domingo, 21 de junho de 2026

Dia de praia... luso!

Cada ano que passa sinto que uma ida à praia, especialmente num Domingo de muito calor, é uma verdadeira aventura.

E das duas uma: ou vou para a praia a desoras (sete da manhã, p.e.) ou fico olimpicamente em casa.

Hoje voltei à praia depois de ontem ter lá estado, com muita gente, mas muito mais calmo. Esta manhã ao invés (e fui mais cedo) o fim da fila para entrar nas praias entrava pela estrada principal.

Se o condutor português já é pouco civilizado na sua vida diária imaginem como fica quando tem o carro cheio de crianças a berrar que querem ir à praia. O resultado é óbvio e as manobras mais que perigosas sucedem-se… e os desembaraçados mostram os seus atributos.  Enfim o luso condutor no seu melhor. Depois o estacionamento… Uma coisa que parece tão simples gere muitos desencontros com outros que querem aquele lugar à sombra, olvidando todos que horas depois com o Astro-Rei a rodar o carro estará ao Sol. Mas vá lá explicar isto a esta gente.

Entremos na praia cheiinha de banhistas. Uns mais alastrativos, outros menos a verdade é que ainda cedo os lugares na areia começam a escassear. Ainda por cima se forem muitos e levarem, para além dos chapéus de sol, tendas, iglos, a bola e demais apetrechos, aquela enormíssima geleira recheadinha de “mines”, sandes de paio e umas dúzias de croquetes fritos na noite anterior, quase arrisco a dizer que a praia fica por conta deles.

Mas o pior é a criançada escassamente educada que não se preocupa com aqueles em redor e toca de brincar na areia atirando esta por todo o lado. De tal forma que as bolas de Berlim compradas ao vendedor terão certamente mais temperos.

Saltemos para a beira mar. Que interessa que estejam crianças pequenas a brincar à beira mar ou num casal de velhotes a passear calmamente? Um jogo de bola é muito mais importante com enormes riscos de magoarem crianças ou até as pessoas idosas. Pior… pelo que sei será proibido jogar na praia, mas reconheço que desconheço a lei.

Finalmente, nada melhor que uma bela cigarrada depois de três “mines” sorvidas em menos de nada e cinco croquetes que marcharam num ápice. O cheiro horrível a tabaco que se espalha pelo ar e que a muitos incomoda não preocupa o fumador já que sente que tem direito a tudo.

Menos respeitar o próximo! Quando no fundo tudo deveria começar por aqui!

Não imagino como será ao sair da praia, mas as filas de trânsito ao fim do dia devem ter muitas estórias para contar.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

A saúde dos direitos e deveres!

A minha surdez é daquelas fiáveis já que nunca me abandona.

Hoje foi dia de consulta de Otorrino.

As longas esperas por este médico são uma constante, mas como já sei disso nunca chego a horas. Após uma conversa não muito longa, até porque o tempo mesmo no privado é escasso, passou-se para a medicação e mais exames. E daqui a três semanas lá estarei mais uma vez para reavaliação.

Tudo isto se passou num hospital privado com o qual o meu subsistema de saúde tem acordo. Paguei 56 euros por tudo, nem me pareceu nada caro, já que fiz os exames logo naquela hora.

Agora vem a pergunta sacramental: poderia fazer-se isto num hospital público? Não tenho conhecimentos de gestão hospitalar para poder questionar e responder ao mesmo tempo, mas diria que em teoria seria possível.

O problema é que as empresas do Estado estão tão presas aos códigos de conduta que para fazer algo repentino torna-se quase impossível. Só se for mesmo na urgência... E obviamente uma surdez nunca será caso de vida ou morte!

A nossa saúde necessita de médicos, enfermeiros, auxiliares. Porém necessita também de gente que tenha coragem para mudar, para assumir que as coisas tem sempre de funcionar, mesmo que haja greves, manifestações, plenários.

Os portugueses já pagam demasiados impostos e casos como educação e saúde deveriam funcionar sempre em pleno.

Sei que há direitos, todavia também há deveres. Para todos!

Uma balança estranha e de gestão complicada.

E se perguntassem a quem sabe?


quarta-feira, 10 de junho de 2026

Feira do Livros de Lisboa (versão 2026)

Há muito que a Feira do Livro de Lisboa perdeu… charme.

Aquilo parece mais com um centro comercial onde os diferentes cheiros a comida que param no ar se confundem e provavelmente alguns daqueles entrarão outrossim nos livros, fazendo com que alguém quando chegar a casa tenha mais vontade de lhes dar uma trincadela que ler uma qualquer página.

Esta semana visitei a Feira à noite!

Muitos expositores, alguma gente, filas enormes para pagar, mas um ambiente pouco apelativo aos livros.

Não sei… mas se calhar sou só eu que vejo as coisas desta maneira… à moda antiga, quando a Feira morava no passeio central da Avenida da Liberdade nuns stands de cor amarela.

Deixemos o passado e aterremos neste presente.

Geralmente nunca levo uma lista de livros que quero comprar. Deixo que o ocaso ou sorte faça a sua parte. Mas se não tenho autores, nem títulos enfileirados tenho sempre… umas ideias sobre “… se encontrar este livro, compro!

Nunca encontro! O curioso é que desde a pandemia as minhas visitas são quase médicas, percorrendo a feira em velocidade apressada, porém sempre atento. As grandes editoras não me seduzem e talvez prefira coisas mais pequenas como… alfarrabistas.

Foi o que aconteceu desta vez quando a determinada altura deparei com um livro de poesia de Eugénio de Andrade, coordenado pelo Professor Óscar Lopes. Um livro de 2000, em muito bom estado mas nada barato mesmo para um alfarrabista. Mas calculo que novo gostaria provavelmente o triplo ou mais.

Este.

 


Depois mais uma volta e a BD em destaque. Tentei comprar um exemplar de um policial de Agatha Christhie, mas já não havia. Mais à frente noutro expositor acabei por me reencontrar com o meu “amigo” Lucky Luke, ora numa versão mais moderna, mas muito bem desenhada e com alguns personagens conhecidos de outras estórias.



Comprei-o e já o li… até porque o “cowboy” solitário ainda não está sozinho, pois tem muitos leitores.

Finalmente não pude deixar a Feira sem trazer um livro para a minha neta que brevemente principiará a ler.

Resultado final da noite: três livros, mais de 50 euros gastos e uma fome descomunal! Pois saí da Feira entre duas rulotes, uma que vendia farturas e outra, crepes.

De uma coisa tenho a certeza: este ano não voltarei à Feira do Livro.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Quando a doença é ... outra!

Sempre que tomamos conhecimento de alguém que cometeu suicídio, ficamos sempre com a ideia de que havia algo nessa pessoa que não estaria bem. A reboque vem sempre a teoria de alguma depressão que estranhamente ninguém próximo terá notado.

A vida já me mostrou e ensinou muita coisa. Muito mais do que eu julgaria um dia aprender e assim começo a duvidar de muitas ideias no que respeita ao suicídio. A eutanásia é um exemplo… de que alguém não está louco ou sob uma depressão profunda, mas consciente de que partir será o melhor para o próprio e os que o rodeiam.

Chamo a atenção que não quer dizer que concorde com a eutanásia ou suicídios assistidos. Até porque, em ambos os casos, será sempre necessário perceber até que ponto tudo se encontra bem estudado e bem aceite.

Hoje lembrei-me de um amigo que comigo passou algum tempo. Especialmente nas férias escolares. Nasceu numa aldeia ribatejana, mas gostou sempre de andar na escola, ao invés de mim. Com menos um par de anos que eu, era o irmão mais novo de uma tia por afinidade.

O Sérgio era um jovem espertalhão e muito sabido. Reconheço bem mais que eu, na altura.

A vida afastou-nos normalmente até porque ele pretendeu estudar e eu preferi outros caminhos. Curioso é que fomos bater ao mesmo negócio: banca. Licenciar-se-ia em Economia e em pouco tempo era gerente de uma agência bancária. Casaria tempos mais tarde numa cerimónia atípica porque os convidados foram todos comer e beber e só no fim ele se casou. Provavelmente muitos daqueles que estiveram presentes nem se lembrarão disso, digo eu!

A verdade é que pouco tempo depois o Sérgio veio a descobrir que era portador de um cancro. Daqueles ferozes. Sei que percorreu “seca e meca” no sentido de perceber se conseguiam confirmar tal maldita doença. Infelizmente todos confirmaram a enfermidade.

Todavia haveria grandes possibilidades de tratamento e de cura. No entanto, teria de passar por um longo calvário de quimioterapia acutilante e com muitas consequências.

Mas Sérgio não estava para isso. Simplesmente não queria sofrer, fazer os outros sofrer para, provavelmente, um dia voltar ao mesmo.

Assim Sérgio certo dia matou-se!

Deixou à esposa uma longa carta onde dizia que não tinha coragem para sofrer as agruras de um tratamento. E com o desaparecimento dele, ela só sofreria durante uns meses, "porque o tempo tudo dilui” como ele próprio escreveu!

Foi um choque para a família. Tremendo, impensável!

Não sendo este suicídio a consequência de uma profunda depressão fica a questão em aberto: corajoso ou cobarde?

Por mim ainda hoje, e já passaram tantos anos, não sei responder!

E espero nunca saber!

sábado, 6 de junho de 2026

Sem técnica de escrita!

Há uns dias ofereci a um amigo o meu último livro publicado em 2025 (caramba, como o tempo passa e um ano já lá vai!).

Com o volume na mão assumiu a sua enorme admiração por aqueles que, como eu, escrevem estórias, contos ou romances (não é, ainda, o meu caso!).

Dizia que se fosse ele a escrever a determinada altura já estaria tudo misturado e já nem saberia quem era quem. Ri da imagem, mas avisei-o que essa confusão acontece a muitos dos escribas. Umas vezes porque um qualquer autor começa uma estória e não a acabando num curto prazo quando recomeça pode originar confusões. Ou também por o fio condutor do enredo não estar previamente escrito, assim como a tipificação das personagens.

Como ainda não ousei lançar mão de um romance, confesso que não tenho uma especial técnica de escrita para os meus textos. Na maioria das vezes a estória escreve-se primeiro na minha cabeça, para mais tarde a colocar uma folha de papel (cada vez mais raro) ou no computador.

Esgalhado o texto, este passará por um crivo muito apertado onde tento limar a maioria das arestas mais ásperas. Uma espécie de esmeril das palavras.

Certamente que cada autor, escritor, poeta tem a sua forma muito própria de passar para a tela o que lhe vai no coração ou na alma. E em bom rigor não haverá uma matriz ou manual.

Entretanto ando há dias com uma estória na cabeça, mas ainda não consegui aprimorá-la dentro de mim. Só depois de bem expurgada das eventuais gorduras de palavras, tentarei rematar o texto para que fique mais perto da perfeição.

Escrever é assim um acto assaz doloroso. Por aquilo que retira de cada um de nós (a imaginação) e o que temos de trabalhar para construir um naco de prosa (a transpiração!).

No final será necessário tudo juntar para passar a ter direito à divulgação pública.

Como é exemplo este texto.