.

O dia correu célere, como sempre, e quando finalmente me sentei, recuperei esta troca de mensagens, até para perceber se haveria mais algum nome para acrescentar.

Fiquei a matutar na resposta. Alguém não ser convidado a aparecer num almoço por estar lá outrém com quem nos tempos de trabalho se teve uma relação menos amistosa não me pareceu uma atitude escorreita e humilde. Mais... todos os presentes nestes almoços são gente licenciada e doutorada que ocuparam lugares de relevo na empresa, enquanto eu sou o único sem qualificações académicas de nível superior e tive como chefes alguns dos presentes.

Mas neste momento das nossas vidas somos todos iguais, pois somos todos reformados. E não há cá doutor Xico ou doutora Xica... como outrora. O nome próprio e tu cá tu lá!

Recordo um caso que aconteceu comigo que mostra que valemos por aquilo que fomos ou fizemos e nunca pelos lugares ocupados e que revelo m breves palavras. Certo dia ainda estava eu na tesouraria como caixa quando surgiu do outro lado do balcão alguém que foram um homem importante na vida lusa. Fora Ministro, administrador e governador do Banco de Portugal. Quando chegou a minha beira, cumprimentou-me e disparou esta máxima:

- Sou reformado do Banco...

Ora mais que reformado ele fora uma figura única no Banco e eu até privara com ele algumas vezes.

Portanto este cavalheiro exemplar não puxou dos galões que ombreou, mas recorreu-se da sua humildade e do seu real estatuto.

Regressando ao início diria que se as duas senhoras não conseguem estar sentadas numa mesma mesa a ter uma conversa normal, provavelmente, nunca deveriam ter assumido as funções que tiveram durante anos.

São estes infimos detalhes que amiúde fazem a diferença.

A gente lê-se por aí!

2 comentários:

  1. boa noite, querido Amigo
    concordo contigo :) não há razão para não incluir ambas no grupo. elas é que têm de seguir em frente com a sua vida! e estando na presença uma da outra até as pode ajudar a fazer as pazes com o passado e crescer. abraço e tudo de bom

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    1. Exactamente! Mas há quem não pense assim!🥺🥺🥺🥺🥺🥺

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