domingo, 30 de agosto de 2026

Um caso de fé

 Todas as manhãs ao pequena almoço rezo uma oração.

Oro para que haja pão em todas as mesas, para que Deus me dê coragem para aceitar os desafios que me propõe, rezo pela saúde de todos os de casa e dos meus amigos e familiares e finalmente peço humildemente que Deus vele pelas crianças da família.

Uma oração simples, humilde, sem grande palavreado e assente na minha fé. Aquela que sinto e que alimenta diariamente mais o meu espírito que o meu corpo.

Talvez por isto e demais pensamentos é que vivo uma certa tristeza interior por não ver nenhum dos meus netos baptizado. Também é certo que não me cabe levá-los a escolher qualquer educação religiosa, mas aos pais se assim o entenderam. O que não é o caso!

Tudo o que escrevi serve de entrada a uma estória que se passou há muitos anos com um homem que conheci e que viveu na aldeia. Logo a seguir ao 25 de Abril, Armando teve de fugir de África onde nasceu e viveu, tendo lá constituído a sua família.

Veio então para a aldeia, que nunca fora a sua, acompanhado do sogro, mulher e uma filha da minha idade e de quem fui muito amigo (há muito que não sei nada dela!!!). A esposa era irmã de peito do meu pai e penso que ainda esteja viva, se bem que resida num lar. Contra vontade!

O Armando desde cedo se mostrou ser um homem de esquerda. E fazia-o saber a todos sem qualquer receio de eventuais retaliações, numa aldeia trabalhadora e pouco dada a revolucionários.

A sua maior bravata era com a igreja que considerava obtusa e antiquada, já para não falar das pessoas que sendo crentes, considerava burras e imbecis.

Mas a vida havia de lhe trazer estranhos desafios pois um dia descobriu que estava muito doente, carregando no ventre um tumor maligno. Tratamentos e mais tratamentos originavam algumas melhoras, mas nunca a cura.

Certo dia fui à missa na aldeia e deparei, para minha enorme estupefacção, com Armando sentado na primeira fila. Ele assistiu à eucaristia como de um devoto se tratasse, seguindo todos os passos.

Nada disse naquela altura, para certo dia à porta da taberna onde ele geralmente se sentava naquele pouco tempo que lhe restava, lhe perguntar com a mesma frontalidade com que ele assumia a sua política se se convertera.

Não esperava aquele gesto, pois olhou para mim e mandou-me sentar a seu lado. Para finalmente me esclarecer:

- O que me levou à igreja não foi a crença em Deus, ser Omnipresente, mas a capacidade que Jesus Cristo mostrou em sofrer pelos outros. E eu que hoje sofro agruras dentro de mim entrei na capela pela primeira vez, não para pedir cura para a minha doença, mas simplesmente que essa tal de fé que vocês dizem sentir me desse capacidade para aguentar o meu sofrimento.

Levou a mão ao peito para respirara talvez melhor e rematou:

- Náo sei se é da fé, todavia sinto-me melhor não com as dores, mas com a aceitação deste meu tenebroso fim.

Recebi as suas palavras com a certeza de que estava perante um homem de fé. Alguém que durante tanto tempo renegara esse sentimento para no fim da sua vida perceber como a fé poderia ser melhor que um tratamento médico.

Morreria semanas mais tarde E foi sepultado com todos os preceitos católicos.

Só mais uma coisa: Armando nunca foi baptizado!

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A pensar no futuro!

Esta semana, aproveitando a ausência dos “piquenos” que estão de férias com os pais na praia (tiveram azar com o tempo, coitados!), tenho andado em limpezas.

Ora no meu escritório onde guardo grande parte dos meus livros, tive de  coração ao alto” fazer umas modificações, de maneira a que os próximos livros consigam ficar minimamente arrumados.

Sinceramente, e aqui para nós que ninguém nos ouve, o que eu quereria mesmo era arrumar os livros por uma certa ordem (alfabética de autores, temas, alfabética por títulos ou outras opções). Todavia para tal teria de espalhar os volumes por todas as divisões da casa, para mais tarde arrumar tudo por uma ordem lógica.

Como não o fiz lá continuam todos espalhados e misturados: prosa com poesia, romances com ensaios, biografias com estudos políticos. Portanto uma mega confusão… E já nem falo das centenas de livros de BD misturados com policiais.

Contudo o que me levou a escrever este postal foi o caso de ter encontrado um grosso volume dos meus contos, impresso em papel A4 e com o sugestivo nome (ou talvez não!) de “Contos Breves”. Há obviamente neste título uma certa redundância, já que por si só um conto será uma história pequena, portanto… breve!

Peguei no volume e percebendo o que continha atirei-o para o caixote do lixo. Primeiro porque a maioria dos textos já foram todos ou quase todos publicados em livro, segundo aquela versão era demasiado antiga e não fora sujeita ao meu olhar crítico.

Só que de repente surgiu-me aquela dúvida que muitos dos historiadores da nossa escrita também levantam e se prende com a impossibilidade de se perceber como determinado texto evoluiu desde a sua criação até à publicação.

Ora com a actual tecnologia toda essa evolução se perde, pois nenhum autor (mea culpa, mea culpa) se preocupa em gravar as diversas versões dos seus textos. Há uma versão e sobre ela são feitas as devidas alterações, gravando-se por cima da versão anterior.

Tenho consciente plena que nunca nenhum dos meus livros ou dos meus textos será escolhido para ser devidamente analisado por um especialista. Só que tenho netos e, no limite, algum deles poderá ter interesse naquilo que o avô um dia escreveu e publicou!

Ficariam assim com o um registo evolutivo…

Pronto… porque pensei nisto acabei por ir  ao caixote do lixo buscar a velha compilação!

terça-feira, 25 de agosto de 2026

A menina e as gaivotas!

 A praia é um lugar fantástico.

Poder ver aquela imensidão de água salgada, que nos leva a sonhar com terras distantes, aventuras fantásticas, sentir a areia fina por entre os dedos dos pés, receber aquele aconchego solar por entre uma ou outra nuvem, dar conta da traineira que não muito longe voga ao sabor das ondas lançando as redes ao mar,


descobrir a volta do avião antes de poisar em terra... tudo faz parte de um instante assaz breve e que nos abraça como se fossemos únicos naquele lugar.

No entanto nada mais bonito e singelo que uma criança no meio de todas estas sensações e das singulares gaivotas.


A menina respeita-as e as aves aceitam-na como uma delas.
A natureza no seu estado (quase) puro.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

A escolha certa!

Finalmente a minha casa começa a ficar paga. Este mês foi o último pagamento de uma série de valores que recebi há trinta anos para erguer o meu "castelo".

Faltam ainda algumas tranches por pagar que recebi mais tarde que esta ora finalizada, todavia dentro de meses novas ficarão liquidadas. Tendo em consideração que a entidade que me paga o maior bolo da minha pensão é a mesma que todos os meses retira à cabeça o dinheiro da minha dívida, comunico que quando tudo estiver devidamente liquidado eu receberei... o dobro do dinheiro que recebo agora.

Dito isto... não imagino como será alguém perceber que tem a prestação da casa para pagar e não ter dinheiro para o fazer. Deve ser um autêntico sufoco e com o qual as entidades bancárias sobrevivem bem. Feliz ou infelizmente!

Só que a realidade a que vamos assistindo remete-nos para uma zona de enorme desconforto aquando da incapacidade de fazer face aos nossos compromissos financeiros. Reconheço que tive sorte nesta relação entre empréstimos e entidades credoras porque o banco que usei para contrair um empréstimo para primeira habitação era o mesmo para quem eu trabalhava e me pagava. Assim sendo só vivi com o que recebia, fosse ele pouco ou muito.

Um destes dias encontrei, no meio de muuuuuuuuitos ficheiros que tenho em nuvens, cd´s e pen's, um que remontava ao início deste século. Nele encontrei a estrutura financeira que ainda tenho hoje. Numa folha de cálculo coloquei todas as despesas mensais certas e em baixo as receitas. Depois na diferença entre o deve e haver residia a minha alegria ou tristeza. Na maioria das vezes tristeza. E aqui havia que refazer as contas... 

Esta forma de lidar com as minhas finanças advém do meu início de vida de casado. E nunca tive necessidade de estudar Economia, Gestão ou demais disciplinas financeiras para entender que nunca poderia gastar mais do que recebia. Ou como se diz na minha aldeia a quem gasta mais do que recebe "És um maltês de bronze, ganhas dez e gastas onze"!

Termino com a certeza de que nada se tem sem escolha prévia. Ou melhor: se quero muito ter isto tenho forçosamente de abdicar daquilo. Porque manter os dois pode ser o primeiro caminho para uma vida feita de coração nas mãos.

sábado, 15 de agosto de 2026

Quando um país pára!

 Agosto! Mês preferido dos portugueses para as férias.

Literalmente o país pára por esta altura do ano. Trabalham os da indústria turística, porém o resto das actividades descansam até que Setembro acorde a malta.

Nas urbes, onde durante o ano os lugares de estacionamento escasseiam, por esta altura há muitas vagas. Os cafés e pastelarias quase desertas e algumas lojas acabam por seguir o exemplo do povoléu e encerram para as devidas férias.

Tudo isto é perfeitamente constatável durante este mês. Só que as férias verdadeiras criam mais férias... aos outros! Eu explico... Quando queremos contactar uma certa e determinada pessoa em algumas entidades para resolver um certo problema o mais provável escutar é:

- O Senhor Maldonado? Está de férias. A Dra.Aldina? Está de férias.

Porém, o mais provável é que estejam ao serviço, mas evitam receber machadas para que o negócio continue a escorrer.

Lembro-me que assim era com muitos dos meus colegas que comigo trabalhavam. Aproveitavam esta altura do ano para fugindo aos problemas do dia irem dando despacho ao trabalho que tinham atrasado.

Conscientemente nunca entendi esta postura de empurrar com a barriga os novos problemas. è que mais tarde ou mais cedo estes regressariam e cairiam em cima da secretária com aquele rótulo de... urgente.

O português não gosta muito de trabalhar e se puder empurrar para outros, tanto melhor.

Agosto... o dos eclipses.

Até do país!


sábado, 8 de agosto de 2026

Haverá Céu para os gatos?

Foi em Maio de 2021 que entrou pela porta da cozinha uma gata castanha, bonita, com aquele ar tão felino de ser "dona disto tudo".

Assumo que nunca fui muito apaixonado por gatos até porque os felinos têm geralmente uma personalidade muito vincada e eles é que escolhem quem querem para amigos. Verdade!

Mas este bichano parecia que já nos conhecia há muuuuuuuuuito tempo. Recordo que entrou e sem mais nada deitou-se no chão frio. Era Maio, o Sol já aquecia e ela ali ficou deitada sem se mexer, a apanhar banhos do Astro-rei.

Sem saber o que lhe dar, provavelmente dei-lhe coisas que lhe fariam mal, mas na realidade não tinha experiência disso.

Ora, sempre que eu regressei àquela casa e mal abria a porta da cozinha que dá para o jardim ela surgia naquele seu ar de dama vaidosa e ciente do seu lugar. Por direito adquirido!

Nunca a enxotei e ao invés passei a comprar-lhe comida. Tirei-lhe muitas fotografias, fiz alguns videos com ela, especialmente a beber água da torneira da cozinha. Chegou a dormir cá dentro de casa.

E os meus netos gostavam muito dela.

De vez em quando aparecia magra e logo calculava que andaria doente, para tempos depois já estar mais robusta.

Foram cinco anos nesta relação de amizade, carinho e muita, muita fofura. Adorava festas e ainda anteontem entrou aqui devagar e deitou-se aos pés da minha mulher. Dei-lhe alguma ração, mas pouco comeu.

Para partir depois, silenciosamente, tal como chegara.

Baptizei-a quando a conheci em 2021 de... Aparecida! E foi um fenómeno de ternura que nunca mais esquecerei.

Faleceu hoje, deixando um enormíssimo espaço vazio no coração de todos aqueles que aqui neste bairro lidaram com ela. E foram muitos.

A Aparecida foi parte integrante de todas as famílias onde ela livre e espontaneamente entrou.

Obrigado por tudo o que foste para nós! Devemos-te muito!

Descansa agora em Paz!





domingo, 2 de agosto de 2026

A minha estória de amor

Não sei que tempo verbal terei de usar para referir alguém que comemora hoje o seu aniversário e de quem não sei nada vai para mais de 40 anos. Não sei se vive ou não, se emigrou para longe ou está em Portugal, se casou ou entrou num convento.

Apenas sei que neste segundo dia de Agosto a Isabel festeja (?) o seu aniversário.

Reconheço que foi uma das minhas enormes paixões. Daquelas que mora connosco dia e noite, noite de dia. Mas, feliz ou infelizmente, nunca passou disso muito por culpa dela.

Era uma jovem quando a conheci em Cacilhas numa cervejaria que eu frequentava. A mesa onde estava era grande com muita malta e ela surgiu assim de repente à porta, carregada de livros escolares já que estudava à noite. Num salto e sem a conhecer convidei-a a sentar-se na nossa mesa.

Relutante a princípio, rapidamente se deixou enfeitiçar, não pela minha beleza obviamente, mas pela minha ousadia. Não vinha só e a sua companheira, quiçá mais afoita, não nos temeu e sentou-se a meu lado. Ela puxou de uma cadeira e sentou-se defronte de mim.

Recordo aqueles momentos. Ela era de uma beleza estonteante e eu fiquei preso naquele seu olhar sereno, no sorriso meio tímido, na gargalhada sincera, no cabelo mágico.

- Temos de ir apanhar o autocarro, se não só há muito tarde.

Num ápice olhei para um amigo e pisquei-lhe o olho numa acção concertada e ousei.

- Não te preocupes, nós levamos-te a casa!

Assim fizemos!

Durante alguns anos fomos cimentando uma amizade que deste lado tinha outro sentido e ao qual a Isabel nunca deu resposta. Nunca!

Passámos fins-de-ano e diversos carnavais nas mesmas festas, dançámos e divertimo-nos juntos. Sem um beijo, uma singela carícia.

Até que dia enterrei a paixão bem fundo e deixei que aquela se esvanecesse com o passar do tempo. Foi realmente o que aconteceu pois anos mais tarde eu casaria com a minha mulher. Ela fui uma das convidadas para a boda e esteve presente a testemunhar o fim etéreo da minha paixão por ela. De negro vestida, como se estivesse de luto duma relação que nunca existiu.

Lembro-me dela amiúde e fico sempre a pensar o que teria sido de mim se ela tivesse alinhado numa aventura a dois!

Esta foi a minha estória de amor que, ao invés do meu ex-colega, nunca se concretizou.


sábado, 1 de agosto de 2026

Meia dúzia!

Estávamos no dealbar da pandemia com o anormal envio de muitos trabalhadores para tele-trabalho e os hospitais a encherem-se de doentes e os cemitérios de mortos.

Foi no (parece já longínquo) ano de 2020 neste mesmo primeiro dia de Agosto que me tornei mais um  reformado.

Se para a Segurança Social ainda haveria de decorrer alguns anos até que eu me reformasse, para a empresa onde estive 37 anos, nove meses e vinte e cinco dias era a hora de abandonar o barco.

Saí a bem com os colegas, chefes e a própria instituição ao invés de muitos ex-colegas que passaram para a reforma zangados com tudo e todos, porque sempre pensaram que eram insubstituíveis. Um erro absurdo!

Nos anos que antecederam a minha saída fui lentamente mentalizando-me da partida. E ao invés de muitos que saíram a pensar que iriam fazer isto e aquilo eu tinha a consciência da minha futura missão: ser essencialmente um cuidador dos meus netos.

Naqueles anos tão complicado para todos nós, quase nem tive tempo para me preocupar com a pandemia. O meu foco era a minha neta e mais tarde a minha escrita.

Sinceramente nunca imaginei estar tantos anos reformado. Porque amiúde esta mudança de estatuto leva as pessoas a ter as reacções mais díspares. Aprendi a viver com o tempo que tenho e com aquele que me falta. Descobri que trabalhar não era assim tão mau, para finalmente dar valor a coisas que antigamente nem sabia que existiam.

Meia dúzia de anos atípicos, chatos alguns mas ao mesmo tempo desafiantes.

Principiou hoje então o caminho para o sétimo aniversário.

Lenta ou apressadamente a ver se lá chego!

terça-feira, 28 de julho de 2026

Uma estória de amor!

Confesso que gosto de uma bela história de amor. Daquelas com muitas peripécias, com muitos avanços e mais recuos, com drama e ansiedade, para no fim tudo acabar em bem e rematar com a célebre frase “ … e foram felizes para sempre”!

No entanto a vida é amiúde mais complicada que as estórias ficcionais de cinema ou televisão, por mais voltas que o enredo tenha.

Há dias soube que um antigo colega, bem mais velho que eu, está entregue aos cuidados de um lar por culpa de uma demência que o vem atormentando e definhando. O curioso é que ele é dono de uma bela estória de amor, daquelas que quase todos nós gostamos.

Então o enredo conta que João Noronha (nome fictício) nasceu no seio de família abastada e viveu uma vida de jovem endinheirado. O pai tinha uma enorme casa de antiguidades daquelas verdadeiras, genuínas e muito caras.

Entre os amigos do bairro chique na época, João acaba por se apaixonar por Alice (nome fictício) uma bonita jovem, mas a quem nunca se declara.

O tempo corre célere e Alice acaba mais tarde por casar com outro homem, que não o João. Este continuou a escudar-se no silêncio e deixou nas mãos do destino ou sorte as teias do seu futuro.

João reencontra Alice, no funeral do pai de um dos amigos comuns. Ambos chegaram sem qualquer companhia. Ele porque nunca casara, ela porque, entretanto, enviuvara.

Sorrisos e consternação pelo triste acontecimento ao amigo de anos, ainda assim mantiveram-se quase sempre lado a lado. Ele impecavelmente vestido no seu metro e oitenta, ela lindíssima como sempre João a conhecera.

Quando tudo terminou saíram juntos do cemitério, trocaram números de telefone e combinaram almoçar, quiçá, um dia.

Conta quem sabe que partiu dela a iniciativa de marcar o restaurante. Para meses depois casarem num belíssima capela de uma quinta de um familiar. Deste casamento nasceram três meninas que sempre foram muito acarinhadas por mãe e pai.

Alice descobriu o verdadeiro amor naquele homem que nunca desistira de a amar. Mesmo depois das cãs, das dores normais da idade, da demência aterradora.

Todos os dia Alice visita o marido no lar. Quase sempre é uma das filhas ou um dos netos que a leva. Entram todos na enorme sala. As colaboradoras já conhecem a família e procuram captar a atenção do meu velho colega idoso. A nenhum responde, fala ou imita um gesto.

Há porém neste triste quadro uma excepção, pois sempre que Alice se aproxima e deposita aquele beijo terno na testa, ela recebe de João um sorriso e a mão ergue-se do cadeirão e procura a mão da esposa.

Um dia destes verei provavelmente o seu obituário, mas saberei que mesmo sob a força terrível da demência, João continuou a amar a mulher…

Desde menino.

domingo, 26 de julho de 2026

Tour de França 2026

A volta à França deste ano esteve previamente envolta numa enormíssima espectativa, tendo em conta a quantidade e qualidade de corredores que principiaram a corrida na belíssima cidade condal de Barcelona.

Para além do campeoníssimo corredor esloveno Tadej Pogacar, também Jonas Vingegaard se apresentou, assim como Remco Evenepoel, Juan Ayuso, Richard Carapaz, Paul Seixas (o jovem fenómeno velocipédico fancês de origem lusa)  e mais uma série de outros nomes, todos eles prontos a derrubar o favoritismo de Pogacar.

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A realidade é que depois da camisola amarela passar por diversos donos, à sexta etapa ficou definitivamente no corredor esloveno e perante o qual ninguém esteve à altura de lhe tirara a camiseta.

Ainda assim foi uma corrida fantástica com uma velocidade média geral muito alta, com muitas batalhas individuais, muitos incidentes (quedas de Traen, Vingegaard e alguns outros), escaladas fantásticas, descidas a alta velocidade, jogos de equipas, sprints e muitas boas e más surpresas.

Para um leigo como eu diria que a vitória de Pogacar era obviamente esperada, Paul Seixas com o quarto lugar na Geral deixou de ser uma esperança para se tornar numa certeza, Carapaz como rei da Montanha mostrou-se altamente competente, tal como o belga Remco Evenepoel terminando o Tour numa honrosa segunda posição.

Menos bem esteve Ayuso, que depois da saída forçada da UAE após a Vuelta do ano passado e a sua entrada na Lidl-Trek, sempre julguei que lutasse por um lugar no pódio, principalmente depois do ano passado ter andado a estragado a Vuelta do nosso João Almeida que continua ausente por motivo de saúde. 

O Tour é sempre um bom espectáculo televisivo e não só.

Agora segue-se La Vuelta, mas até lá há que descansar... 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Justiça poética ou o fim de uma era?

O Mundial de futebol que ontem encerrou com a merecidíssima vitória da equipa espanhola (esta sim é uma verdadeira selecção, não aquilo que fomos tendo por cá!!!) teve demasiados maus exemplos de influências exteriores ao futebol como foi o caso de um jogador americano ao qual foi perdoado um cartão amarelo, tendo com esse perdão podido jogar contra a Bélgica.

Mais uma "Trumpalhada" ao qual o Presidente da FIFA não se conseguiu impor, como deveria ser. Para além deste caso... os "hydratation break" que serviam outrossim para a feroz publicidade americana ter o seu tempo de "antena". Depois os enormíssimos intervalos entre as duas partes que só prejudicaram os atletas. E ainda o caso do árbitro sumali que foi proibido de entrar nos Estados Unidos.

Bom dito isto... avancemos para a minha ideia.

Um dos desejos "fifeiros" seria uma final entre Portugal de CR7 e Messi "Pulga", com a FIFA a apoiar certamente o jogador argentino, já que serão poucos os dirigentes que apreciam a "marca CR7". 

Portugal é que não entrou nessa subtil vontade futebolística e deixou-se eliminar pela nossa vizinha Espanha. A mesma selecção que ontem fez justiça poética e empurrou Messi para as franjas do esquecimento já que foi Rodri o melhor jogador do torneio. Curiosamente ambas as selecções derrotadas pelo mesmo resultado (um a zero)

Cristiano Ronaldo não voltará a participar no próximo Mundial, se Portugal conseguir a qualificação, assim como o maestro argentino Leonel Messi. Duas estrelas maiores do desporto-Rei, sairam deste evento pela porta pequena (mesmo que tenha participado na Final, Messi nunca pareceu estar presente em campo!).

Duas estrelas com posturas diferentes dentro e fora de campo, mas que marcaram, quer queiram quer não, uma época. Eu quase arriscaria assumir uma geração.

Não imagino quem os substituirá num futuro mais ou menos longo, mas desconfio que serão anormalmente insubstituíveis.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Os Albertos da nossa sociedade!

Desde há uns anos que na aldeia beirã onde vou descansar (ou talvez não!) e por altura do Verão mais ou menos no mesmo lugar surge fogo posto.

Pelos cafés e à boca pequena tem-se acusado um homem. Porém, como nunca ninguém conseguiu provas dos actos criminosos, nem as autoridades competentes, o indiciado pelo povo vivia em plena liberdade. Até ontem...

Chegou-me a notícia que o Alberto (nome fictício) havia sido detido pela PJ de Castelo Branco estando já em prisão preventiva.

Agora... 

Eu conheço o rapaz! Nas suas vidas variadas chegou a trabalhar naquilo que é meu ou da família. Mas sempre lhe percebi um ar vazio de alguém de pouca inteligência e menos sensatez. Nesta altura era pedreiro e trabalhava para um primo cá de casa, com o qual falei hoje e muito se admirou com a detenção do seu colaborador.

Segundo vim a saber um casal estrangeiro que vive na freguesia é que deu alarme às autoridades depois de o apanharem a lançar o fogo. Também soube que o moço era algo dependente do álcool com o qual se dava muito mal.

É certo que este caso não será evento único pois provavelmente por essas aldeias fora haverá demasiados (maus) exemplos como o do Alberto.

Uma vida estragada... um caminho que jamais deveria ter seguido... opções que nunca deveria ter tomado.

Fica, no entanto, aqui uma questão em aberto: como pode alguém prever ou prevenir um acto destes?

Está ora detido... Se se provarem os actos criminosos poderá irá cumprir pena por uma série de anos e arrisco dizer que sairá muuuuuuuito pior que entrou!

A justiça poderá ter sido feita... Mas o que restará deste homem não será mais que a miséria humana em estado (im)puro!

segunda-feira, 13 de julho de 2026

A agricultura da preguiça!

Sei por experiência própria que raramente os agricultores ficarão ricos. Sei também que algumas empresas ficam, mas isso deve-se a outros factores que não vem agora ao caso.

Este fim de semana que passou fui à aldeia, principalmente para homenagear a minha falecida sogra no segundo aniversário da sua partida. Todavia aproveitei esta deslocação para perceber como estavam as fazendas no que concerne ao seu trato.

Se umas apresentavam o chão limpo do perigoso feno e demais mato, outros percebi que a erva secara, mas continuava de pé sem amanho. Ora estas nacos de chão estavam entregues, graciosamente, a um homem da aldeia que tem algumas cabeças de gado e que prometeu tomar conta da fazenda com cuidado.

Isto há dois anos...

O tempo passou e depressa fui percebendo que a pessoa em questão não tinha pedalada para a coisa. Ainda se manteve um ano, mas tendo em conta o estado a que chegou o chão, optou-se por lhe entregar "uma guia de marcha" e contratar alguém com vontade e disponibilidade para fazer do terreno uma fazenda fantástica.

Agora é preciso aguardar!

Na realidade fico sem perceber porque um homem assume um compromisso sabendo de antemão que a sua filosofia não será trabalhar a terra, mas tão-somente retirar dela o melhor proveito com a menor despesa.

Para piorar a coisa o álcool também tem a sua quota parte no estado a que chegou este homem ainda muito novo.

Porque um verdadeiro homem do campo sabe tudo isto e não tem um horário de escriturário de manga de alpaca... Levanta-se cedo, mas nunca se "deita com as galinhas".

O poleiro é pequeno!


sábado, 4 de julho de 2026

E se fosse há 60 anos?

Por aqui onde estou nos fins de semana e onde gozo algumas férias (quando posso ou quando me deixam!!!) vive muita gente ilustre. Modelos e actrizes, futebolistas e dirigentes, cantores e ~músicos.

Muitos deles vejo amiúde em locais públicos a tratarem da sua vida como seja comprar mantimentos e demais necessidades para a casa. Alguns até votam na mesma escola onde eu voto.

Portanto não obstante o mediatismo a que alguns estarão mais ou menos sujeitos, reconheço que o povo português, na sua generalidade, é bem mais pacato que outros povos no que a estas figuras diz respeito.

Ontem fui a supermercado fazer algumas compras e cruzei-me com alguém que durante alguns anos foi uma figura muito querida especialmente pelo eterno feminino. Hoje esse antigo cantor que soma neste momento 87 anos (a mesma idade da minha mãe sendo mais novo apenas cinco dias!), passa pelas pessoas como figura anónima. Provavelmente a maioria não o conhecerá e se o conhecem será apenas de nome ou “por ouvirem falar dele”.

António Calvário é quase meu vizinho. Não sei sinceramente onde mora, mas cruzo-me com ele em diversos sítios. E reconheço que para a idade que transporta em cima dos ombros está muito bem. Sozinho, dei por ele ontem na caixa a aguardar pagar as suas compras.

Pouco ou nada dado a vedetismos o primeiro vencedor do Festival de Canção é hoje um homem normalíssimo. E ainda bem, acrescento.

Porém se fosse há 60 anos, estaria Calvário assim tão descansado a fazer as suas compras?

Provavelmente não, tal era a grandiosidade da sua voz, do seu talento e da sua fama!

Aqui segue a canção que o elevou à qualidade de estrela...

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Venezuela: ainda há esperança!

Diz a sabedoria popular que cada um tem a sua hora marcada para partir deste Mundo. Uns abalam jovens, outros mais velhos. Mas nenhum deles com real conhecimento do momento exacto ou em que circunstâncias.

Ainda bem até porque se alguém pudesse meter a mão neste destino… ui haveria de ser bonito com as malas a passarem de mão recheadinhas de graveto. Daquele bom!

Corria o Outono de 2010 quando uma mina desabou em São José no Chile em finais de Setembro, seiscentos metros de profundidade, para a 16 de Outubro os 33 mineiros serem finalmente resgatados. Uma epopeia que ficou guardada na minha memória. Em muitas outras minas por esse mundo fora outros mineiros acabaram por ficar eternamente soterrados.

Na Venezuela uma equipa portuguesa do RSB especializada em resgastes, conseguiu ao fim de 70 horas retirar um homem com vida dos escombros de um centro comercial que desabou com o sismo na quarta-feira da semana passada.

Naturalmente envio daqui as minhas felicitações a todos quantos participaram no salvamento deste segurança de 44 anos. Um acto de enorme coragem não só dos salvadores perante um edifício com uma estrutura periclitante, mas da própria vitima tantos dias encarcerada.

Resumindo… aconteça o que acontecer nas nossas vidas, de bom ou menos bom, só morreremos quando tiver de ser.

Ou quando Deus quiser!

A esperança deve ser a última a partir...

segunda-feira, 29 de junho de 2026

A minha ínfima horta!

Nunca gostei de jardinagem, o que não quererá dizer que não goste de jardins. Bem pelo contrário. Todavia sempre que sou convocado para fazer algo relacionado com o jardim, fico com uma vontade ... de não fazer nada que nem imaginam.

Pois é... a minha preferência vai sempre para a minha horta onde nesta altura do ano vão nascendo e crescendo as curgetes, pepinos e naturalmente tomates.

Mas este ano fiz uma inovação agrícola: espalhei por todo o terreno estrume de cavalo. Não sei se foi disso ou apenas das plantas que foram mais simpáticas comigo, o certo é que as curgetes crescem a todo o vapor, os pimentos começam agora a engrossar, mas é nos tomateiros que noto a verdadeira diferença.

Uma dúzia de pés de tomates cresceram de tal forma que prevejo uma belíssima colheita de tomates. Também é verdade que os tenho ajudado podando as folhas amarelas, já que estas retiram muita força aos tomateiros.

Fica, para já, uma foto elucidativa do estado dos meus... tomates! Ainda verdes!



sexta-feira, 26 de junho de 2026

E se fosse cá?

Sempre que oiço ou leio uma notícia sobre um qualquer sismo de grande intensidade pergunto-me sempre: e se fosse aqui em Lisboa?

A nossa Protecção Civil deve ter um programa de contingência para a situação de um eventual sismo de média ou grande dimensão. Todavia não sei se é mesmo um plano ou somente um conjunto de desejos e intenções sem perceber se haverá capacidade de resposta evidente.

Desde 1969 que tenho um enormíssimo respeito e temor pelos tremores de terra. Naquela madrugada de 28 de Fevereiro percebi que um sismo não é uma coisa assim para a gente brincar…

Recordo dessa noite as paredes do quarto a abanarem, o pânico para sair de casa trancada a “sete-chaves”, o temor de réplicas e a impossibilidade real de sabermos como estava outros familiares.

Foi uma noite para mim muito longa e demasiado marcante.

De tal maneira que ainda hoje a minha casa não tem portas fechadas à chave para a rua, já que acredito que se ontem foram os outros, amanhã poderemos ser nós. E sair para a rua pode salvar vidas!

Já principiei a preparar também uma mochila de sobrevivência: água potável, uma lanterna, um kit de primeiros socorros, cópias da minha identificação, algumas conservas e obviamente algum dinheiro.

Imagino que haja um manual ou uma matriz para estas situações, mas eu não conheço. De todo! E se calhar deveria… conhecer!

Renovo a ideia de que um destes dias pode acontecer connosco. E quanto melhor tivermos preparados, maior será a nossa possibilidade de sobrevivência.

domingo, 21 de junho de 2026

Dia de praia... luso!

Cada ano que passa sinto que uma ida à praia, especialmente num Domingo de muito calor, é uma verdadeira aventura.

E das duas uma: ou vou para a praia a desoras (sete da manhã, p.e.) ou fico olimpicamente em casa.

Hoje voltei à praia depois de ontem ter lá estado, com muita gente, mas muito mais calmo. Esta manhã ao invés (e fui mais cedo) o fim da fila para entrar nas praias entrava pela estrada principal.

Se o condutor português já é pouco civilizado na sua vida diária imaginem como fica quando tem o carro cheio de crianças a berrar que querem ir à praia. O resultado é óbvio e as manobras mais que perigosas sucedem-se… e os desembaraçados mostram os seus atributos.  Enfim o luso condutor no seu melhor. Depois o estacionamento… Uma coisa que parece tão simples gere muitos desencontros com outros que querem aquele lugar à sombra, olvidando todos que horas depois com o Astro-Rei a rodar o carro estará ao Sol. Mas vá lá explicar isto a esta gente.

Entremos na praia cheiinha de banhistas. Uns mais alastrativos, outros menos a verdade é que ainda cedo os lugares na areia começam a escassear. Ainda por cima se forem muitos e levarem, para além dos chapéus de sol, tendas, iglos, a bola e demais apetrechos, aquela enormíssima geleira recheadinha de “mines”, sandes de paio e umas dúzias de croquetes fritos na noite anterior, quase arrisco a dizer que a praia fica por conta deles.

Mas o pior é a criançada escassamente educada que não se preocupa com aqueles em redor e toca de brincar na areia atirando esta por todo o lado. De tal forma que as bolas de Berlim compradas ao vendedor terão certamente mais temperos.

Saltemos para a beira mar. Que interessa que estejam crianças pequenas a brincar à beira mar ou num casal de velhotes a passear calmamente? Um jogo de bola é muito mais importante com enormes riscos de magoarem crianças ou até as pessoas idosas. Pior… pelo que sei será proibido jogar na praia, mas reconheço que desconheço a lei.

Finalmente, nada melhor que uma bela cigarrada depois de três “mines” sorvidas em menos de nada e cinco croquetes que marcharam num ápice. O cheiro horrível a tabaco que se espalha pelo ar e que a muitos incomoda não preocupa o fumador já que sente que tem direito a tudo.

Menos respeitar o próximo! Quando no fundo tudo deveria começar por aqui!

Não imagino como será ao sair da praia, mas as filas de trânsito ao fim do dia devem ter muitas estórias para contar.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

A saúde dos direitos e deveres!

A minha surdez é daquelas fiáveis já que nunca me abandona.

Hoje foi dia de consulta de Otorrino.

As longas esperas por este médico são uma constante, mas como já sei disso nunca chego a horas. Após uma conversa não muito longa, até porque o tempo mesmo no privado é escasso, passou-se para a medicação e mais exames. E daqui a três semanas lá estarei mais uma vez para reavaliação.

Tudo isto se passou num hospital privado com o qual o meu subsistema de saúde tem acordo. Paguei 56 euros por tudo, nem me pareceu nada caro, já que fiz os exames logo naquela hora.

Agora vem a pergunta sacramental: poderia fazer-se isto num hospital público? Não tenho conhecimentos de gestão hospitalar para poder questionar e responder ao mesmo tempo, mas diria que em teoria seria possível.

O problema é que as empresas do Estado estão tão presas aos códigos de conduta que para fazer algo repentino torna-se quase impossível. Só se for mesmo na urgência... E obviamente uma surdez nunca será caso de vida ou morte!

A nossa saúde necessita de médicos, enfermeiros, auxiliares. Porém necessita também de gente que tenha coragem para mudar, para assumir que as coisas tem sempre de funcionar, mesmo que haja greves, manifestações, plenários.

Os portugueses já pagam demasiados impostos e casos como educação e saúde deveriam funcionar sempre em pleno.

Sei que há direitos, todavia também há deveres. Para todos!

Uma balança estranha e de gestão complicada.

E se perguntassem a quem sabe?


quarta-feira, 10 de junho de 2026

Feira do Livros de Lisboa (versão 2026)

Há muito que a Feira do Livro de Lisboa perdeu… charme.

Aquilo parece mais com um centro comercial onde os diferentes cheiros a comida que param no ar se confundem e provavelmente alguns daqueles entrarão outrossim nos livros, fazendo com que alguém quando chegar a casa tenha mais vontade de lhes dar uma trincadela que ler uma qualquer página.

Esta semana visitei a Feira à noite!

Muitos expositores, alguma gente, filas enormes para pagar, mas um ambiente pouco apelativo aos livros.

Não sei… mas se calhar sou só eu que vejo as coisas desta maneira… à moda antiga, quando a Feira morava no passeio central da Avenida da Liberdade nuns stands de cor amarela.

Deixemos o passado e aterremos neste presente.

Geralmente nunca levo uma lista de livros que quero comprar. Deixo que o ocaso ou sorte faça a sua parte. Mas se não tenho autores, nem títulos enfileirados tenho sempre… umas ideias sobre “… se encontrar este livro, compro!

Nunca encontro! O curioso é que desde a pandemia as minhas visitas são quase médicas, percorrendo a feira em velocidade apressada, porém sempre atento. As grandes editoras não me seduzem e talvez prefira coisas mais pequenas como… alfarrabistas.

Foi o que aconteceu desta vez quando a determinada altura deparei com um livro de poesia de Eugénio de Andrade, coordenado pelo Professor Óscar Lopes. Um livro de 2000, em muito bom estado mas nada barato mesmo para um alfarrabista. Mas calculo que novo gostaria provavelmente o triplo ou mais.

Este.

 


Depois mais uma volta e a BD em destaque. Tentei comprar um exemplar de um policial de Agatha Christhie, mas já não havia. Mais à frente noutro expositor acabei por me reencontrar com o meu “amigo” Lucky Luke, ora numa versão mais moderna, mas muito bem desenhada e com alguns personagens conhecidos de outras estórias.



Comprei-o e já o li… até porque o “cowboy” solitário ainda não está sozinho, pois tem muitos leitores.

Finalmente não pude deixar a Feira sem trazer um livro para a minha neta que brevemente principiará a ler.

Resultado final da noite: três livros, mais de 50 euros gastos e uma fome descomunal! Pois saí da Feira entre duas rulotes, uma que vendia farturas e outra, crepes.

De uma coisa tenho a certeza: este ano não voltarei à Feira do Livro.